SET Centro-Oeste: Debate distribuição por satélite em tempo de transmídia

O segundo painel do SET Centro-Oeste, realizado na capital federal, analisou o estado da arte da distribuição satelital de TV digital e as novas oportunidades para a TV 3.0.

O debate mostrou como a conectividade satelital se consolida como eixo estratégico para ampliar a eficiência na distribuição de conteúdos, assegurar a estabilidade da radiodifusão e abrir novas frentes de inovação e negócios no setor. A mediação foi de Luciano de Melo Silva, gerente de Engenharia e Operações da TV Band Brasília e Rádio BandNews FM. Participaram Fabio Alencar, VP de Vendas Regional Latam da SES, e Eduardo Padilha, gerente de Vendas da Speedcast.

Foto: Abelardo Mendes Jr / SET

Na abertura, Melo Silva destacou a importância do encontro: o Regional “contribui para a disseminação de conhecimento”. Fabio Alencar iniciou sua apresentação abordando a nova fase da empresa após a aquisição da Intelsat, que transformou a SES em uma companhia com rede GEO global e “alcance em todo o planeta”, integrada à frota MEO. Na América Latina, segundo ele, a operação conta com 37 satélites e plataformas utilizadas por operadoras como a Sky e outros players da região.

O executivo destacou a aposta da SES no DVB-NIP: “Tenho satélite com função de entregar conteúdo onde a infraestrutura terrestre não chega”. Segundo ele, a tecnologia insere o satélite no universo IP, sendo “uma plataforma que permite a integração com plataformas OTT, tendo o satélite como um serviço integrado”.

“Enxergamos o DVB-NIP como uma experiência satelital similar à terrestre, uma plataforma que permite a distribuição de PayTV e FTV com inserção de propaganda e análise de audiência. Nesse sentido, receber o vídeo pelo satélite permite que o usuário tenha uma experiência mais próxima de lugares onde a internet tem pouca qualidade”.

 

Alencar citou o caso do México com a Dish, destacando que a solução opera com arquitetura híbrida baseada em publicidade, transportando conteúdo linear e sob demanda em plataformas de Pay TV, OVP e FTV. Segundo ele, a expectativa de lançamento, inicialmente prevista antes da Copa do Mundo, foi ajustada para o terceiro trimestre deste ano.

Eduardo Padilha apresentou, em Brasília, os resultados dos testes do canal 8 em São Paulo: “os testes foram bons, estamos recebendo SLTP via internet pública e LAN-to-LAN, agora estamos trabalhando para subir no satélite”. Ele acrescentou que “acredita no compartilhamento do core em uma nuvem pública”.

Padilha também demonstrou um receptor de TV 3.0, “um dos primeiros que chega ao mercado, com um demodulador da Sony que já está funcionando e recebendo o sinal de TV 3.0”.

Outro destaque foi a banda Ku. Segundo ele, “o sucesso da banda Ku se dá por uma aposta da indústria”, que resultou em mais de 17,5 milhões de receptores instalados, com cerca de 2,5 milhões ativos na região Centro-Oeste. A expectativa é que, até o final de 2026, “tenhamos mais de 20 milhões de receptores no país (…) em menos de quatro anos”.

Ele finalizou abordando o laboratório de testes do core de TV 3.0, voltado ao compartilhamento de infraestrutura para viabilizar investimentos pelos radiodifusores e “desenvolver novos modelos de negócios e viabilizar a TV 3.0 na TVRO”, e destacou ainda que a TV 3.0 pode ser distribuída via satélite “com a mesma camada de transporte do sinal terrestre”, utilizando um route server responsável por formatar pacotes DASH, gerar alertas, criar ESG e gerenciar a sinalização DTV+.

No debate final e abertura de perguntas ficou claro que “o valor do receptor” é importante para o desenvolvimento da TV 3.0, já que o telespectador tem ter acesso ao aparelho para poder usufruir dos benefícios da nova televisão. Nesse caso, Alencar disse que se o novo padrão não for bem-sucedido no formato tradicional, não terá sucesso no satélite. “Acreditamos no sucesso da TV 3.0 terrestre para depois seguir com a nossa proposta”.

O SET Centro-Oeste tem patrocinio Ouro de: Alliance, Canon, CIS Group, MediaPortal, MediaStream, SES, SimbaCDN, Sony e SpeedCast. Patrocínio prata de SDVMultimidia e BlackMagic, Broadmedia e Pinnacle Group; e apoio da ABERT, LineUp, Teletronik, Showcase e Ablink. Ainda com apoio institucional da Abratel, Astral, Globo, Record, TV Bandeirantes e SBT

 

Por Fernando Moura (Reportagem) e Fernanda Vio (Edição)