Pós-NAB Show 2025 analisa inovações e direções para o futuro do audiovisual

A SET realizou com sala cheia o encontro Pós-NAB Show 2025. Onde debateu e analisou juntos dos diretores de tecnologia de algumas das principais emissoras brasileiras e importantes players de mercado os highlights da última NAB.

A SET realizou nesta quarta-feira (07/05) o Pós-NAB Show 2025 no Restaurante Le Sampah no Distrito Anhembi. O evento teve painéis e debates sobre os principais novidades da maior feira de mídia e entretenimento o mundo com as palavras dos executivos e estiveram em Las Vegas de 5 a 9 de abril passado. Os temas de destaque são a TV 3.0; o futuro do audiovisual e a monetização e conteúdos.

A abertura do Pós-NAB 2025 foi realizada por Luana Bravo, direto geral da SET, que enfatizou a importância da delegação brasileira na ultima NAB que voltou  a ser a segunda internacional marcando um novo ciclo no broadcast do país. Luana disse que “este evento marca uma nova atividade da SET com um evento que trás novidades e inovações do maior evento de tecnologia do mundo.”

A seguir, Carlos Octavio de Alexandre Queiroz, Vice Presidente da SET disse que a NAB foi um marco com a apresentação da DTV+ e o roadshow com “um impacto muito positivo não só para a comunidade brasileira, mas também do mundo, sobre como eles olham para Brasil”. Ele ainda destacou o SET:30 com mais de 300 participantes o que mostra a força da televisão brasileira

Inovações e Direções para o Futuro do Audiovisual

O primeiro painel do encontro, “Panorama Pós-NAB 2025: Inovações e Direções para o Futuro do Audiovisual”, reuniu especialistas e executivos do setor para discutir as principais tendências identificadas na NAB Show 2025. A proposta era analisar como essas inovações impactam as estratégias comerciais e operacionais das empresas, e refletir sobre os caminhos para adaptação, investimento e competitividade no ecossistema audiovisual em constante evolução.

O painel foi hibrido, com o moderador Roberto Dias Lima Franco, Conselheiro da SET, e Rodrigo Martinez, Vice Presidente da Rede CNT, participando desde Brasília, e começou com Franco fazendo um balanço da tomada de posse do novo Ministro das Comunicações, e como seguirá a TV 3.0. Participaram presencialmente Carlos Octavio de Alexandre Queiroz, Vice-Presidente da SET, Alfonso Aurin, Superintendente de Tecnologia e Serviços do SBT, Thiago Perrella, Diretor de Engenharia e Tecnologia da Rádio Televisão Bandeirantes, e José Marcelo Amaral, Diretor de Engenharia e Operações – RecordTV.

Aurin disse que o NAB Show teve um diferencial, que foi a DTV+, e para nós, que estávamos preocupados, “o DTV+ foi mais do que o ATSC 3.0, e serviu para analisar os erros e como aplicamos na nossa realidade”.

José Marcelo disse que Madeleine Noland se mostrou, em reunião privada, um pouco pessimista, e que comentou que eles esperam o sucesso do DTV+ no Brasil. Ainda, referiu o desgaste do Datacasting, algo que até o ano passado já não era tão forte. No NAB Show, fomos buscar soluções de IA e “fiquei muito impressionando com soluções que podem mudar os processos de produção de conteúdo”

Perella disse que o DTV+ foi o ponto principal, e viu que o desafio é grande. “O impacto da cloudificação e fluxos de programação mostram que nossos desafios são grandes, ao olhar a quantidade de fornecedores que é necessária ter para fechar o fluxo”. Queiroz disse que “a gente já apreendeu. Hoje nos Estados Unidos eles conseguem fazer muito pouco com o ATSC 3.0”. A visão dele é “que o datacasting já mudou de foco e agora “podemos pensar em uma ideia de Datacasting diferentes, com oportunidades, mas que o core está na produção de conteúdo com melhores oportunidades de negócios mais robustas”.

Diretamente de Brasília, Martinez disse que o datacasting nos Estados Unidos está andando, mas “temos de observar com bastante cuidado porque temos de começar por algum lado, o que não sabemos é onde vai parar, com a Sinclair fazendo algumas coisas”.

Mudança de perfil

José Marcelo trouxe à mesa a mudança de perfil de público no evento, “avançando para content creator”,e mais da metade dos visitantes como “primeira visita ao NAB Show”, mostrando um novo perfil de trabalho e de pessoas que chegam a Las Vegas. Nesse ponto, Queiroz disse que ainda influiu a situação política dos Estados Unidos, e as tarifas e restrições de ingresso ao país

Franco avançou para o setor de esportes e o 5G com mobile, como marcas grandes de perfil e de demanda de produtos e desenvolvimentos.

