SET Centro-Oeste: Métricas e multiplataforma redefinem a radiodifusão

Executivos debatem métricas no audiovisual e na distribuição multiplataforma e como elas vão redefinir a cadeia de produção audiovisual.

O primeiro painel da tarde do SET Centro-Oeste 2026, realizado nesta quarta-feira, 18 de março, em Brasília, “Panorama Executivo: Atualidades e o Futuro da Radiodifusão”, foi moderado por Pedro Figueiredo, repórter da GloboNews, e contou com a participação de Carlyle Ávila, diretor de Produção e Programação da TV Anhanguera; Roberto Munhoz, diretor de Jornalismo da Record Brasília; e Bráulio Ribeiro, diretor de Engenharia, Tecnologia e Operações da EBC. Eles analisaram tendências e perspectivas estratégicas que moldam a atualidade e o futuro da radiodifusão, com foco em inovação, evolução dos modelos de negócios e oportunidades do setor.

Foto: Abelardo Mendes Jr / SET1

Figueiredo destacou que a proposta do painel era discutir os desafios relacionados ao público e às mudanças na forma como o conteúdo televisivo é consumido, ressaltando a importância de manter a relevância para o espectador. “Quanto mais relevância e alcance temos, mais presentes estamos”, afirmou Munhoz, acrescentando que o IBOPE não mede plenamente relevância e abrangência, já que as redes sociais ficam fora desse escopo. “No conteúdo jornalístico, a regionalização fará que cheguemos a mais público. Nós continuamos na dianteira da produção de conteúdo com um público que estamos começando a conhecer”.

A produção de conteúdo e a segmentação também foram destacadas por Carlyle Ávila, da TV Anhanguera. Segundo ele, “o jovem está muito presente na nossa audiência”, enquanto o público infantil ainda não está representado. Ele explicou que, após a pandemia, a regionalização se intensificou: “nós produzimos de acordo com os desejos do consumidor. Levamos regionalismo que vai para o Estado, mas temos conteúdos regionais que podem ser exibidos a todo o país. Na TV Anhanguera produzimos telefilmes que apenas divulgamos na nossa região. O desafio é como entendemos o nosso público e como o público se enxerga na tela”, em um contexto de consumo “multitela”. O telespectador está em vários devices e, segundo ele, “se eu conheço o público, posso produzir conteúdos ou atraí-lo em diferentes plataformas”.

Ao abordar a TV pública, Bráulio Ribeiro afirmou que “a TV pública tem na faixa infantil a mais importante, porque desapareceu nas TVs privadas. O diferencial para nós é uma estratégia de retenção e formação de audiência. Ela é formação de audiências futuras, em um período de hipersaturação”.

Ribeiro ressaltou ainda que “há que acompanhar as mudanças sem deixar perder a essência”. Para ele, o papel da TV aberta é ser uma plataforma de união e integração coletiva. Também destacou que a tecnologia “tem um papel fundamental”, mas que emissoras e radiodifusores devem se enxergar como produtores de conteúdo, reconhecendo que “o nosso conteúdo continua sendo uma parte muito importante do ecossistema audiovisual brasileiro”.

Munhoz reforçou que as plataformas digitais não seguem as mesmas regras da TV aberta e que “a regulamentação” não favorece a produção de conteúdo. A avaliação foi acompanhada por Ávila, que afirmou que “o ECA Digital é apenas o começo”, indicando um debate que ainda precisa amadurecer. Para ele, “é necessário estar em todos os canais de distribuição, para facilitar a vida do consumidor, com um desafio de negócio que faça que possa monetizar”, e questionou se as emissoras “podem estar nas redes sociais com conteúdos criados por IA”.

TV 3.0 e produção de conteúdo

Munhoz se mostrou otimista em relação à TV 3.0, afirmando que sua chegada “vai melhorar o nosso mercado” e permitirá que pequenos anunciantes tenham acesso à televisão. “Com a TV 3.0, a TV entra definitivamente no jogo digital”, afirmou, classificando o momento como “um renascimento para o setor”.

No contexto da TV pública, Ribeiro afirmou que “é uma guerra necessária”, destacando que não havia alternativa diante das transformações em curso. Segundo ele, o setor precisa se organizar: “nunca tivemos uma aproximação tão grande para uma mudança tão disruptiva”. Ele acrescentou que há consciência, mas também apreensão, especialmente com as mudanças nos departamentos de tecnologia e inovação, cada vez mais ligados à área de TI.

Ávila destacou a necessidade de formação profissional para o novo cenário: “vamos criar novas funções. Se não investirmos em gente e treinamento, talvez não poderemos ganhar”. Ele também enfatizou a importância de aproximar o público das mudanças: “temos de evangelizar o telespectador. Nossa missão é como comunicar, como apresentar ao telespectador a novidade”.

O SET Centro-Oeste teve patrocinio Ouro de: Alliance, Canon, CIS Group, MediaPortal, MediaStream, SES, SimbaCDN, Sony e SpeedCast. Patrocínio prata de SDVMultimidia e BlackMagic, Broadmedia e Pinnacle Group; e apoio da ABERT, LineUp, Teletronik, Showcase e Ablink. Ainda com apoio institucional da Abratel, Astral, Globo, Record, TV Bandeirantes e SBT

Por Fernando Moura (Reportagem) e Fernanda Vio (Edição)