DTV+ exige nova era de cibersegurança na TV aberta, alertam especialistas
No painel “Ameaças Cibernéticas do Futuro da TV”, profissionais de emissoras e acadêmicos discutem riscos e estratégias de proteção para a nova geração de televisão conectada
A transformação da TV aberta com a chegada do DTV+ demanda uma reformulação completa na abordagem de segurança cibernética do setor. Esse foi o alerta unânime dos participantes do painel “Ameaças Cibernéticas do Futuro da TV”, realizado no primeiro dia do Congresso SET Expo 2025.
Moderado por Vinicius Brasileiro, Gerente de Segurança da Informação da Globo, o debate reuniu representantes de grandes emissoras e da academia: Marcelo F. Moreno, Professor Associado da Universidade Federal de Juiz de Fora, Alex Viana, Gerente de Cibersegurança e Infraestrutura de TI da Record, Rodrigo Almeida Gonçalves, Diretor de Segurança da Informação da Globo, e Adriano Ornellas Gerente de Tecnologia da Informação do SBT.
Para Marcelo F. Moreno, a expansão do DTV+ coloca a televisão em um novo patamar tecnológico, mas traz também desafios inéditos. “Tudo agora começa com software, com aplicativos. E esse mundo exige atualizações constantes, como vemos nos celulares e nas smart TVs. A segurança precisa acompanhar esse ritmo,” afirmou.
Moreno destacou que, embora o risco de um ataque direto por radiodifusão ainda seja baixo, é essencial manter a evolução das normas de segurança: “As normas não são engessadas. Prevemos uma evolução constante para incluir novas funcionalidades, proteções e controles de segurança.”
O novo modelo da TV conectada permite que os receptores detectem emissoras por meio de varredura de sinal e ofereçam um catálogo de aplicativos, inclusive baixados da internet. Segundo Moreno, os chamados broadcaster applications são sinalizados “pelo ar”, mas o código pode vir de outras origens. “São endpoints que indicam de onde baixar o aplicativo. E isso traz a necessidade de ciclos seguros de desenvolvimento e distribuição.”
Rodrigo Almeida Gonçalves chamou atenção para os riscos associados ao uso desses endpoints, principalmente quando envolvem dados sensíveis como compras e hábitos de consumo: “Criminosos vão explorar esses pontos de acesso da televisão, que podem ser mais frágeis do que os de um computador. E o problema é o acesso cruzado: o ataque pode partir de um computador e atingir um serviço voltado à TV.”
Como estratégia, Gonçalves defendeu a combinação entre análise de reputação de IP e comportamento do usuário. “Vamos ter que partir para abordagens que considerem o usuário logado, para entender seu comportamento e prevenir abusos.”
Um diferencial importante do DTV+ em relação a outras plataformas é a capacidade de fazer a medição de audiência de forma integrada e segura, segundo o especialista.
“Como temos controle sobre a especificação da plataforma, incluímos a possibilidade de captura de dados de audiência diretamente, sem depender de alterações nos aplicativos.”
Com o consentimento do telespectador, o sistema pode iniciar sessões específicas para acompanhar o uso dos aplicativos e o consumo de conteúdo. “Cada ação do telespectador, como tocar um vídeo ou trocar de canal, é registrada, permitindo relatórios precisos de audiência,” explicou.
O painel concluiu que o avanço da TV digital rumo à interatividade e à personalização exige que o setor adote com urgência práticas avançadas de secure coding, monitoramento contínuo e arquitetura de software robusta. “Segurança não é mais uma camada adicional — é parte estrutural da nova TV aberta,” resumiu Vinicius Brasileiro ao encerrar o encontro.