SET Norte 2025:”DTV+ é uma jornada para a TV do futuro”
O grande destaque do evento ficou para o keynote de encerramento, comandado por Paulo Henrique Castro, presidente da SET. Em “TV 3.0 – Atualização de Status”, foi apresentada uma visão estratégica e atualizada sobre a tecnologia que definirá o futuro da televisão brasileira.
Paulo Henrique falou do “Futuro da TV” e disse, no keynote “TV 3.0 – Atualização de Status” que ministrou no SET Norte 2025, realizado em Manaus, que as normas ABNT para a TV 3.0 estão disponíveis, já que foram recentemente publicadas no site da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, um passo importante para o desenvolvimento do padrão brasileiro.

Segundo ele, a TV 3.0 chega para integrar modelos, e assim o DTV+ tem “a recepção integrada com transmissão de IP pelo ar e pela internet, com uma convergência completa que não precisa mudar de mundos, com uma experiência transparente para o usuário”. Para isso, ele fez um overview do processo de desenvolvimento do Fórum SBTVD, que começou em 2022 e se estendeu até a assinatura do Decreto de TV 3.0, realizado pelo presidente Lula em agosto de 2025.
Outro dos destaques de PH Castro foi a proeminência da DTV+ nas smart TVs. Ele explicou como se realizou a definição das normas técnicas e afirmou que há “um padrão brasileiro que escolheu várias tecnologias. Nós pegamos o padrão norte-americano e fizemos adaptações”. O presidente da SET comparou o DTV+ com o ATSC 3.0 e mostrou as diferenças tecnológicas, entre elas o áudio, que no padrão brasileiro é MPEG-H, e o vídeo, cujo codec é o H.266.
Segundo ele, o DTV+ “é o sistema mais avançado do mundo. O nosso padrão deve ser robusto”, e com ele, “muda quase tudo”, com “experiência personalizada, social TV incluída, DAI (Dynamic Ad Insertion), acessibilidade, T-Commerce, segmentação geográfica, Direct to Mobile, datacasting, mensuração”.

O palestrante explicou como funciona a inserção dinâmica de publicidade e como usar na transmissão estatísticas, replays, votação e T-Commerce, para que o telespectador possa “ver e usufruir quando ele quer, e não quando o diretor de TV definir”.
Castro explicou ainda os benefícios do áudio imersivo e como o telespectador pode “ter a mesa de mixagem em casa quando estamos vendo um show de música”. Também demonstrou opções de interatividades patrocinadas e de votações patrocinadas, “gerando uma nova maneira de vender espaços publicitários que antes não existiam”.
Em termos de infraestrutura, disse que ela mudou muito, “com uma evolução no modelo de operação, com premissas de elasticidade, escalabilidade, otimização e operação remota, com um core de rede que vai ter duas CDN, uma CDN OTA (ar) e outra CDN OTT (internet)”. Ainda explicou a arquitetura da DTV+ e disse que a “recepção mais robusta da antena MIMO plug-in gera um modelo fluido entre dispositivos e datacasting”. Outro tema será o Broadcast Core Network e como se cria uma orquestração, por exemplo.
Decreto e inovações
Segundo Castro, a possibilidade de ter uma nova faixa para a TV 3.0 é fundamental para o sucesso; por isso, a canalização na faixa de 300 MHz gerou a possibilidade de ter 12 novos canais de radiodifusão. Ainda explicou que a infraestrutura de datacenter para DTV+ vai transformar a forma de trabalho; por isso, afirmou: “precisamos ter um novo perfil de profissional”.
O executivo explicou como têm sido desenvolvidas as estações-piloto em São Paulo e Rio de Janeiro, as primeiras desenvolvidas pela Seja Digital e as do Rio pela Globo, que, a partir de março de 2026, vão se transformar em estações comerciais visando à transmissão da Copa do Mundo 2026 com sinal DTV+.
O presidente da SET falou dos protótipos de receptor utilizados nas demonstrações realizadas no SET EXPO 2025 de recepção de DTV+ dos canais 7 e 8. E antecipou que espera ter nos próximos meses aparelhos mais avançados que permitirão ter uma experiência mais fluída.
Ele fechou o keynote comentando sobre a agenda regulatória e disse que os desafios passam pela maturação da tecnologia e materialização dos casos de uso e pela facilidade de acesso aos sinais de TV aberta; pelo financiamento para viabilizar os investimentos da cadeia de valor; e pela capacitação para a nova tecnologia. “O início da TV 3.0 não é como o início da internet; quando colocamos o poder da televisão junto com as ferramentas da internet integradas à televisão, haverá muitas oportunidades”. Nesse ponto, estamos trabalhando em um projeto que é o “SET Educa, para ajudar e criar cursos e certificações para profissionais de TV. A SET quer contribuir na educação dos profissionais”.
Castro fechou dizendo que a TV 3.0 combina o broadcast e o broadband “criando novos territórios e novos modelos de negócios”, onde “a TV 3.0 é a construção de um novo ecossistema que insere definitivamente a TV aberta na economia digital”, e que “a jornada da DTV+ é uma jornada de transformação da TV aberta para a TV do futuro”.
O SET Norte contou com o patrocínio da Alliance, Canon, Speedcast e Atlantis; apoio da NeoID, Teletronix, Showcase, Broadmedia e Pinnacle; e apoio institucional da Abratel, Abert, Rede Amazônica e TV Encontro das Águas.
Por Fernando Moura e Fernanda Vio