Perella disse que “estamos em um momento no qual os dados são muito importantes”, e “temos que pensar em desafios de transmissão intenso”. Pensamos que o MIMO pode ser importante, mas “devemos chegar e chegar bem, por isso, precisamos sair fazendo com uma emissora que 65% é ao vivo, por isso, temos de estar todo o tempo pensando em não errar”. E refletiu que não podemos mudar rápido, “para mim, foi criar um conceito com pé no chão com uma capacidade de investimento enorme, mas temos de ter pé no chão”. Outro tema colocado pelo executivo da Record  foi “usar os ganhos da IA ou nuvem e que possam ser feitos”. Na DTV+, “temos nossa pretensão que o lineal seja 4K, mas precisamos comprar transmissores, estamos pensando em usar a TV 3.0 no satélite”

Amaral disse que as empresas de cloud preveem “monetização mensal, e nós, nas emissoras, pensamos em processos lentos. Pensamos em um processo híbrido, com um país muito grande, onde possamos ter soluções que sejam viáveis”. E disseque ficou impactado com como usar ferramentas de “IA para fazer contextualização de conteúdos para criação de publicidade contextual”, o que foi reforçado por Queiroz, que disse que  “é bom pensar em como usar os metadados a favor para construir conteúdos publicitários relevantes”.

Foto: Fernando Moura

Target específicos

Aurin disse que temos de pensar em pilares obrigatórios, com “o Youtube como grande concorrente com quase 30%, por isso temos de produzir com qualidade, mas com custo adequado para baixar custos, por isso, alguns players ficaram foram do escopo pelo valor. Segundo, armazenar ,e que ele fique pronto para ser monetizado” como, por exemplo, “requentando canais FAST com conteúdos de arquivo”. E finalizou com a ideia de as produções serem “multiplataformas, com distribuição como elemento fundamental”. Assim, o executivo disse que “está pensando em como ter um modelo que permita monetizar o streaming”, sendo “multiplaformas, chegando ao mobile”.

A isso, Queiroz disse que “o DTV+ é uma oportunidade para isso”, com equilíbrio entre broadcast e broadband, e que “o consumidor mudou o hábito”, e isso “faz a mudança mandatária”. Por isso, “seja pela comodidade ou benefícios, precisamos acompanhar. Éramos vistos como a  boca do funil. Precisamos ter formatos no médio e no fim do funil”.

Perella disse que “voltou a TPline”, com capacidade grande de alocação, “com drive de conectividade e assim forçar fluxo de conteúdo” com “LTOA10, que, apesar de compacta, está evoluindo”.

Martinez disse que procurou no NAB Show soluções para “explosões da CDN com mais gente assistindo. Ele se perguntou como fazer para transformar-se em uma empresa de tecnologia, e assim, ter leitura de analytics, o que nós permitiria fazer contas e estar na frente dos problemas. Talvez tenhamos de pensar no futuro em uma empresa de tecnologia”.

Amaral disse que a Record avançou, e que a empresa vai investir na publicidade direcional, “se fizermos com sucesso, se soubermos como direcionar, como segmentar, podemos ter uma oportunidade de negócio”, e fazer no mobile o que não conseguimos fazer no one-seg, “desvinculando os momentos”.

Streamings

Perella falou que a TV 3.0 pode “aumentar a chegada, mas temos que distribuir em diferentes caixas”, porque precisamos “pensar em que TV é venda, TV é consumo”, mas como temos canais de interação, temos meios digitais, “precisamos fazer consumir televisão de uma forma fácil, fazer direito, simples”.

Amaral falou que as prioridades que se definam por investimento são a capacidade do parceiro inovar, as soluções precisam ser viáveis para pode embarcar, flexibilidade e reputação, e responsabilidade, “que nos ajudem a decidir sobre os investimentos, sobretudo em tempos de transformação profunda”.

Foto: Fernando Moura

Desafios

Aurin disse que “é parte da expertise de colocara TV 3.0 no ar, com desafios enormes de células, de frequências. O maior desafio é a questão de espectro, porque nosso sistema nasce mais robusto que o ATSC, temos um problema de espectro como eles”.

Martinez disse que as vendas serão um desafio, “precisamos entender as vendas, precisamos estar em todas as plataformas, e vamos ter uma disrupção do nosso comercial”, “achar várias formas de monetização e colocar isso dentro dos nossos custos, compilando tudo isso, para ter uma empresa rentável”, porque “estamos entrando na Era da Internet, e temos de pensar diferente”.

Queiroz fechou dizendo que “diferentemente do movimento norte-americano, estamos criando um ambiente dedicado no receptor para TV aberta o que dará a proeminência necessária para seguir adiante”, e falou da IA Gen que “traz imensas oportunidades, mas avança com problemas com uma concorrência de fragmentação maior criada pelos pequenos, que produzem com baixo custo”. Perrella reforçou a preocupação “com os direitos de autor”, e disse que “a rádio está criando muitos conteúdos com IA, mas terá de haver muito cuidado e atenção”, e fechou dizendo que “a TV terá de ter parcerias no futuro, nas quais o conteúdo funcione com parcerias que permitam ter fluxos de canais em multiplataforma”.

O Pós-NAB Show 2025 teve como patrocinadores Ouro a CIS Group/BeTV, EiTV e SES. Patrocínio Prata da AWS, Broadpeak, Eutelsat Group, Reuters e Youcast. Patrocínio Bronze da SNews, Ideal Antenas, Mediastream, Showcase, Mirakulo, 2Live e Enensys. E contou com o apoio da MGE Broadcast.

Por Fernando Moura, em São Paulo