TV 3.0 (DTV+): a nova geração da televisão digital
Avanços técnicos colocam o Brasil na vanguarda dessa tecnologia
O terceiro dia do Congresso SET Expo 2025 trouxe um dos momentos mais esperados da programação técnica: o painel “TV 3.0 (DTV+): Avanços Técnicos e Inovações na Camada de Base”. Com foco na infraestrutura tecnológica da nova geração da televisão digital brasileira, o workshop reuniu especialistas internacionais e nacionais para apresentar o estado da arte das três camadas fundamentais da arquitetura da TV 3.0: física, transporte e codificação de vídeo e áudio.
O painel foi moderado por Cristiano Akamine, professor e pesquisador do Laboratório de TV Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie e integrante do Módulo Técnico do Fórum SBTVD. Ele iniciou a sessão com um panorama geral sobre a estrutura dos nove Grupos de Trabalho (GTs) responsáveis pela definição das normas técnicas da TV 3.0, destacando a colaboração entre academia, indústria e governo no desenvolvimento do sistema.
Na sequência, Sung-Ik Park, pesquisador principal do ETRI (Instituto de Pesquisa em Eletrônica e Telecomunicações da Coreia do Sul), apresentou as inovações no uso da tecnologia LDM-Plus MIMO no padrão ATSC 3.0, aplicada à TV 3.0 brasileira. Ele destacou que a adoção do MIMO com transmissão em múltiplas antenas já foi testada com sucesso pela KBS, maior emissora coreana, em cenários urbanos de recepção fixa e móvel. “A LDM-Plus MIMO fornece desempenho muito mais eficiente e confiável em ambientes realistas”, afirmou Park. Ele também detalhou a evolução do recurso TX-ID, originalmente criado para diagnóstico e gestão de redes SFN (Single Frequency Network), agora adaptado para múltiplas funcionalidades, como inserção de conteúdo local, identificação de cobertura regional e até geolocalização precisa de transmissores. “TX-ID também pode ser usado para detectar o perfil do canal e apoiar estimativas mais robustas em receptores, embora com maior complexidade”, acrescentou.
Carlos Cosme, especialista em inovação do grupo de Telecom da Globo, apresentou o trabalho pioneiro realizado pela emissora na área de codificação de vídeo e áudio para a TV 3.0. Ele mostrou como os codecs VVC e LCVC estão sendo utilizados de forma combinada para garantir alta qualidade com baixas taxas de bit e latência reduzida. “Hoje conseguimos entregar vídeo 4K HDR com apenas 10 Mbps, utilizando BOP de 60 frames e segmentos DASH de 2 segundos. Isso nos dá uma latência de apenas 8 segundos, o que já representa uma experiência muito completa para o telespectador”, afirmou Cosme. Ele também destacou os avanços no uso do codec de áudio MPEG-H 3D Audio, agora obrigatório no sistema, e a importância de se realizar a decodificação diretamente em hardware nos set-top boxes, para otimizar desempenho e reduzir carga no processador.
Gustavo de Mello Balneira, professor e pesquisador do mesmo laboratório da Universidade Mackenzie e também integrante do Fórum SBTVD, apresentou as inovações na camada de transporte da TV 3.0. Ele destacou o uso de tecnologias adaptativas para garantir qualidade e estabilidade da transmissão mesmo em redes congestionadas, além da arquitetura voltada à entrega personalizada de conteúdo. Segundo Balneira, a estrutura da camada de transporte permitirá a integração com serviços em nuvem e com dispositivos conectados, abrindo espaço para uma experiência de consumo mais dinâmica e interativa. “A TV 3.0 é um sistema baseado em aplicações. Por isso, é essencial que o processamento de vídeo e áudio seja feito de forma eficiente, deixando mais recursos livres para o ecossistema de apps”, explicou. Após as apresentações, os especialistas participaram de uma sessão de perguntas e respostas com o público presente, formado majoritariamente por profissionais da área técnica e de engenharia. A interação reforçou o caráter colaborativo e em constante evolução do ecossistema da TV 3.0 no Brasil.