Falhas cibernéticas em fornecedores podem parar operações inteiras

Painel no SET Expo 2025 alerta para riscos da cadeia de suprimentos digitais e propõe automação e governança como soluções estratégicas

No primeiro dia do Congresso SET Expo 2025, o painel “Risco Cibernético de Terceiros – Se o seu Fornecedor/Parceiro de Confiança falhar, sua Empresa está preparada para continuar?” reuniu especialistas para discutir uma das maiores vulnerabilidades atuais das corporações: os riscos cibernéticos vindos de terceiros. O debate foi moderado por Nycholas Szucko, CXO Conselheiro da Netskope, e contou com insights de Fernando Bruno (Bradesco), Alexandre Sieira (Tenchi Security) e Ticiano Benetti (Natura).

A discussão girou em torno do impacto real que falhas de segurança em parceiros estratégicos podem causar na operação de grandes empresas — e como a gestão eficiente desses riscos se tornou uma prioridade.

Fernando Bruno compartilhou a abordagem do Bradesco, baseada em um framework que avalia o risco cibernético de fornecedores desde o processo de onboarding. “O segredo é entrar logo no início do relacionamento. Avaliamos o impacto potencial de um incidente e a maturidade do fornecedor para definir os controles adequados. E o acompanhamento é constante, de acordo com o risco envolvido”, explicou.

Já Alexandre Sieira destacou a discrepância entre o peso do problema e os investimentos das empresas. “Até 80% dos incidentes vêm de terceiros, mas menos de 2% do orçamento e dos times de segurança são destinados a isso”, alertou. Ele defendeu a automação como única solução viável para escalar a gestão de riscos com profundidade e confiabilidade. “Hoje, o padrão do setor ainda é enviar questionários de autoavaliação. Isso é insuficiente. Precisamos de tecnologia para verificar, em tempo real, se os controles existem e funcionam.”

O painel também refletiu sobre o cenário regulatório e os desafios do mercado brasileiro. Para Bruno, o modelo de terceirização precisa ser revisto: “Se você ainda terceiriza apenas para reduzir custos, algum requisito de qualidade — talvez segurança — está ficando para trás.”

A conclusão foi clara: o elo fraco da cadeia pode não estar dentro da empresa, mas as consequências, inevitavelmente, recaem sobre ela. Automação, governança contínua e uma nova mentalidade sobre parcerias são os pilares para enfrentar esse desafio crescente.