Projeto transforma TV Boxes ilegais em minicomputadores para educação e inclusão digital

Iniciativa do Itaipu Parquetec reaproveita equipamentos apreendidos pela Receita Federal, reduz lixo eletrônico e abre novas possibilidades de uso social e acadêmico.

O Itaipu Parquetec, em parceria com a Itaipu Binacional, a Receita Federal do Brasil e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), concluiu o projeto de Ressignificação de Aparelhos TV Box. A iniciativa teve como meta reaproveitar equipamentos apreendidos, responsáveis por pirataria de conteúdos audiovisuais e risco à cibersegurança, para transformá-los em minicomputadores destinados a aplicações educacionais, comunitárias e de Internet das Coisas (IoT).

Equipamento reaproveitado pela Itaipu Parquetec reaproveita/ Foto: Divulgação

De acordo com a Receita Federal, cerca de 4.781 aparelhos de TV Box são destruídos por mês apenas nas unidades do Paraná e de Santa Catarina. Com os estudos do projeto, aproximadamente 30% desse volume mostrou-se reaproveitável, reduzindo impactos ambientais e oferecendo alternativas de uso social.

Dois modelos funcionais foram desenvolvidos: o Mini-PC Educacional e o Mini-PC IoT. Houve também testes com Cluster Linux, conjunto de computadores que atuam de forma integrada como uma única unidade. O trabalho resultou ainda em nove sistemas operacionais customizados, manuais de uso, relatórios técnicos e artigos científicos.

“Mais do que avanços tecnológicos, o projeto trouxe um legado social. Quatro bolsistas da Unioeste participaram ativamente do processo, ganhando experiência prática. Oficinas e minicursos foram realizados em ambiente acadêmico, promovendo inclusão digital e disseminação de conhecimento”, afirmam os responsáveis do projeto em comunicado.

Iggor Gomes Rocha, diretor administrativo da Itaipu Binacional, reforça e afirma que “o projeto nos permitiu compreender as possibilidades e os desafios do reaproveitamento tecnológico. Mostramos que, mesmo com limitações, é possível transformar um problema em oportunidade de aprendizado e impacto social”.

Viabilidade econômica

Itaipu Parquetec reaproveita equipamentos apreendidos pela Receita Federal/ Foto: Divulgação

Além da prova de conceito técnica, a equipe também avaliou a viabilidade econômico-financeira em três cenários. Na educação, os mini-PCs poderiam melhorar o desempenho escolar e, a longo prazo, ampliar a renda média dos alunos que ingressam no ensino superior. Já a oferta de cursos de ressignificação mostrou-se financeiramente viável em cenários realistas de demanda, com potencial de formação técnica e difusão de conhecimento.

No caso dos Mini-PCs para IoT, o desempenho foi comparável ao de dispositivos como o Raspberry Pi, embora ainda haja desafios relacionados à confiabilidade e ao suporte.

No cenário educacional, em particular, o estudo estimou que a ressignificação poderia atender até 29 escolas e cerca de 550 estudantes em um único ano. O impacto seria direto na inclusão digital e no acesso ao ensino superior, reforçando o potencial da iniciativa como instrumento de transformação social e educacional.

Segundo Irineu Colombo, diretor superintendente do Itaipu Parquetec, embora experimental, o projeto marca um avanço importante para a região e para o país. “Ele evidencia que o reaproveitamento tecnológico pode contribuir não apenas para a sustentabilidade ambiental, mas também para a formação acadêmica e comunitária”, concluiu.