SET Sudeste analisa conectividade via satélite e novos modelos de negócios para a TV 3.0
Segundo painel do SET Regional que se realiza em BH debate sobre a distribuição satelital e oportunidades na radiodifusão com destaque para TV 3.0.
O painel discutiu a distribuição satelital na radiodifusão, analisando conectividade, eficiência, tecnologias emergentes, modelos de negócios e oportunidades para os radiodifusores. Participaram José Eduardo B. Pereira, diretor de Engenharia e Telecomunicações da Record Rio; Marcelo Amoedo, diretor sênior de Vendas da SES; e Eduardo Padilha, gerente de Vendas da Speedcast. A coordenação foi de Luís Eduardo Leão de Carvalho, da TV Alterosa (SBT).

Amoedo falou da “nova SES”, após a aquisição da Intelsat, tornando-se “a maior empresa do setor no mundo”, e afirmou que a empresa vai além, contando com “a maior frota geoestacionária, com 90 satélites”, além de mais 30 em MEO, permitindo “altas capacidades, baixa latência e flexibilidade única”. Ele reforçou a presença no Brasil e na região, com 37 satélites GEO, cinco plataformas DTH hospedadas pela SES, mais de 2.800 canais de TV e 30 satélites MEO entregando conectividade fiber-like.
“A SES entende que o DVB-NIP é o broadcast entrando na era IP” e explicou que ele “integra o mundo IP com o broadcast”, porque “o broadcast passa a transportar serviços IP além da arquitetura baseada em Transport Stream”, já que “passa a operar como rede de distribuição IP multicast em larga escala, com integração nativa com o ecossistema IP (OTT, CDN e cloud)”. Segundo Amoedo, a arquitetura híbrida transporta conteúdo linear e sob demanda nas plataformas de Pay TV, OVP e FTV, funcionando com “distribuição de Pay TV & FTV com inserção de propaganda e análise de audiência”. Ele explicou que esse processo está sendo implantado na Dish México, com previsão de estar pronto em setembro próximo. “No Brasil, pensamos que pode ser a forma de abrir novos negócios”, afirmou.
Padilha falou sobre a TVRO e as alternativas para a TV 3.0 como proposta de evolução. Em termos de números, disse que já há “17,5 milhões de receptores instalados, um grande sucesso da banda Ku, com Bahia e Ceará como os estados com maior implantação”. Explicou que, na região Sudeste, o número chega a 5 milhões.
Falando de DTV+, afirmou que a expectativa é de que, em 2027, o país chegue a 20 milhões de receptores. Disse ainda que a empresa pensou em criar um “compartilhamento de Core 3.0” e, para isso, desenvolver um laboratório de testes agnóstico para a indústria e desenvolvedores de software, que apresente à área comercial das emissoras qual será a experiência da segmentação geográfica. A proposta também é compartilhar a infraestrutura do Core para viabilizar o investimento pelos radiodifusores e “desenvolver novos modelos de negócios, viabilizando a TV 3.0 na TVRO”.
Padilha afirmou que o Fórum SBTVD trabalha com a ideia de utilizar a infraestrutura compartilhada da Speedcast para aproveitar todas as vantagens e permitir que o telespectador tenha uma experiência similar à da TV 3.0 terrestre no satélite. Explicou que, no satélite, deve existir um “cast” que permita não conflitar com os sinais. Ao final, mostrou à plateia um receptor de TV 3.0 que pode ser utilizado para testes e explicou que o equipamento deve ser pensado para que o público possa adquiri-lo, embora “no início, vá ser caro”.
Por fim, o diretor de Engenharia e Telecomunicações da Record Rio, José Eduardo B. Pereira, falou sobre a TVRO e destacou que a regionalização foi importante para criar um novo modelo de negócio. Segundo ele, o DVB-NIP pode ser interessante para gerar e permitir a monetização da TV 3.0.
Por sua vez, Amoedo afirmou que a experiência do México vai mostrar ao radiodifusor que é possível ter a experiência da TV 3.0 no satélite, pois será possível perceber como funciona o DVB-NIP, com “taxas muito econômicas com o multicast, rodando em uma plataforma madura, que já existe”. Ele disse que o modelo de negócio da SES será diferente, pois “partimos para uma parceria com divisão de receita com os clientes”, e concluiu afirmando que “na SES entendemos que é preciso se adaptar e se reinventar, usando a tecnologia para distribuir conteúdo”. Também antecipou que serão realizados testes de DVB-NIP no Brasil.
Por outro lado, ao falar da TV Alterosa, o coordenador explicou a experiência da empresa com a TVRO para “chegar a várias cidades. Fomos os primeiros a usar a TVRO para chegar às casas e aos transmissores da emissora, uma solução que aproveitou uma tecnologia criada por uma política pública”, que estabeleceu parâmetros e distribuiu mais de 5 milhões de equipamentos a famílias de baixa renda.
O executivo da Record encerrou afirmando que tem expectativa de que a TV 3.0 traga novas receitas e “continue a ser relevante” no Brasil.
O SET Sudeste 2026 tem patrocínio Ouro da Alliance, Canon, Dolby, Mediastream, SES, Sony, SpeedCast e YouCast. Patrocinador Prata a SDB Multimídia, e apoio da Teletronix, SM Facilities, NeoID, Showcase e ABLink. E apoio institucional da ABERT, ABRATEL, ASTRAL, Empresa Mineira de Comunicação, Itatiaia, Globo, Record e TV Alterosa.
Por Fernando Moura (reportagem) e Fernanda Vio (Edição)





