SET Centro-Oeste fecha com keynote sobre DTV+
“DTV+ Audiência e Estratégias de Negócios” foi o tema da palestra final que lançou um olhar para o futuro da TV no país e como o ecossistema de radiodifusão iráà procura de experiências personalizadas.
O keynote que fechou o SET Centro-Oeste avançou para o futuro da TV 3.0 e foi ministrado por Ana Eliza Faria e Silva, Gerente Sênior do Regulatório de Tecnologia da Globo, que abordou como o DTV+ irá transformar o ecossistema da radiodifusão ao combinar inovação tecnológica, conectividade com visão estratégica e modelos de negócios.
Ana Eliza propôs uma reflexão sobre como gerar valor a partir de experiências personalizadas, novas fontes de receita e abordagens de negócios focadas no comportamento e engajamento da audiência conectada.
Ela começou falando de um processo e evolução que inclui métricas, engajamentos, personalização e como “trazer para dentro da experiência de TV todos os atributos do digital”. Ana Eliza disse que a TV ocupa papel central na vida dos brasileiros e que a recepção do sinal aberto está presente na maioria das residências, e trouxe uma pesquisa recente da Globo que mostra que a TV está em 94% dos lares, o que deixa de ser o 100% de antes, e que “91% possui acesso à internet em casa, e 61% possui TV conectada à internet”. O que demonstra “que existe um ecossistema que permite chegar aos brasileiros, e comentou que “á assustador” que apenas 69% das residências possuem antena.
Segundo ela, há uma oportunidade para a DTV+ com recepção integrada, “trazendo o atributo para dentro do consumo de TV aberta”, com a chegada de um padrão novo do qual o Fórum SBTVD foi responsável técnico. Ana Eliza explicou que já existe a marca e o guia de usabilidade que “leva de forma clara a ferramenta de usabilidade necessária para que se faça essa transição no controle remoto, levando o espectador para um ambiente totalmente transformado. Agora temos uma nova experiência de navegação, construindo uma nova base em aplicativo, uma nova base de assistir TV”.
A executiva da Globo e coordenadora do GT de 5G/6G da SET disse que, com o padrão completo proposto, hoje se trabalha para explicar ao mercado as diferenças entre DTV+ e ATSC 3.0, e o que é o Brasil (DTV+) e o que é dos Estados Unidos (ATSC 3.0). Assim, explicou que “o sistema brasileiro é mais eficiente do ponto de vista de consumo de espectro e de energia, com a capacidade de transmitir com multipolarização”. No caso do áudio, no Brasil temos o MPEG-H e o vídeo por OTA é VVC (H.266), o que implica que se passa do vídeo em H.264 de hoje ao H.266 do DTV+. Assim, comparou todas as tecnologias e explicou as diferencias e porque o DTV+ é um padrão superior ao ATSC 3.0.
Falando de “casos de uso”, falou da inserção dinâmica de comercial (DAI) e disse que se trabalha numa plataforma experimental da Globo, e deu exemplode futebol com a possibilidade de ter estatísticas, replay, votação e T-commerce. Por outro lado, mostrou um exemplo de áudio imersivo com MPEG-H, e a utilização do áudio como objeto, permitindo escolher a mixagem de áudio e permitindo que o espectador escolha opções. Ainda, demonstrou o que seriam as interatividades patrocinadas, e falou de um teste no BBB2025 no qual se fazia uma votação e se vendia um produto com a possibilidade de “aliar a marca com o posicionamento e alinhamento de compra e conversão”.
Ainda houve exemplos de hiperlocalização na programação com “informação e prestação de serviços que estáà disposição na TV para a área de cobertura onde está o espectador”. Assim, “desenvolvemos tecnologia e estamos trabalhando em conjunto para gerar experiências”. Ana Eliza disse que espera que no SET EXPO 2025, que se realiza de 18 a 21 de agosto, algumas destas experiências comecem a materializar-se e possam ser demonstradas.
Por outro lado, ela destacou a evolução do modelo de operação e disse que agora precisamos pensar em elasticidade dos recursos, escalabilidade para novos serviços, otimização de usos dos recursos, viabilização da operação remota pelas afiliadas e um modelo de contratação sob demanda. E avançou para uma arquitetura que inclui o gerenciamento da experiência onde haverá serviços digitais e retroalimentação de dados com feedback das experiências em tempo real que permitem medir o uso e o percurso do usuário na TV.
E afirmou que a chave está no orquestrador que está acima desse “core” que olha a infraestrutura, olha os dados.“Ele é um grande observador monitorando e controlando a rede, e realizando a transmissão”, e explicou que o slide que “estou mostrando não existe, é a apenas uma visão conceitual”.
Ana Eliza finalizou falando que, em agosto no SET EXPO, “vamos ter um grande marco de materialização”, mas sabemos “que a usabilidade e facilidade de acesso aos sinais de TV aberta é chave”, e “temos ainda um longo caminho de transformação”. E confessou estar ansiosa para que no SET EXPO os visitantes vejam nascer dois canais emitindo, que são “as estações experimentais de São Paulo”.
O SET Centro-Oeste teve patrocínio de Ouro da Alliance, Canon, CIS Group, Mediastream, LineUp, SES, Sony, Speedcast e Youcast, e o apoio de NeoID, SM Facilities, Showcase, Teletronix, Pinnacle/Blackmagic Desing. Ainda, o apoio institucional da Abert, Abratel, Astral, Globo, Record e SBT.
Por Fernando Moura e Tito Liberato