Inteligência artificial ganha protagonismo criativo no audiovisual

Uso de IA na produção de conteúdo, da edição à criação de narrativas originais, é tema de painel Congresso SET Expo 2025

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta técnica de automação para se tornar parceira criativa no setor audiovisual. O assunto foi explorado no painel “Inteligência Artificial no Audiovisual: de Ferramenta Técnica a Parceira Criativa”, realizado no primeiro dia do Congresso SET Expo 2025. Na manhã desta segunda-feira, 18, especialistas compartilharam experiências e apontaram como a IA está transformando fluxos de trabalho, ampliando capacidades humanas e abrindo espaço para novas formas de contar histórias. O painel foi moderado por Fernando Moreira, Coordenador do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial da SET. 

Abrindo as apresentações, Luis Bechtold, Gerente Estratégico da Adobe Pro Video, falou sobre o presente e futuro da criação de conteúdo com IA generativa. “Deixamos o nosso usuário livre para escolher o melhor parceiro, seja o nosso Firefly, o OpenAI ou o Runway. Na IA assistiva, o prompt correto é essencial para o resultado final da imagem ou edição. A IA já é capaz de tirar ruídos de fundo, melhorar a qualidade de imagem e automatizar legendas, além de usos ainda mais criativos”, explicou.

Em seguida, Eduardo Calvet, diretor e produtor de documentários, filmes publicitários e realidade virtual, destacou os avanços recentes em pós-produção. “Nos últimos seis meses, muitos avanços foram realizados na produção, como segmentação de vídeo, clonagem de voz, upscale e inpainting”, apontou.

Ao lado dele, Nelson Porto, fotógrafo, diretor de arte com IA e especialista em XR, reforçou a importância da experimentação contínua. “A IA generativa exige intimidade com a plataforma para buscar vídeos e conteúdos únicos e mais assertivos, não apenas jogar um prompt simples. Não é apenas apertar um botão: quem opera precisa de treinamento conversacional para se comunicar corretamente com a IA, dando contexto. Hoje, 60% do trabalho é se manter atualizado”, destacou.

Por fim, Fábio Ferraz, Diretor de Soluções de Mídias da Globo, apresentou o Reasoning Platform, conceito inovador de gestão e integração de mídias e dados. “Estamos olhando para a IA menos como ferramenta técnica e mais como ferramenta criativa. Os pilares do Reasoning Platform são a soma do conhecimento do conteúdo, a interoperabilidade, a assistência à produção, o uso de agentes de processos e o apoio ao produto e ao negócio”, explicou.

O painel demonstrou que a inteligência artificial já ocupa um espaço estratégico na criação audiovisual, não apenas como apoio técnico, mas como força criativa capaz de expandir fronteiras narrativas e redefinir os processos de produção.