SET SUL: Copa do Mundo terá 3 mil receptores de TV 3.0 em cidades brasileiras

Painel regulatório destaca lançamento da TV 3.0, distribuição de receptores para testes durante a Copa e avanços na agenda do MCom, Anatel e entidades do setor.

O MCom avança as tratativas para o financiamento do Banco Mundial e BID e acompanha o trabalho do Gired e SejaDigital para a chegada de receptores para “degustação e testes durante a Copa do Mundo”, afirmou Tawfic Awwad Junior, diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização do Ministério das Comunicações no primeiro painel do SET Sul, que a SET realiza em Santa Catarina, teve como tema o “Panorama Regulatório da Radiodifusão: atualizações, impactos e caminhos para o setor”.

No painel, executivos de autoridades governamentais e associações debateram as principais mudanças regulatórias na radiodifusão, seus impactos no mercado e nos modelos de negócio, além de caminhos estratégicos para adaptação em um ambiente tecnológico em constante evolução. O painel teve moderação de Geraldo Cardoso de Melo, representante SET Regional Sudeste; Tawfic Awwad Junior, diretor do Departamento de Inovação, Regulamentação e Fiscalização do Ministério das Comunicações; Mário Neves, presidente da ACAERT; Rafael Larcher, da ABERT; Wender Almeida de Souza, assessor técnico de engenharia da ABRATEL e representante da Regional Centro-Oeste da SET; Renato Sales Bizerra Aguiar, gerente de Outorga e Licenciamento de Estações na Anatel; e Gerson Inácio de Castro, presidente da ASTRAL.

Na abertura, Cardoso de Melo disse que uma das missões da SET é espalhar o conhecimento e seguir o marco regulatório da indústria e que “nesse ecossistema um dos momentos de observação é a interação entre o usuário e o radiodifusor”, o que está sendo discutido e analisado pelos GTs da SET.

Tawfic Awwad Junior falou do trabalho do Ministério das Comunicações e disse que “a agenda regulatória será republicada nos próximos dias”, uma vez que se entreguem os decretos e regulamentações da TV 3.0. Ele afirmou que, em Las Vegas, “o Brasil teve uma das maiores delegações estrangeira” e destacou como o país é importante na agenda da TV digital mundial, afirmando que “o padrão brasileiro pode vir a ser um modelo mundial para TV 3.0” e explicou que o México já observa a implantação do modelo brasileiro. 

Falando de internacionalização, destacou a reunião realizada pelo MCom na sede da Anatel, em Brasília, com embaixadores para demonstrar a TV 3.0. Outro destaque de Tawfic foi a organização dos canais “virtuais” para entrada na nova era com uma limpeza de canais. Falou ainda dos alertas de emergência e da regulamentação de segmentação de conteúdo e multiprogramação. “Precisamos aprender com os erros dos Estados Unidos na migração do ATSC e melhorar a migração”.

Por outro lado, falou da promoção do desenvolvimento de TVs com acesso à TV 3.0 e afirmou que haverá uma “consulta pública sobre o PPB nas próximas semanas”. Também mencionou a isenção de ex-tarifário e disse que “já foi aprovado o primeiro processo para transmissor com MIMO”, além de destacar as estações piloto de São Paulo e Brasília criadas com recursos administrados pela Seja Digital. Finalmente, falou das demonstrações de 5G Broadcast em Curitiba, “o que é muito importante”.

Receptores na Copa

Ele adiantou que “teremos 3 mil receptores na Copa do Mundo, são uma encomenda do Gired, para ter demonstrações durante a Copa do Mundo. A ideia é ter na Copa TV 3.0 em caráter de degustação”, e afirmou que o MCom trabalha na regulamentação para ter recursos e entrega a partir de 2027, “entregando receptores para famílias de baixos recursos”, o que pode criar “uma base de experimentação da TV 3.0”.

Finalizou falando do trabalho junto ao Banco Mundial e ao BID para acesso a “crédito internacional para os bancos de desenvolvimento internacionais”, recursos que entram pelo FUST com uma “alteração da portaria, colocando a TV 3.0 como prioridade no próximo quinquênio”, com expectativa de que estejam “disponíveis no início de 2027”.

Renato Sales Bizerra Aguiar, gerente de Outorga e Licenciamento de Estações na Anatel, disse que a Agência reconhece a importância da mudança tecnológica da TV 3.0 pela sua relevância para “a democracia e entrega de informação à população”.

