SET Centro-Oeste: infraestrutura e futuro da entrega de conteúdo na TV 3.0

Palestrantes discutem como infraestrutura, IP, cloud e inteligência artificial impulsionam a convergência tecnológica e abrem caminho para novos modelos de produção e distribuição na TV 3.0.

O penúltimo painel do SET Centro-Oeste, realizado em Brasília nesta quarta-feira, 18 de março, teve como objetivo debater a “Convergência Tecnológica e Dinâmicas do Mercado Audiovisual: A TV 3.0 e o panorama da infraestrutura, workflow de produção e o futuro da entrega do conteúdo”.

 Foto: Abelardo Mendes Jr / SET

O painel apresentou uma visão estratégica sobre a convergência tecnológica, analisando soluções para a TV 3.0 e como o setor poderá se beneficiar dessa infraestrutura, do fluxo de produção a novos modelos de distribuição de conteúdo. Participaram Carlos Alkimim, diretor Comercial e de Novos Negócios da Simba Content/Simba CDN; Felipe Mostaro, gerente de Arquitetura e Soluções da Mediastream; Luiz Cláudio Costa, arquiteto de Soluções LatAm da Ross Video; com moderação de Tomaso D’Angelo Wantuil Papi, gerente de Engenharia e Tecnologia da Record Brasília.

Na abertura, Papi destacou que a TV 3.0 deve ser pensada de forma multiplataforma, considerando como as emissoras irão desenvolver conteúdo e novos modelos de distribuição a partir de uma infraestrutura que ainda será implementada para sustentar o novo padrão.

Nesse contexto, Luiz Cláudio Costa abordou o conceito de hiperconvergência, ressaltando a necessidade de investimentos faseados e bem geridos. Segundo ele, a hiperconvergência envolve levar os devices e equipamentos das emissoras para uma plataforma integrada, capaz de maximizar o throughput e permitir “ter entradas e saídas físicas”, além de transporte IP e display port que auxiliam no fluxo.

Costa explicou que o objetivo é transformar sistemas discretos em workflows virtualizados, que podem evoluir para ambientes SDI e IP com “cabeças de multiviewers e até dois switchers de produção, por exemplo”, destacando a importância de uma transição em fases, que permita avançar de forma estruturada.

 

Felipe Mostaro destacou que a TV 3.0 “ainda precisa desenvolver internamente aplicações, e assim integrar soluções”, detalhando como essas aplicações poderão chegar ao telespectador. Ele explicou o papel do gerenciamento de conteúdo e aplicações, permitindo “ter assets de vídeo e áudio, controle de catálogo ou gestão de layout de plataformas”.

O executivo também apresentou o MoAI, uma solução integradora baseada em inteligência artificial, na qual “conectamos as inteligências artificiais que existem no mercado com mais de 30 soluções integradas que permitem, por exemplo, a orquestração de diferentes IAs, gerando metadados, além de automação de workflows de conteúdo e criação de prompts personalizados”. Por fim, mencionou soluções de FAST Channel, que “permitem gestão de EPC, distribuição de OTT ou broadcast híbrido”.

Encerrando o painel, Carlos Alkimim apresentou a atuação da Simba Content — formada por Record, SBT e RedeTV — no mercado audiovisual brasileiro. Ele demonstrou o projeto desenvolvido com a Broadpeak, o SimbaCDN, que oferece “alto desempenho, baixo buffering com segurança reforçada, com modelos de pagamento ajustados a cada cliente” e que, na TV 3.0, “pretende integrar adtechs com ads personalizados”.

Segundo ele, a solução propõe um workflow de entrega que integra SSAI e ad servers dentro do core da rede. “A CDN seria a antena do futuro das três emissoras”, afirmou, acrescentando que a infraestrutura atual permite “uma CDN idealizada para trafegar três canais live, com condições de suportar qualquer conteúdo”. Alkimin destacou ainda que a rede se tornou robusta, permitindo oferecer uma CDN nacional para broadcasters, como opção para a etapa final da entrega de conteúdo na TV 3.0.

Perto do final, Papi compartilhou sua visão sobre a TV 3.0 como uma estratégia 360: “será um organismo vivo com uma visão multiplataforma”, ressaltando a necessidade de pensar o setor como um ecossistema baseado em novos recursos. Nesse contexto, Alkimim reforçou que a CDN terá papel central, permitindo avançar de forma gradual na distribuição de conteúdo. Costa fechou que “há que navegar o mar e com o tempo aprender a ver quais são as melhores opções”.

O SET Centro-Oeste tem patrocinio Ouro de: Alliance, Canon, CIS Group, MediaPortal, MediaStream, SES, SIMBACDN, Sony e SpeedCast. Patrocínio prata de SDVMultimidia e BlackMagic, Broadmedia e Pinnacle Group; e apoio da ABERT, LineUp, Teletronik, Showcase e Ablink. Ainda com apoio institucional da Abratel, Astral, Globo, Record, TV Bandeirantes e SBT.

 

Por Fernando Moura (Reportagem) e Fernanda Vio (Edição)