SET Sul perspectiva o valor agregado da DTV+
Keynote de ex-presidente da SET analisa “Beyond Broadcast: Estratégia, Tecnologia e Valor agregado no DTV+” e deixa claro que em tempos de mudança é preciso sair da caixa. Franco, que comandou a SET na altura que o Brasil adotou o ISDB-Tb, disse que estamos em um mundo mais líquido, e que nele é necessário entender como e por que criamos conteúdos audiovisuais, motivo pelo qual é necessário avançar para um conceito de “beyond broadcast e broadband”.
O SET Sul realizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, finalizado com um excelente e esclarecedor keynote apresentado pelo conselheiro e ex-presidente da SET, Roberto Dias Lima Franco. “Beyond Broadcast” explorou como o DTV+ vai além da transmissão tradicional, integrando estratégia, tecnologia e inovação para gerar valor agregado. Nele, o executivo analisou as novas oportunidades de receita, personalização de serviços e modelos de negócio centrados na experiência do usuário.
Franco começou a sua fala falando de mudanças, de transformações, e fundamentalmente, como “sair da caixa”. Nesse contexto, disse que hoje a TV começa a falar em públicos menores, e não já em públicos de massa, e comentou que para manter a TV relevante é necessário entender que vivemos um período de “saturação de modelos tradicionais, dispersão de atenção, competição com plataformas digitais e necessidade de renovação do valor percebido da TV”, e se perguntou que aconteceria “se a TV aberta deixasse de ser apenas uma vitrine de conteúdo e se tornasse uma plataforma de serviços digitais?”.
Assim, segundo ele, a grande oportunidade passa por transitar por conteúdos que sejam segmentados. Hoje, temos dois mercados, o que atuamos que é de massa, e outro que com a tecnologia atual da TV “não conseguimos explorar”.
Falando da história da TV, Franco disse que, de 1950 até 2007, a TV foi apenas um vitrine de conteúdo. Nesse ano é lançado o iPhone e começa o streaming da Netflix. “EM 2007, foi um recurso de sobrevivência, e hoje estamos avançando para a TV 3.0, para vender realidades paralelas, mas estamos adequando a uma época”. E reforçou que o DTV+ precisa ter uma marca forte e uma boa usabilidade que permita que “usuário encontre os canais de radiodifusão de forma fácil na smarTV”.
Segundo ele, “a DTV+ é uma resposta estratégica”, de um grupo de empresas que entende de conteúdo e quer usar a tecnologia a seu favor, porque é uma “plataforma convergente que une broadcast e broadband, com foco na experiência do usuário, interatividade e geração de novos negócios”.

Roberto Franco – SET SUL
Nesse contexto, ele falou do Core do DTV+, que vai oferecer “elasticidade, escalabilidade, otimização, operação remota e contratação sob demanda” que permitirá utilizando manifestos de stream permita substituir processos “facilitando mediante uma CDN Over-the-Ar a transmissão para todos, mesmo que faça uma segmentação de público”, e por outro lado, esse mesmo conteúdo, “pode ser enviado a pequenas bolhas de públicos por CDNs tradicionais (CDN OTT)”, o que permita a emissora segmentar.
Para ele, então, o futuro passa por “modelos de valor e oportunidades de negócio” que “criem produtos contextuais”, que exista uma segunda tela integrada, que se utilizem os dados como ativo (analytics em edge para decisões editoriais e comerciais), e se realizem vendas diretas e integração com e-commerce.
Ainda falou de experiências ampliadas, com inclusão de serviços públicos; interatividade gamificada; segunda tela integrada com sincronização em tempo real, e se consiga ter parcerias possíveis com operadoras móveis, com desenvolvedores de apps interativos. Com plataformas de conteúdo regional “porque cada dia as pessoas querem consumir mais os conteúdos locais, inclusive na publicidade”, e governo e serviços públicos.
Assim, finalizou dizendo que devemos falar de “beyond broadcast e broadband”, assim, “só a combinação dá essa fluidez, porque os broadcasters podem fazer a integração, mas as plataformas não têm o know-how do espectro. As parcerias serão as que permitam continuar o jogo”, tudo porque o “radiodifusor deve pensar em experiência, colocando o espectador no centro, reaprende e usar a UX da experiência”.
O SET SUL teve o patrocínio Ouro da Alliance, Canon, CIS Group, Convergint, Eutelsat, Mediastream, SES, Sony e Speedcast; e o apoio de EiTV, NeoID, SM Facilities, Teletronix, Pinnacle/Blackmagic Desing. Ainda, o apoio institucional da Abert, Abratel, Acaert, Aerp, Agert, Astral e o Grupo RBS.
Por Fernando Moura e Tito Liberato