SET Sudeste debate inovação e criatividade na produção audiovisual

Painel reúne especialistas para discutir áudio imersivo, qualidade de imagem, inteligência artificial e novos fluxos de trabalho no ecossistema multiplataforma.

O último painel da manhã do Regional, realizado na capital mineira, “Inovação e criatividade na Produção e Pós Produção: O ecossistema audiovisual em rápida transformação”, debateu e explorou inovação e criatividade na produção e pós-produção audiovisual, destacando a evolução do áudio digital, a qualidade da imagem, novos fluxos de trabalho e os impactos no processo criativo.

A coordenação foi de Armando Bastos de Oliveira, gerente de Conteúdo de Vídeo da Itatiaia, e contou com a participação de Daniel Martins, gerente comercial da Dolby Laboratories; Felipe Rodrigues, especialista de pré-vendas da Sony Professional Brasil; Clecio Roberto Vieira da Silva, executivo de Contas de Produtos Profissionais da Canon Brasil; e Gabriel Eskenazi, gerente de Tecnologia do Grupo Globo.

Bastos de Oliveira afirmou, no início, que o debate seria pensado do lado do consumidor, “já que eu sou jornalista”, e destacou que a concorrência já não é o único desafio, pois a radiodifusão concorre pela atenção. Em seguida, passou a palavra a Daniel Martins, gerente comercial da Dolby Laboratories, que apresentou um vídeo para demonstrar como a Dolby Atmos “muda o storytelling” e a forma de produzir conteúdos audiovisuais.

Por sua vez, Rodrigues abordou inovação e criatividade na Produção e Pós-Produção, em um ecossistema audiovisual em rápida transformação, com “captação, produção, distribuição”, e explicou como a Sony atua na cadeia do fluxo criativo, com “um hardware mais preparado para demandas futuras, para futuras atualizações de software com novas funções que incluem inteligência artificial, por exemplo”, afirmando que “o ecossistema é sempre versátil”, com integrações e sistemas de IA na nuvem que auxiliam na produção.

Ele encerrou com a explicação do “Multi Angle Auto Framing”, que utiliza uma combinação de inteligências artificiais, permitindo o uso de autofoco, trabalho em multicâmera e possibilidade de corte automático, “deixando os operadores mais focados na criatividade”.

Pela Canon, Clecio Vieira da Silva afirmou que a empresa atua em diferentes setores do mercado e que, nos últimos anos, aprimorou as câmeras, criando a possibilidade de fusão entre broadcast e cinema. Um exemplo disso foi a “C50 tanto para o mercado broadcast com o de cinema”. Por fim, falou de novas lentes e do multi-camera orchestration, que permite agilizar a produção.

Gabriel Eskenazi, da Globo, destacou que a TV mudou e que já não se deve pensar apenas como radiodifusor, mas como produtor multiplataforma. Explicou que o desafio passou a ser o “software based”, em que o custo-benefício é desafiado pelo “risco-benefício”, permitindo a entrada no mundo multiplataforma, que não está apenas na ponta, na distribuição, mas em toda a cadeia. “A ferramenta de distribuição passa a ser apenas uma parte”. Bastos de Oliveira concordou e afirmou que a Itatiaia deixou de ser uma empresa de áudio para se tornar uma empresa multiplataforma de produção de conteúdo.

Em termos de áudio, Martins, da Dolby, afirmou em Belo Horizonte que, para a empresa, “o investimento é um tema importante”, e explicou que “importa como o produto vai ser apresentado”, além de comentar sobre a inserção de HDR nas transmissões. Como exemplo, citou “o carnaval com áudio imersivo”, que permitiu refletir sobre a necessidade de estar em vários espaços, com diferentes suportes e públicos.

Eskenazi afirmou que “para amarrar as pontas e entrar numa nova jornada” é necessário definir os tipos de públicos e, às vezes, as camadas de consumo, permitindo adaptar o investimento e os equipamentos de acordo com cada produção.

Inteligência artificial

Outro tema abordado foi o uso da IA na produção audiovisual. O executivo da Dolby falou sobre como ela é utilizada e se é uma ferramenta “que veio para ajudar e que se mantém a história como o centro”. Para o executivo da Globo, a IA auxilia, mas é necessário ter serenidade e segurança em sua utilização, com aplicações em “processamento de informação” e no aprimoramento da produção de conteúdo.

Para a Sony, “a IA é uma ferramenta de utilização, que auxilia a produção”, por exemplo, na criação de metadados que contribuem para a produção e podem ser úteis em pesquisas futuras, mas “sempre com supervisão humana”. Por fim, Clecio afirmou que, na Canon, a IA está presente na tecnologia do sensor, “introduzindo dados que ajudem a melhorar processos”, e destacou que a empresa prefere utilizar o termo “deep learming“.

O SET Sudeste 2026 tem patrocínio Ouro da Alliance, Canon, Dolby, Mediastream, SES, Sony, SpeedCast e YouCast. Patrocinador Prata a SDB Multimídia, e apoio da Teletronix, SM Facilities, NeoID, Showcase e ABLink. E apoio institucional da ABERT, ABRATEL, ASTRAL, Empresa Mineira de Comunicação, Itatiaia, Globo, Record e TV Alterosa.

Por Fernando Moura (reportagem) e Fernanda Vio (Edição)