Setor audiovisual debate profissionalização dos podcasts no Brasil
Com foco em roteiro, tecnologia e distribuição, painel do SET Expo 2025 mostra como criar conteúdo relevante em um mercado em expansão
O podcast deixou de ser apenas uma tendência para se firmar como uma das formas de comunicação mais poderosas da atualidade. Foi com essa premissa que o painel “Podcast no ar! Mas e o conteúdo, como eu faço?” reuniu profissionais de tecnologia, produção e audiovisual nesta segunda-feira (18), na Sala 3 do Congresso SET Expo 2025.
Mediado por Roberto Hoffmann, Gerente de Projetos da RBS TV, o debate trouxe uma provocação essencial para quem deseja criar ou consolidar seu próprio projeto. “O Brasil já está entre os maiores mercados do mundo em número de ouvintes. Isso se deve à praticidade e ao apelo multimodal do podcast. Mas produzir exige muito mais do que simplesmente gravar uma conversa”, afirmou Hoffmann na abertura.
Com cerca de 20 milhões de ouvintes frequentes e uma média superior a 30 minutos por sessão, o podcast é uma mídia em plena ascensão, e a transição do áudio para o videocast expandiu ainda mais as possibilidades e as exigências.
Bruno Vargas, diretor de fotografia e host do CineMasters Podcast, compartilhou os bastidores da produção do programa que hoje é referência no nicho audiovisual técnico. “Hoje, quem participa de um podcast é visto como autoridade no assunto. É uma mídia com credibilidade. O diferencial está em saber falar para uma comunidade, em um formato que respeite seu tempo e seus interesses”, destacou.
Para Vargas, o baixo custo de entrada, aliado ao alto potencial de recorte e reaproveitamento de conteúdo, como cortes para redes sociais, torna o podcast uma ferramenta poderosa, se bem utilizada. “Com uma produção bem feita, você tem um conteúdo que se desdobra em vídeos, reels, entrevistas completas, tudo a partir de uma única gravação.”
O avanço tecnológico também tem papel central nesse crescimento. Fábio Angelini, Diretor do Grupo Pinnacle e embaixador da Blackmagic Design, explicou como os equipamentos mais compactos e integrados vêm democratizando o acesso a produções de alto nível. “É a TV de antigamente na palma da mão de um criador independente”, comentou.
Angelini ressaltou que a linha de equipamentos voltada para criadores cresceu justamente porque o mercado mudou. “O que antes era feito por grandes equipes, hoje pode ser feito por uma pessoa, desde que ela esteja com o equipamento certo”, completou.
Fechando o painel, Leonardo Cabral, Gerente de Tecnologia da Globo, mostrou como a IA já é uma aliada real, e eficiente, na produção de conteúdo em escala. Segundo ele, desde a criação de roteiros até a finalização sonora e publicação, o uso de ferramentas como Eleven Labs, Descript e NotebookLM já estão revolucionando o formato.
“Saímos do zero para uma solução funcional de podcast diário em três meses. Com orquestração de agentes de IA, conseguimos gerar roteiros, sintetizar vozes e editar automaticamente conteúdos com base em matérias jornalísticas reais”, explicou Cabral, citando o projeto Resumo do Dia, do portal GE.
Ele defendeu que a IA não substitui o jornalista ou o criador, mas acelera processos e amplia a capacidade de entrega. “A tecnologia é uma ponte, não um atalho. É ela que viabiliza que mais vozes sejam ouvidas, com qualidade e consistência.”