Pós-NAB Show 2025 e o broadcast 360°
“Negócios e Tecnologias para a Nova Era da DTV+” foi tema do último painel com o conceito de broadcast 360.
Este painel analisou, sob uma ótica estratégica e tecnológica, o cenário brasileiro, com foco em DTV+, modelos de infraestrutura compartilhada, e as perspectivas para a implementação da TV 3.0. Assim, especialistas e líderes da indústria debateram como essas inovações estão moldando os caminhos da eficiência técnica e da interoperabilidade entre plataformas, apontando os desafios e oportunidades.
O painel foi moderado por Paulo Henrique Castro, Presidente da SET, e contou com a participação de Alberto Santana, Territory Sales Manager da CIS Group, Rubens Vituli, Diretor Comercial da divisão de Media da SES no Brasil, e Amaury Pereira da Silva Filho, Diretor Comercial da EiTV.
Castro disse que participou da posse do novo ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, e comentou que “a TV 3.0 está na pauta”, e que o ministro se comprometeu em continuar com o processo, e antecipou que o Decreto será assinado em breve.
Silva Filho foi o primeiro a falar e analisou os destaques da TV 3.0 no NAB Show 2025, e mencionou quatro que marcaram a edição desse ano: a “IA cada vez mais presente, deixando de ser somente moda com muitas aplicações práticas como produto”. Segundo, os modelos de monetização passando agora a falar em modelos “mais sofisticados, mais fora da caixa”. Terceiro, o streaming esportivo que está impulsionando a inovação com desafios de baixa latência. Estratégias de engajamento. E, finalmente, o engajamento em tempo real de audiências.
Ele disse que a TV 3.0 traz eficiência com uma convergência efetiva de TV e Internet, com a personalização “que vai mudar de forma disruptiva como consumimos TV”. E os novos formatos de conteúdo abrindo oportunidades para a criação de conteúdo inovador e interativo, mudando a forma como os broadcasters produzem e distribuem conteúdo”.
Amaury disse ainda que surgem novas possibilidades para criar a “novas receitas” e o serviço de acesso “que ajudem os usuários em momentos de crise”. Assim, disse que na jornada “cheia de desafios, a EiTV já tem produtos de prateleira nos novos modelos de negócio, como uma Lab Station que levamos a Las Vegas, com a qual conseguimos testar aplicações e comandos da TV 3.0, e um analisador de ATSC 3.0 que poderá ser adaptado quando tenhamos a norma da DTV+”. Assim, concluiu que os desafios são muitos, mas os principais passam pela “escolha de bons parceiros que possam inovar, oferecer adaptação aos novos modelos de negócios e a capacitação de pessoal”.
Alberto Santana da CIS Group falou de “Negócios e tecnologias para a nova era de DTV+”, e demonstrou a tecnologia de EMS (Experience Management System) da Doors, que surgiu em 2020 para atender o aumento de demanda de streaming durante a pandemia com recursos de interatividade com o usuário. Ele disse que estamos na era da curadoria de dados e que hoje é necessário criar, controlar e distribuir conteúdo “entregando a maior experiência possível para o usuário”. Ele destacou o aumento dos direitos de transmissão como desafio, além de aumento de custos de produção, a fragmentação das plataformas e a crescente demanda do usuário.
Santana disse que a solução da Doors pode ajudar na redução de custos por concentrar diversas funcionalidades, enquanto soluções tradicionais dependem de diversos fabricantes para isso, e que sendo uma plataforma “no-label e no-code que não exige conhecimento de programação avançada, trabalha na base de composição de objetos gráficos o que resolve problemas críticos da indústria de mídia, além de entregar uma personalização da experiência, com uma abordagem diferente e flexível, sem modelos personalizados”, que trabalha com aplicativos de renderização que rodam nativamente nos dispositivos permitindo controle único e escalabilidade”. Ainda complementou que a solução oferece recursos únicos no mercado proporcionando ao usuário o sincronismo entre devices, estendendo a experiência de controle, interatividade e publicidade da TV para o celular ou tablet.
- Amaury Pereira da Silva Filho, Diretor Comercial da EiTV/Foto: Fernando Moura
- de Alberto Santana, Territory Sales Manager da CIS Group/ Foto: Fernando Moura
- Rubens Vituli, Diretor Comercial da divisão de Media da SES / Foto: Fernando Moura
Santana finalizou falando que isso garante maior agilidade, redução de custos, maior controle, liberdade de monetização e experiências únicas ao usuário. Ele demonstrou alguns exemplos de monetização, interatividade e personalização por parte do usuário, além de contar que no NAB Show a empresa participou de um desafio em parceria com a produtora europeia Freemantle de construir uma plataforma de streaming com monetização, interatividade e personalização do lado do usuário em 96 horas, e que foi cumprido com sucesso. “Desenvolvemos em tempo real um EMS”, com alta capacidade de personalização da experiência que “é sincronizada em vários dispositivos”, gerando retenção do usuário na plataforma, sem direcionar ele para outros serviços, mantendo-o dentro da sua experiência trazendo engajamento e convertendo em monetização, como por exemplo, uma venda direta ou uma “venda por intenção ou interesse de compra, onde o usuário interage com a TV e manifesta o interesse futuro de compra, gerando uma informação que vai chegar até ele posteriormente para realizar a compra em um momento mais apropriado”.
O Diretor Comercial da divisão de Media da SES no Brasil, Rubens Vituli, disse que a empresa “trabalha no ecossistema de conteúdo desde a agregação do conteúdo até entregar na casa do usuário final”. Ele disse que a DTV+ “vai funcionar no satélite, seja para distribuição ou contribuição, assim as afiliadas poderão receber e entregar as suas antenas”.

PH Castro, presidente da SET no Pós-NAB Show 2025 / Foto: Fernando Moura
Segundo Vituli, o futuro passa por plataformas híbridas, e deu o exemplo da CNN Brasil, e falou da combinação de vantagens do broadcasting satelital tradicional com entrega em IP. Assim, “conseguimos encapsular e usar o streaming”. Ele falou, ainda, do DVBNIP, um padrão de vídeo para convergência de conteúdo entregue em OP via satélite e sistemas integrados com OTT, saindo como padrão de vídeo e, quando chega ao usuário, se transforma em multicast chegando a todos os devices do usuário. Permitindo que os provedores de conteúdo combinem as redes de broadcast com os serviços OTT viabilizados por satélite”. Finalmente, ele apresentou como caso de sucesso, o caso da Mileto Brasil, antiga OiTV, que está fazendo no Brasil a distribuição e integração “dos sinais de DTH com o DTV+”.
No final, Castro perguntou sobre os tipos de serviços que podem ser oferecidos ao clientes no início do processo de transformação para a DTV+, e ficou claro que todos têm soluções diferentes para os diferentes estágios da transição, e que “o processo de mudança é inevitável”, com um trabalho grande de “curadoria de dados”.
O Pós-NAB Show 2025 teve como patrocinadores Ouro a CIS Group/BeTV, EiTV e SES. Patrocínio Prata da AWS, Broadpeak, Eutelsat Group, Reuters e Youcast. Patrocínio Bronze da SNews, Ideal Antenas, Mediastream, Showcase, Mirakulo, 2Live e Enensys. E contou com o apoio da MGE Broadcast.
Por Fernando Moura, em São Paulo


