Pós IBC analisa convergências tecnológicas na TV 3.0

Soluções inovadoras no ecossistema digital debatidas em São Paulo marcam o futuro da televisão brasileira e refletem as tendências apresentadas em Amsterdã.

O segundo painel do Pós IBC 2025 — encontro em que os principais executivos da indústria analisaram e debateram os destaques do último IBC, realizado em setembro na capital dos Países Baixos — apresentou as inovações e direções para o futuro do audiovisual. Intitulado “Nova Era da TV 3.0: Convergência de Tecnologias, Estratégias Comerciais e Inovação no Ecossistema Conectado”, o debate reuniu Daniel Martins, Gerente Comercial da Dolby Laboratories, e Gustavo Dutra, Líder de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios para a vertical de Media, Entertainment, Games & Sports na AWS, sob a mediação de Carolina Duca, Diretora de Infraestrutura e Telecom da Globo.

Durante o painel, os executivos destacaram o papel das novas tecnologias na experiência do usuário e o avanço das soluções em nuvem e conectividade. Daniel Martins ressaltou a importância de oferecer conteúdos personalizados: “Conteúdo local, mesmo que fosse global com sabor local”, explicou, ao abordar a entrega de experiências que conectam o público, seja em transmissões de Fórmula 1, Copa do Mundo ou novelas, “não importa onde chega”. Ele destacou que “nós vamos desde o cinema até a experiência do usuário, onde quer que ela seja, e trabalhamos desde a idealização do conteúdo até que ele chegue ao consumidor final”.

Martins defendeu que “precisamos manter a experiência do usuário, por isso que a pessoa consome o nosso conteúdo. O ad insertion é inserido dentro do conteúdo”. Citando casos práticos, ele mostrou aplicações das tecnologias Dolby em transmissões com ATSC, Dolby Vision e Dolby Atmos — como nos Jogos Olímpicos — e explicou que “como vou entregar em 4K com HDR”, utilizando ferramentas que garantem uma qualidade superior ao espectador.

Segundo ele, a infraestrutura combina soluções em cloud e on-premise para eventos produzidos em HDR com Dolby Atmos ou Dolby Vision, o que permite um upgrade para HDR10 e proporciona uma experiência aprimorada. Martins acrescentou que a empresa busca parceiros na América Latina para ampliar a presença regional: “No IBC explicamos como usamos a IA para melhorar a experiência”, afirmou. “Usamos ferramentas para o artista” e “fazemos para que isso chegue melhor ao usuário no pós-encoder”, reforçando que, “como são as propostas em facilidade de inteligência de usuário”. Ele apresentou ainda o Dolby Atmos FlexConnect, “com uma gama de tecnologia de IA que melhoram e facilitam a experiência do usuário”, já implementado pela TCL, “que disponibiliza no Brasil”.

Gustavo Dutra, da AWS, reforçou a importância das parcerias e da adaptação dos players ao novo ambiente tecnológico. “Na TV 3.0, porque no SET EXPO 2025 mostramos onde vai ser usado, o que vai ser centralizado, o que vai ser distribuído”, explicou. “Foi um trabalho forte, onde colocamos algumas das opções de arquitetura funcionando. No estande da AWS não tínhamos RF, mas o que mostramos no IBC é como o player pode montar a sua infraestrutura com caixas, sejam na nuvem ou on-premise.”

Durante a conversa, o representante da Dolby acrescentou que “em quase todas as soluções é possível incluir Dolby”. Martins citou também ganhos de eficiência nos processos: “O deployed é mais rápido. Por exemplo, no maior operador de cabo da Argentina implantamos o Dolby em duas semanas — um processo que antes levava pelo menos dois meses.”

Em relação às TVs, ele comentou que “falamos que a norma de formatos HDR” e que “estamos começando a escolher”. Segundo o executivo, “das grandes operações da Netflix, por exemplo, todas as brasileiras são feitas em Dolby HDR”. Para isso, a empresa montou um sistema de capacitação e introdução que “fez com que isso fosse possível”. Martins anunciou ainda uma novidade: “Se alguém for associado da SET e quiser fazer conteúdos em HDR, vamos abrir aos membros da SET para que possam experimentar e trabalhar conteúdos em HDR”.

Encerrando o painel, Carolina Duca destacou que “hoje as emissoras têm uma visão mais clara e estrutural do que queremos fazer com a TV 3.0, onde a DTV+ avança a cada dia”. Já Dutra concluiu reforçando o papel da SET e o avanço dos padrões digitais: “A SET entendeu que a TV é digital” e, segundo ele, a empresa “usa o DTV+ como referência, um padrão que criamos e que, com certeza, será referência para os Estados Unidos”.

Por Fernando Moura, em São Paulo