SET Centro-Oeste: Indústria audiovisual busca eficiência e inovação em novo cenário de consumo

O painel reuniu especialistas para discutir como agilidade, excelência técnica e inovação estão redefinindo a produção audiovisual em um cenário de múltiplas plataformas e transformação digital.

O último painel da manhã do SET Centro-Oeste 2026, que se realiza em Brasília, “Produção Audiovisual em Transformação: Agilidade, Excelência Técnica e Criatividade”, discutiu os caminhos da produção audiovisual no contexto contemporâneo, destacando modelos de entrega ágeis, a busca contínua pela excelência técnica e padrões de qualidade com otimização de recursos.

 Foto: Abelardo Mendes Jr / SET

Participaram Fabio Tsuzuki, CEO da Media Portal; Felipe Rodrigues, especialista de pré-vendas da Sony Professional Brasil; Felipe Andrade, VP de Vendas da CIS Group; e Clécio Roberto Vieira da Silva, executivo de Contas de Produtos Profissionais da Canon Brasil. A moderação foi de Hegly Lemos, coordenadora de Plataforma da Globo.

Hegly iniciou o painel destacando o momento de transformação do setor: “a indústria passa por transformações no ecossistema, passando por toda a experiência de consumo, até dos parceiros comerciais. A produção deve se alinhar às necessidades do espectador”, e, por isso, precisa ser ágil, sob risco de se tornar obsoleta. Segundo ela, também é essencial manter a excelência técnica e a criatividade, “o que nos diferencia e traz novidades e características próprias”.

Clécio Vieira da Silva apresentou novidades da Canon, com destaque para soluções voltadas aos processos criativos, “com produtos que beneficiem o usuário nas diferentes categorias de produção”. Ele mencionou a EOS C50 e as câmeras PTZ, como a CR-N400, que contam com recursos de IA para auto-foco, auto-tracking e auto-framing. Também destacou o lançamento de uma lente 8K com 100 graus de abertura, que “muda a forma de captação”.

Pela Sony, Felipe Rodrigues destacou a atuação da empresa em praticamente toda a cadeia de produção, “com equipamentos e soluções que vão da captação com uma nova linha de sensores com um maior range dinâmico, que permite trazer, além de qualidade, um auxílio na criatividade, dando mais opções em fluxos de HDR, por exemplo, e como a Inteligência Artificial está sendo utilizada nestes produtos”.

Ele ressaltou a “interconectividade entre os produtos”, com fluxos IP diversos, “mantendo a unidade com um mix”, que inclui também SDI. Rodrigues destacou ainda fluxos distribuídos por SRT e switchers em nuvem, integrados a soluções de outros fabricantes.

Fechando a cadeia, abordou os decoders de TV 3.0 e como “a empresa, incluindo media gateway, conseguimos fazer broadcaster controller dos processos”. Também apresentou o case da produção do Carnaval em 5G, com sete câmeras no Sambódromo do Rio de Janeiro, utilizando encoder e decoder da empresa, “com 2 frames e a latência da rede em uma rede de 5G privada”. Segundo ele, o modelo está validado e pode ser expandido para outras produções, como esportes, “que reduz mobilidade, custos e pessoal”.

Sobre o futuro, afirmou que a empresa trabalha na simplificação das operações, integrando câmeras com IA que possam se comunicar entre si para auxiliar a produção, além de recursos de tracking.

Representando a CIS Group, Felipe Andrade afirmou que vivemos uma “nova realidade da mídia”, em que a TV deixou de ser um device e passou a ser um hub de conteúdo, com emissoras atuando como polos de desenvolvimento tecnológico, “estando em quase todas as plataformas simultaneamente”.

Nesse cenário, destacou “a necessidade de mudar processos, fazendo mais com o mesmo, sendo mais rápido e estando em todas as plataformas”. Segundo ele, a tecnologia pode responder a esse desafio “automatizando processos”.

Como exemplo, apresentou o Cuez Automator, uma solução de software que conecta diversos dispositivos, “com a ideia de ter um script pré-montado, que permite controlar a pauta da matéria e assim disparar todos os devices, criando uma rotina de produção que pode ser escalada ao aumentar as produções”.

De acordo com Andrade, a automação permite reduzir equipes e otimizar operações. Ele citou a CazéTV como usuária da solução, possibilitando, por exemplo, reduzir o número de profissionais e o uso de VMix em transmissões ao vivo. “CazéTV é um usuário da solução que permite que ganhe agilidade”.

Encerrando o painel, Fábio Tsuzuki, da MediaPortal, abordou as mudanças no ecossistema audiovisual e o conceito de centralização e gestão, “tendo previsibilidade”, pois “sem a gestão temos o caos, e nosso trabalho é organizar o caos”.

Ele destacou a evolução da empresa, que nasceu focada em arquivamento e hoje vê a reutilização de conteúdo como tendência forte, integrando acervo e produção, algo “relevante para a TV brasileira”. Citou como exemplo o trabalho realizado com a TV Cultura na recuperação de acervos em fita. “Trabalhamos com um sonho que permita acesso a todos ao patrimônio cultural”.

Tsuzuki também ressaltou o impacto da Inteligência Artificial: “é disruptivo, porque se conseguem resultados que antes levavam meses ou anos. Estamos acelerando os processos, estamos tendo 50 anos em um”.

Em relação ao acervo, afirmou que a evolução tecnológica mudou processos: “desde que passamos das fitas LTOs, mudamos comportamentos. A tecnologia tem de ser um facilitador”.

Complementando, Andrade destacou que “há que usar a tecnologia a nosso favor, que reduza custos, que possa se pagar. Precisamos usar a tecnologia em termos de negócios e não apenas na qualidade”. Rodrigues acrescentou que a pandemia acelerou transformações: “houve como receber, por exemplo, imagens diferentes. Permitiu fazer mais com menos, uma transformação que ainda está acontecendo”.

O SET Centro-Oeste tem patrocinio Ouro de: Alliance, Canon, CIS Group, MediaPortal, MediaStream, SES, SIMBACDN, Sony e SpeedCast. Patrocínio prata de SDVMultimidia e BlackMagic, Broadmedia e Pinnacle Group; e apoio da ABERT, LineUp, Teletronik, Showcase e Ablink. Ainda com apoio institucional da Abratel, Astral, Globo, Record, TV Bandeirantes e SBT

Por Fernando Moura (Reportagem) e Fernanda Vio (Edição)