Conectividade em tempo real revoluciona produção de grandes eventos
Painel no Congresso SET Expo explora o uso de 5G, redes IP e novas abordagens que tornam a produção mais ágil, criativa e acessível.
Na manhã desta terça-feira (18), o painel “Produção em Tempo Real: Novas Tecnologias de Conectividade da Narrativa” apresentou no Congresso SET Expo um novo olhar sobre as possibilidades de captação, produção e distribuição de conteúdo ao vivo. A partir de três cases inovadores — as Olimpíadas de Paris com uso de 5G, as comemorações dos 60 anos da Globo com transmissões realizadas diretamente da casa de telespectadores e o Mundial de Clubes com distribuição via internet — foi possível demonstrar que é viável operar de maneira mais eficiente, criativa e acessível, com tecnologia de ponta ao alcance de todos.
Ervikton Silva, engenheiro de vendas da Foccus Digital com 20 anos de experiência em broadcast, destacou os desafios enfrentados na captação via 5G durante as Olimpíadas de Paris, em 2024. Segundo ele, foram utilizadas ferramentas simples como bastões de selfie e câmeras de celular. “Foi provado, com esse grande evento, que a tecnologia evoluiu. Barcos com até 250 celulares interligados transmitiam imagens para o centro de controle, mantendo a qualidade de áudio e vídeo para todo o mundo. Além disso, foi possível gerar conteúdos exclusivos, com foco na criação de novas oportunidades de negócio”, afirmou.
Outra experiência marcante nas Olimpíadas foi a cobertura das competições de vela, realizada sem interferir no desempenho dos atletas. Câmeras com microlinks e equipamentos de gravação foram utilizados também nas competições dentro dos estádios, evidenciando o avanço das soluções móveis e conectadas. “Do satélite à internet, do caminhão à mochila de link, do estúdio ao smartphone — o que antes era fixo e pesado hoje é ágil e escalável. O universo da produção está em plena transformação”, completou Silva.
Taíssa Cristine, produtora de tecnologia da TV Globo, compartilhou o case das reportagens especiais do Jornal Nacional em comemoração aos 60 anos da emissora. “Foi um projeto disruptivo, com o objetivo de levar o JN para dentro das casas das pessoas, com o menor impacto possível na rotina das famílias”, explicou. A operação contou com uma estrutura compacta e recursos como geradores de energia, conexão dedicada à internet, câmeras de broadcast, drone, teleprompter, estabilizadores, microfones e mochilinks. Um mockup da operação foi previamente testado na sede da Globo, garantindo precisão na execução. “O cuidado era fazer com que a apresentadora Renata Vasconcellos entrasse na casa das pessoas da forma mais natural possível. O projeto alcançou quase 33 milhões de telespectadores, sendo um dos marcos das comemorações dos 60 anos da Globo”, destacou a produtora.
Camilla Cintra, gerente de Produtos de Distribuição e Conectividade da Globo e moderadora do painel, lembrou que a distribuição de conteúdo também vive um momento de grande disrupção.
Encerrando o painel, o diretor de Vendas da SES, Marcelo Amoedo, reforçou a evolução nas transmissões de eventos via internet. “Até pouco tempo, o satélite era a tecnologia predominante. Depois veio o mochilink, que representou uma quebra de paradigma, seguido por outras formas de transmissão como cloud, fibra óptica, internet e redes IP. Cada tecnologia tem seu papel, especialmente nas transmissões ao vivo”, afirmou.
Segundo Amoedo, o avanço da internet de banda larga impulsionou a adoção do vídeo via IP, embora os desafios de estabilidade ainda sejam um entrave, principalmente nos pontos de distribuição. “Por isso, empresas como a SES têm investido em redes IP com maior alcance e custos mais acessíveis, oferecendo maior controle sobre a entrega do conteúdo”, explicou.
Ele destacou ainda a atuação da SES no Mundial de Clubes, onde foi utilizado um modelo de host broadcast por meio da internet pública, com apoio de parceiros tecnológicos. “Esse grande evento confirmou que a rede IP já é uma alternativa viável para diferentes formatos de transmissão”, concluiu.