SET SUL e as oportunidades de negócio da DTV+
O painel “DTV+: Transformando Tecnologia em Oportunidades de Negócio” apresentou na capital gaúcha algumas das oportunidades que a nova geração de TV pode entregar aos radiodifusores.
O penúltimo painel do SET Sul, que se realizou nesta quinta-feira (29/5) em Porto Alegre, apresentou aos participantes a evolução da TV digital e como a DTV+ pode abrir novas possibilidades de negócios. Nele foram discutidas inovações tecnológicas, modelos de monetização, experiências interativas e estratégias para alavancar audiências e receitas em um mercado cada vez mais conectado.
O painel foi moderado por Caio Klein, Diretor Geral da TVE RS/SET, e teve a participação de Diego Arturo Pajuelo Castro, Engenheiro Broadcast da EiTV; Felipe Andrade, VP de Vendas da CIS Group; e Marco Lopes, CEO da Mediastream Brasil. Klein começou falando das mudanças e destacou que na última NAB Show, realizada nos Estados Unidos, ficou claro que o desafio “da capacitação dos profissionais é muito importante neste contexto de mudanças tecnológicas e de hábitos de consumo”.
O primeiro a falar foi Castro da EiTV que disse que o principal desafio da nova tecnologia é que não é uma tecnologia estática, com aplicações interativas e framework, “dentro de uma camada de transporte, distribuição e transmissão”. Nesse contexto, com o Ginga como base, chegamos a um middleware com aplicações interativas DTV+ que terão dentro um aplicativo inicial (Bootstrap application) com Catálogo de aplicações. E aplicativos secundários (Broadcaster applications TV3.0 Ginga NCL/Ginga HTML5).
Assim, ele disse que o segredo passa por entender que aqui o aplicativo será o eixo de diferenciação da TV 3.0, com TV 3.0 Web Services – acesso a informações, recursos e características.
Entre as aplicações, o executivo da EiTV destacou a “aplicação de alerta de emergência, uma aplicação que emite um sinal de emergência por segmentação geográfica (TxId). Com mídia incorporada com mapas de evacuação, suporte a acessibilidade. Além de integração com outros sistemas (tecnologia móvel) ou aparelhos debaixo custo (PLP0)”.
Castro explicou, ainda, o uso da regionalização, por exemplo, a inserção local, que usa a tecnologia DASH Event Stream, com integração com a sinalização SCTE35. E “a regionalização de propaganda e até conteúdos, gerando alta granularidade na sincronização a nível de frame de vídeo”.
Finalmente, disse que a TV 3.0 não envolve apenas o conhecimento dos engenheiros, mas, sim, de todos os profissionais do setor, para tornar a tecnologia transparente que possa viabilizar a nova tecnologia, e que seja necessário entender o novo “framework TV 3.0, que traz tecnologias para auxiliar o desenvolvimento das aplicações, com abstração do middleware da TV 3.0. A criação de novas APIs a partir dos testes com os fabricantes de TV; e a documentação para garantir reprodutibilidade, e de fácil exportação do código”.
Mais tarde, Marco Lopes disse na capital gaúcha que o DTV+ é fruto da convergência, que permite a aproximação de diferentes tecnologias, plataformas e modelos de negócios que antes operavam de forma separada. Assim, a partir da sua ótica, a tecnológica une a TV aberta (broadcast) com a infraestrutura IP e a flexibilidade do streaming, permitindo uma experiência híbrida. Em termos de conteúdo, tem a “capacidade de entregar conteúdo linear (ao vivo) com conteúdo sob demanda, e enriquecê-lo com elementos interativos e personalizados, como já acontece nas plataformas digitais”. E isso, ainda, mudando o modelo de negócios, já que “teremos uma transição de um modelo de publicidade massificada para um modelo que incorpora a segmentação de audiência, a personalização e a medição precisa do digital para a televisão”.
Lopes disse que há muitas oportunidades de negócios e monetização, e que essa transformação depende da publicidade segmentada por perfil, região ou comportamento e programática com dados em tempo real. Falou de “Shoppable TV, compras diretamente da tela, com modelos AVOD, TVOD, SVOD integrados à experiência aberta”, que agora podem incluir votação, enquetes, quis ao vivo durante a programação. E, também, a integração com apps e segunda tela, com recomendação inteligente de conteúdo via EPG dinâmico.
E para que isso funcione, deve, a partir do seu ponto de vista, ter trabalho conjunto e estratégico entre diferentes players e todos os lugares da cadeia de valor: Radiodifusores, Provedores (ISPs) e Fabricantes, porque “a DTV+ depende de uma rede robusta para a Entrega híbrida (QoE) e a escalabilidade”.
Por outro lado, disse, os produtores de conteúdo, as plataforma de tecnologia e agências devem convergir para que a publicidade programática e a super-regionalização funcionem efetivamente. É preciso que estes se conectem, compartilhem dados (com ética e segurança) e criem formatos inovadores. Finalmente apresentou um produto de LiveShopping que oferece “uma experiência personalizada em cada evento que permite combinar e-commerce com a transmissão ao vivo”.
Lopes fechou dizendo que trabalha com uma estratégia multimodelos de IA e assim usar IA na produção, e para isso, “utilizar a transcrição de um vídeo e a análise de imagens como matéria-prima para que a IA analise o conteúdo, identifique automaticamente as partes mais destacadas segundo certos critérios linguísticos e contextuais, e depois compile ou assinale esses momentos para oferecer um resumo ou uma forma rápida de acessar o mais relevante do vídeo sem ter que vê-lo completo. Isso economiza tempo e ajuda os usuários a captar rapidamente a essência do conteúdo”. Ainda falou de como a Mediastream gerencia a plataforma de vídeo do Mercado Livre, o MercadoPlay.
Finalmente, Felipe Andrade da CIS Group, disse que os custos da produção audiovisual aumentaram e, assim, o desafio passa pela fragmentação de plataformas e uma crescente demanda do usuário em um ecossistema que cada vez é mais complexo e assim se torna difícil a monetização. Nesse sentido, falou de publicidade segmentada de forma geográfica que pode ser combinada com a personalização, e avançou para conteúdos em pay-per-vier e experiências Premium de conteúdo. Outros exemplos “passaram T-Commerce (comercio integrado) onde o limite passa pela criação e engajamento”, comentou.
Segundo Andrade, um dos diferenciais da nova DTV+ são os dados de consumo e espectadores que as emissoras vão ter, e comentou que elas podem usar os “dados como produto”, permitindo uma nova forma de monetização das audiências.
Como exemplo, Andrade utilizou a plataforma Doors que foi desenvolvida com um formato EMS (Experience Management System), uma plataforma que funciona como “uma tela em branco”, que permite “inovação ágil” e, por exemplo, permite construir uma nova forma de entrega de conteúdo ao usuário. Ele disse que a plataforma permite ter a “funcionalidade de segunda tela centrada no usuário”, criando uma “DTV própria escolhendo, por exemplo, câmeras diferentes para visualização simultânea”.
O SET SUL teve o patrocínio Ouro da Alliance, Canon, CIS Group, Convergint, Eutelsat, Mediastream, SES, Sony e Speedcast; e o apoio de EiTV, NeoID, SM Facilities, Teletronix, Pinnacle/Blackmagic Desing. Ainda, o apoio institucional da Abert, Abratel, Acaert, Aerp, Agert, Astral e o Grupo RBS.
Por Fernando Moura e Tito Liberato





