SET Centro-Oeste avalia o futuro do mercado audiovisual
A primeira palestra da tarde do SET Centro-Oeste, que se realiza em Brasília, se debruçou sobre transformação tecnológica, as novas dinâmicas de mercado, sustentabilidade, inovação em formatos e as possibilidades que moldarão o futuro da indústria.
A segunda parte do SET Centro-Oeste que se realiza nesta quinta-feira (26/6) em Brasília começou com o painel “Panorama Executivo: Atualidade e o Futuro do Mercado Audiovisual em Debate”, no qual oslíderes do setor se reuniram para discutir direções emergentes e visões estratégicas sobre os próximos passos da radiodifusão.
Moderado pelo repórter da GloboNews, Pedro Figueiredo, o que deu um viés jornalístico interessante ao painel, e a participação de Alfonso Aurin, Superintendente de Tecnologia e Serviços do SBT, Luís Duarte, Diretor de Tecnologia, TV Anhanguera; Antonio B. Alves, Dir. Negócios RMC (Afiliada Globo MS& MT) e Presidente MIDIACOM/MS; Roberto Munhoz, Diretor de Jornalismo da Record Brasília, o painel executivo vislumbrou diferentes olhares sobre o futuro da TV com a chegada da DTV+.
Luis Duarte disse no inicio do painel que a inteligência artificial está ganhando espaço na emissora, e, nesse aspecto, ele disse “que é uma ferramenta que deve ser bem avaliada para assim trazer benefícios e com ela ganhar produtividade”, e por ,outro lado, disse que ela faz parte do novo ecossistema, “com muitos novos concorrentes”.
Antonio B. Alves disse que o “painel é desafiador”, e disse que a equipe dele usa na rua com os anunciantes. Ele comentou que 80% das pessoas confiam nas emissoras, e só 20% confiam só nas redes, mas “essa abordagem é complicada porque está chegando a TV 3.0”. Alves disse que a IA está “pulsando na veia e há clientes que podem produzir comerciais com menos recursos”. Ele acrescentou aindaque “ir para a TV 3.0 e o rádio híbrido é sobrevivência”.
O Diretor de Jornalismo da Record Brasília, Roberto Munhoz, afirmou que é necessário mudar. “Hoje somos produtores de conteúdo, já não produzimos apenas jornalismo. Nós estamos olhando para as plataformas como uma extensão para a entrega de conteúdo”, mas temos de “entender a TV como uma produtora de conteúdo, e quando falamos sob esse ponto de vista olhamos as plataformas como mais um tentáculo de conteúdo”, com caminhos separados porque nas plataformas as pessoas “comentam” e na televisão “confiam”.
Falando de TV, Alfonso Aurin disse que o SBT é “TV aberta e, nessa jornada longa para a TV 3.0, para estar em 50% dos domicílios, vamos demorar de 7 a 10 anos, já que o argumento de 4K e áudio imersivo não serão o atrativo central. Para nós, é necessário preservar o DNA da televisão, preservar o delay e com isso mantermos a nossa característica com grandes espetáculos, jornalismo, esporte”, e disse que “há que ter cuidado com a interatividade, porque em determinados momentos a TV aberta é o cinema, e nesse sentido temos de agir com cautela”. Porém, disse, “hoje é primordial continuarmos a sermos grandes produtores de conteúdos de forma multiplataforma. Temos de estar no mobile, no tablet, na tela grande”. E referiu que “a disputa com o streaming existe”.
Aurin disse que a TV 3.0, olhando para fora, é para “não fazer o que os Estados Unidos fizeram, que é um fracasso porque tem 15 milhões de receptores em 200 milhões de residências”. Para ele, o Brasil tem de melhorar o processo, e olhando o que esta acontecendo nos Estados Unidos, “não tenho dúvida que no Brasil a regionalização com mídia dirigida vai ser um sucesso”.
Sobre outro tema a respeito da TV 3.0, Alves disse que temos de olhar para o futuro entendendo em como realizar publicidade. “Por isso, para fazer publicidade precisamos converter personas. Na TV 3.0 vamos ter a segmentação em escala, em um ambiente seguro com métricas, o que me outorga a confiança do espectador trazida pela TV”.
O Diretor de Tecnologia da TV Anhangueracomentou que na nova TV 3.0 “há que se ter em conta como vai reagir o hábito do espectador”, por isso, desde a sua ótica, “o espectador vai ter de se habituar a uma nova forma de receber o conteúdo”. E disse que “haverá de saber como impactar positivamente o espectador no momento certo. Há que conquistar esse novo hábito na casa do espectador, trabalhando perspicazmente na TV”.
O executivo da Record disse que “a TV 3.0 vai conseguir dar preço à interatividade” e chegou a dizer que “talvez seja o ponto de convergência entre as redações de televisão e as plataformas”. No fim do painel, Aurin afirmou que “vamos passar um momento difícil que será o simulcast com TV 3.0 e TV 2.5 no ar. Para isso, precisamos manter o DNA” e “nos preparar para a grande transição”.
O SET Centro-Oeste tem patrocínio de Ouro da Alliance, Canon, CIS Group, Mediastream, LineUp, SES, Sony, Speedcast e Youcast, e o apoio de NeoID, SM Facilities, Showcase, Teletronix, Pinnacle/Blackmagic Desing. Ainda, o apoio institucional da Abert, Abratel, Astral, Globo, Record e SBT.
Por Fernando Moura e Tito Liberato





