SET Sudeste: TV 3.0 é apontada como motor da nova era da radiodifusão
Especialistas analisaram a TV 3.0 como motor da nova radiodifusão, destacando oportunidades tecnológicas e de negócios, inovação na experiência do telespectador e os próximos passos para o mercado audiovisual.

O segundo painel da tarde do SET Sudeste 2026, “TV 3.0: O Motor da Nova Era da Radiodifusão”, foi moderado por Caroline Cristina dos Santos, diretora de Tecnologia e Políticas de Telecomunicações da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), e teve como palestrantes Tomaso D’Angelo Wantuil Papi, gerente de Engenharia e Tecnologia da Record Brasília; José Roberto Elias, consultor comercial EFTX; e Luiz Cláudio Costa, arquiteto de Soluções LatAm da Ross Video.
No início, Caroline questionou se a TV 3.0 será uma nova forma de fazer TV e se, na convergência, muda a forma de atuação. “Falamos de uma experiência imersiva com um desafio de novos modelos de monetização”. Ela abordou os desafios de implementação do futuro e afirmou que é necessário discutir o padrão e como seguir com o desenvolvimento.
José Elias afirmou que a TV 3.0 já é uma realidade em São Paulo e abordou os aspectos técnicos do ponto de vista de transmissão, destacando as antenas utilizadas nas estações experimentais, que precisaram ser concebidas em wideband (extrema linearidade nos canais), com alta isolação de polarização cruzada (Cross-Pol), bem como isolação entre portas H/V. Segundo ele, essas características permitem maior confiabilidade (baixo nível de interconexões), além de serem pressurizáveis, possibilitando operação em regiões de alto índice pluviométrico e áreas próximas ao mar.
Ele afirmou que 2026 será um ano de experimentação, com um desafio importante para a recepção indoor, exigindo soluções de antenas eficientes e com custos reduzidos, além de interconectividades estúdio-transmissores que possibilitem a integridade do STLTP (Studio-to-Transmitter Link Transport Protocol), garantindo a transmissão desde o gateway até o transmissor livre de erros.
Por sua vez, Luiz Cláudio Costa falou sobre hiperconvergência, trazendo uma série de funcionalidades ao ecossistema por meio de uma única plataforma. Ele apresentou a plataforma Ultrix, que maximiza o throughput e permite o transporte de diversos sinais desde o input até o output.

Tomaso D’Angelo Wantuil Papi, da Record, apresentou a visão da emissora sobre a TV 3.0, “pensado como uma visão tecnológica 360º com 4 pilares” / Foto: Reprodução
O representante da Ross Video mostrou o ecossistema e o workflow de trabalho, composto por hardware com software integrado, e explicou como integrar equipamentos para desenvolver uma solução adequada ao novo ecossistema que as emissoras precisam criar para as transmissões de TV 3.0.
Tomaso D’Angelo Wantuil Papi, da Record, apresentou a visão da emissora sobre a TV 3.0, “pensado como uma visão tecnológica 360º com 4 pilares: Data Driven, Produção, comercialização e tecnologia com a “necessidade de uma visão de produção multiplataforma, e um novo player gerado pelos algoritmos e dados”. Segundo ele, o avanço tecnológico exige maturidade: “agora estamos vivendo um momento de maturidade, e teremos evolução. Precisamos tornar o modelo mais fluido”.
Ele destacou que, para que o conteúdo seja consumido, “temos de mudar a forma de fazer o conteúdo, a forma de distribuir, chegando a audiência que fomos perdendo nos últimos anos”, ressaltando que “a tecnologia isoladamente não chega”.
Retomando o tema da arquitetura hiperconvergente, Costa afirmou que ela pode ajudar porque “pode renovar infraestrutura de uma forma escalonada”, destacando que, em termos de roteamento, por exemplo, é possível operar de forma flutuante e flexível, adaptando-se às necessidades do broadcaster.
Em relação à entrega, Papi afirmou que a TV 3.0 vai potencializar a distribuição, tanto na TV comercial quanto na pública, e que “o broadband da TV 3.0 virá para complementar”. Segundo ele, o desafio está em definir “o que vamos ofertar e como vamos avançar”. O executivo destacou que o investimento é fundamental e que, para isso, “vamos necessitar de financiamento”, pois o retorno será gradual, “vai ser diluído ao longo do tempo, e nesse sentido, a política de incentivo vai ser muito importante”.
O SET Sudeste 2026 tem patrocínio Ouro da Alliance, Canon, Dolby, Mediastream, SES, Sony, SpeedCast e YouCast. Patrocinador Prata a SDB Multimídia, e apoio da Teletronix, SM Facilities, NeoID, Showcase e ABLink. E apoio institucional da ABERT, ABRATEL, ASTRAL, Empresa Mineira de Comunicação, Itatiaia, Globo, Record e TV Alterosa.
Por Fernando Moura (Reportagem) e Fernanda Vio (Edição)