Em termos estratégicos, disse que o regulamento de faixas de frequência indica que “a Anatel trabalhou com 12 canais, com 72 MHz propostos em uma minuta de regulação”, que finalizou os trabalhos no dia 15 de maio e agora aguarda “as manifestações jurídicas”. “Estamos na etapa final de 12 canais de 6 MHz”, na faixa de 300 MHz que serão utilizados para a TV 3.0, e explicou que os atos de requisitos técnicos “estão em base final”, etapa que considerou “muito importante para garantir, por exemplo, nesta parte do país com países vizinhos, que tudo esteja certo”.

Ele falou das estações experimentais “com caráter provisório” e afirmou que a SejaDigital está “realizando medições internas”, explicando que, pelas medições, “a antena interna será suficiente para receber sinal de TV 3.0” em alguns casos, e que “os órgãos públicos e empresas que se cadastraram terão acesso ao set-top box na modalidade de comodato para receber e testar a recepção de TV 3.0”. Outro ponto citado por Aguiar foi que a Anatel trabalha em um modelo de “mosaico” para os novos sinais de TV 3.0.

Olhar das associações do setor

Rafael Larcher, advogado da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), falou da migração do rádio e disse que a entidade tem associados com dificuldades para encontrar canais para migrar da AM para FM. Larcher afirmou que o trabalho com a Anatel e o MCom tem sido excelente em termos de sinergia e explicou que “o Brasil está à frente na tecnologia, sendo um exemplo para países da América Latina”. Ele reconheceu “a importância do Brasil no desenvolvimento da tecnologia, mas não pode deixar de pensar na questão financeira, e nem todas as associadas da Abert têm condições de poder fazer a atualização tecnológica sem financiamento”, e finalizou dizendo que o financiamento deve ocorrer com taxas razoáveis.

O presidente da ACAERT, Mário Neves, disse que a luta da entidade é e será um ponto importante do desenvolvimento, e comentou que a TV 3.0 “é emocionante, porque estamos a menos de um mês da Copa e não temos a portaria publicada”, além de destacar a proeminência “na primeira tela do televisor”. 

Neves afirmou que “a TV 3.0 terá produção diferenciada com custo elevado, mas tudo depende de que as pessoas do outro lado estejam ligadas; para isso, precisamos de muitos receptores para ter um público amplo”, e concluiu que “a TV 3.0 é a nossa grande oportunidade”, porque “é algo que vai mudar nossa experiência como espectadores”.

Por sua parte, o representante da Abratel, Wender Almeida de Souza, disse que existem muitos debates encaminhados, muitas horas de análise e reunião, e que espera “que dê certo”. 

Ele ressaltou que é “necessário definir os contornos da TV 3.0”, afirmando que “esperamos que a regulamentação contemple os campos” e “os contornos, sendo um desafio enorme”. Segundo ele, a cobertura será importante para as emissoras e deverá haver tempo para “cobertura plena das emissoras nas suas áreas de cobertura”. Também destacou o sucesso das estações experimentais e do desenvolvimento do receptor, além da “instalação da estação de Brasília e desenvolvimento de aplicativos para as emissoras públicas e, no futuro, para as emissoras privadas”.  Finalizou mencionando a “necessidade de estruturar uma regulamentação para a recepção móvel no Brasil” que integre a TV 3.0 e a recepção móvel.

Encerrando o debate, Gerson Inácio de Castro, presidente da ASTRAL, disse que é essencial que as emissoras legislativas entrem no mundo digital da TV 3.0, “ao mesmo tempo que o desafio é universalizar a chegada das casas legislativas à população, precisamos ter TVs públicas na TV 3.0”. Segundo ele, “a expectativa é boa, mas o desafio é enorme”, em um momento “que terá ações inovadoras para a TV brasileira, com segunda tela, governo digital, mas, ao mesmo tempo, estamos de guarda alta para continuar sendo relevantes”.

O SET Sul 2026 tem como patrocinadores Ouro Speedcast, SES, Canon, Alliance, YouCast, Mediastream, Eutelsat, Media Portal e Taghos. Como patrocinadores Prata, Sony, SDB Multimedia, Broadmedia e Pinnacle; e, como patrocinadores Bronze, Showcase, Ablink, Teletronix, Lineup e Simba CDN, além do apoio institucional da Abert, Astral, Abratel e AERP.