Panorama técnico da TV 3.0 encerra programação do dia na sala 4

Workshop destacou avanços da TV 3.0 em aplicações, acessibilidade e receptores, com foco na experiência do telespectador

O último encontro da Sala 4 no terceiro dia do Congresso SET Expo 2025 discutiu aspectos técnicos mais avançados no workshop “TV 3.0 (DTV+): Aplicações, Acessibilidade e Experiência do Telespectador”, que abordou desde aplicações interativas e acessibilidade até desafios na recepção de sinal. A sessão, moderada por Cristiano Akamine, professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi dividida em três apresentações técnicas e encerrou com um bloco de perguntas e respostas com o público técnico presente.

A primeira apresentação, conduzida por Marcelo F. Moreno, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, focou na camada de aplicações e no modelo da TV 3.0 orientado a aplicativos. Moreno explicou que, diferentemente do modelo tradicional de canais, a nova plataforma permite navegação por meio de um catálogo de apps. “A gente mudou, saiu dos canais, foi para aplicativos. Estamos com essa orientação forte em cima dos metadados”, afirmou. Ele ressaltou a importância do Electronic Service Guide (ESG), que serve como base para a exibição de guias de conteúdo e programação. “O ESG é um conjunto de metadados que torna a experiência de navegação mais eficiente e padronizada”, disse. Com isso, os conteúdos podem ser consumidos de forma linear ou sob demanda, dependendo da escolha do espectador. Moreno também destacou o papel do receptor na gestão da privacidade do usuário: “Depois que os espectadores fazem suas escolhas, a emissora recebe um registro de privacidade, e o receptor persiste com essa interação. Isso tudo está alinhado com padrões internacionais”.

Na sequência, Guido Lemos, professor da Universidade Federal da Paraíba e coordenador do LAVID, apresentou os avanços da TV 3.0 em acessibilidade e alertas de emergência. Ele demonstrou como os sistemas são projetados para atender diferentes perfis de público, inclusive usuários com deficiência auditiva. “Se ao configurar a TV o usuário sinalizar a deficiência, os alertas de emergência  aparecerão em libras ou haverá leitura em voz”, explicou. Lemos destacou que a grande inovação está na forma como esses alertas são entregues: com geolocalização precisa, interatividade e uso de aplicações que podem incluir rotas de fuga e acesso direto a serviços como o SUS. “O que estamos tentando construir é a verdadeira Smart TV, que entende o seu usuário e entrega informação de forma personalizada e acessível. Isso amplia a segurança da população e confere à televisão um papel social mais ativo”.

Fechando o workshop, Luiz Gustavo Pacola, especialista técnico do SIDIA e coordenador do grupo de trabalho de receptores do Fórum SBTVD, apresentou os desafios e avanços na implementação dos receptores para a nova geração da televisão digital. Ele explicou que a TV 3.0 não é uma evolução incremental, mas uma transformação completa. “É tudo novo: da transmissão à recepção. A TV 3.0 não é só mais uma versão, ela redefine a experiência de consumo”, disse. Pacola detalhou os diferentes tipos de receptores definidos em norma — desde aparelhos integrados até set-top boxes — e os requisitos técnicos obrigatórios para garantir interoperabilidade. Entre os destaques estão a recepção híbrida (combinando transmissão pelo ar e internet), codecs de nova geração e acessibilidade avançada. Ele também frisou a importância dos testes e da maturação das normas: “O protótipo é o começo, mas o produto final exige testes rigorosos. Precisamos transformar a teoria em prática”.

O painel terminou com um apelo à continuidade da colaboração entre indústria, academia e governo para garantir que a TV 3.0 seja lançada com qualidade e que seja acessível a toda a população. Como sintetizou Pacola, em tom descontraído, citando Raul Seixas: “O início, o fim e o meio… a gente não pode esquecer do meio”.