SET SUL se debruça sobre o conteúdo para além do rádio tradicional

Painel analisa os novos formatos do rádio e como o vídeo transformou a experiência de ouvir em ver. Nele, os palestrantes explicaram que o rádio evoluiu para uma experiência multicanal a qual vai além de ouvir.

O painel realizado em Porto Alegre explorou como as rádios e os conteúdos se reinventam no ambiente digital, ultrapassando os limites do rádio tradicional, e abordou estratégias multiplataforma, novas formas de engajamento e monetização, além do papel do áudio na era da convergência e da mobilidade.

O painel dedicado ao rádio do SET SUL foi moderado por Alessandro Heck, presidente da AGERT; e teve a participação de Rhadam Miranda, Gerente Executivo de Operações Técnicas e TI no Grupo RBS; Rafael Cechin, Gerente de Jornalismo da Rádio Guaíba; Nicolas Horn, Head Digital do Radio Independente; e Jean Pierre Zanetti Vandresen, Gerente Engenharia e Operações Grupo Bandeirantes

Rhadam Miranda começou o painel falando da transição do rádio, com “maior alcance” e da palestra “Rádio Multiplataforma: O Live Streaming como Evolução e Fortalecimento”. Falou de diversos temas, com destaque para a Transmissão Linear como “modelo tradicional com programação fixa e alcance limitado”; mas com convergência digital que “gera uma integração com plataformas online e simulcasting básico”, dentro de um ecossistema Multiplataforma com presença em todas as plataformas relevantes para o público, tudo em um Meio Híbrido com “geração de valor único no ambiente digital além do simulcasting“.

Segundo ele, a mudança passou por entender que “utilizar as plataformas como complementares” que geram uma nova audiência, um novo público e novas receitas. Por outro lado, ele destacou os programas que são apenas do digital que permitem “ganhar audiência e receita”.

Miranda concluiu que é válido “entregar o conteúdo relevante, em qualquer local, plataforma e momento”. E, por isso, tem momentos que a integração com rádio é tanta, que dependendo do conteúdo, ele pode ser ouvido no formato tradicional ou no digital, agregando em ambos os casos ouvintes e receitas, concluindo que “o rádio tradicional e o digital podem andar juntos”.

Jean Pierre Zanetti Vandresen trouxe a Porto Alegre a visão do Grupo Bandeirantes, e disse que 9 de cada 10 brasileiros ouvem, no seu dia a dia, algum conteúdo de som, seja no rádio, no podcast e em uma plataforma, mostrando a relevância do meio. O executivo da Bandeirantes fez um overwiew do Grupo, e analisou o mercado, e destacou dados da indústria, e demonstrou como a empresa trabalha com transcrições de áudios de entrevistas, e como uma entrevista pode ser transcrita e, após ser revisada por um jornalista, pode ser publicada otimizando tempo. Ele deu outro exemplo, como usar a inteligência artificial para otimizar serviços e informações.

Vandresen falou da parceria da empresa com a Google para gerar dados em tempo real de algumas transmissões e como, a partir de uma ideia de transmissão multiplataforma, “são gerados conteúdos nos estúdios da rádio”, que podem ser transmitidos em várias plataformas, inclusive na televisão.  Ele falou, ainda, de produtos que foram criados exclusivamente para ser veiculados no digital e como todos os conteúdos são entregues ao ouvinte no hub de conteúdos da Band na aplicação Bandplay.

Para finalizar, o executivo da Band explicou que teve muitos problemas de sinal em Roma durante a eleição do novo Papa, e mostrou como outra emissora fez para poder transmitir desde Roma com uma mochila que carregava um dispositivo de recepção de um sinal de internet via satélite, e disse que “pode ser uma nova forma de conexão para as transmissões radiais”.

“Precisamos estar no universo multitela”, disse Rafael Cechin, gerente de Jornalismo da Rádio Guaíba. “O desafio profissional de quem faz o conteúdo é adaptar-se a essa nova realidade. Por exemplo, o repórter que está ao lado da linha em um jogo de futebol precisa trazer mais informação. O repórter tem de trazer detalhes, alguma informação que ninguém tem, uma informação nova”. E, nesse sentido, “o desafio multitela traz um desafio a mais para o profissional, e um desafio a mais para o produto. Precisamos tratar a audiência, o Ibope já não é mais suficiente, temos de falar de impacto, de número de pessoas alcançadas. Ele será mais um elemento para saber quantas pessoas alcançamos, o que traz novas oportunidades, não apenas de números, mas de dados do digital”.

Cechin disse que “o conceito de rádio existe, mas quando falamos de rádio, estamos sendo simbólico. O futuro passa pelas plataformas digitais, porque hoje somos multitela, somos digitais”, e destacou que “o rádio entendeu que o meio extrapolou. Ele hoje é só o nome, o que temos de fazer é saber usar o digital a nosso favor”.

Finalmente, Nicolas Horn, Head Digital da Rádio Independente; disse que na Rádio Independente FM 91,7 “estar no digital é o mínimo, precisa ser feito, sim ou sim”, por isso “somos líderes de audiência em radiojornalismo no Vale do Taquari”.

Além do rádio, “estamos no digital via streaming e com transmissões em Live no YouTube e Facebook. Também possuímos o nosso portal de notícias e temos uma presença muito forte nas redes sociais, com presença no Instagram (374 mil seguidores), 245 mil no Facebook (245 mil), 49 mil no YouTube com “conteúdos nativos para as redes, com engajamento constante”.

Segundo ele, com a estratégia digital “conseguimos ir muito mais longe que nossa área geográfica”, porque “mais do que a convergência de conteúdos do rádio para o digital, nós criamos conteúdos nativos e exclusivos para nossas redes sociais. Esse formato de conteúdo mantém nossa audiência engajada e crescendo todos os meses. Somente no nosso Instagram, atingimos cerca de 5 milhões de pessoas todos os meses”, mas nosso grande desafio “é a monetização, porque na internet ninguém que ver comercial, por isso, o comercial deve estar dentro do conteúdo, o que exige ter pautas relevantes dentro de um conteúdo que também é comercial”, por isso, explicou, “o conteúdo deve ser pensado e criado para o digital”.

O SET SUL teve o patrocínio Ouro da Alliance, Canon, CIS Group, Convergint, Eutelsat, Mediastream, SES, Sony e Speedcast; e o apoio de EiTV, NeoID, SM Facilities, Teletronix, Pinnacle/Blackmagic Desing. Ainda, o apoio institucional da Abert, Abratel, Acaert, Aerp, Agert, Astral e o Grupo RBS.

Por Fernando Moura e Tito Liberato