Futuro da mídia terá checagem ágil de fake news e imersão virtual nas notícias

Kenichi Murayama, da NHK, emissora pública do Japão, apresentou como a ciência e a tecnologia serão capazes de moldar a próxima geração do jornalismo e do entretenimento

Um mundo com notícias transmitidas com checagem de fake news, legendas e tradução em tempo real. Óculos de realidade virtual que permitem uma experiência imersiva do público e imagens para além das fronteiras da tela de TV. Programas produzidos com uso de IA e reconstrução digital. Esse é o futuro da mídia, na visão de Kenichi Murayama, Head da Divisão de Planejamento e Coordenação do Laboratório de Pesquisa em Ciência e Tecnologia da NHK, emissora pública do Japão.

Na palestra “Projetando o Futuro da Mídia”, realizada nesta quinta-feira (21) no Congresso SET Expo 2025, Murayama fez um paralelo entre o nascimento da radiodifusão no Japão, em 1925, e o mundo atual. “Há 100 anos, com o início da radiodifusão, o público já procurava informações confiáveis e experiências imersivas. A tecnologia evoluiu drasticamente desde então, mas ainda estamos comprometidos, na NHK, com isso”, afirmou Murayama.

Em 2024, o STRL lançou a “Future Vision 2030–2040”, um plano que traça um roteiro para o futuro da mídia com base em três áreas prioritárias: Mídia Imersiva, Serviços Universais e Ciência de Fronteira. Na apresentação, o especialista detalhou projetos e recentes tendências de pesquisa destacadas na NHK STRL Open House 2025, realizada em maio com o tema “Expandindo, Conectando e Aprofundando sua Experiência!”

Murayama diz que a ciência e a tecnologia já ajudam, e vão conseguir cada vez mais ajudar a reduzir o impacto de um dos maiores ofensores do jornalismo: a fake news. “Queremos construir uma sociedade onde as pessoas possam receber informações com confiança. Em tempos de desastres e eleições, quando informações não são confiáveis, prejudicam a população. Isso é prioridade urgente.”

Dispositivos e produção

O pesquisador também falou sobre dispositivos tecnológicos. “Esperamos, para os próximos anos, uma diversidade crescente de dispositivos de visualização doméstica. A transmissão audiovisual deverá aproveitar essas oportunidades para estar presente em todas as plataformas”, disse. Como exemplos, citou óculos de realidade aumentada, displays flexíveis, dispositivos hápticos e telas cada vez maiores e finas.

Do ponto de vista da produção na TV, Murayama trouxe como exemplo o projeto “Dekirukana 2030”, recriação de um programa de TV infantil e educativo famoso no Japão entre 1967 e 1990. O novo programa agora é feito com uso de um estúdio totalmente com painéis verdes (chroma key), onde o protagonista tem imagens captadas por uma série de câmeras. As imagens são recriadas digitalmente para chegar a um produto final onde o humano interage com objetos e animais digitais, podendo ser assistido em 3D ou em qualquer tela.

O especialista citou, ainda, tecnologias já existentes para auxiliar a produção de vídeos, criadas pelo laboratório: descrições de textos generativos para vídeos e um sistema de sumarização automática de vídeos já editados por humanos.