Pós IBC 2025 discute inovação, autenticidade e avanços da IA no audiovisual

No painel “Insights e perspectivas do IBC sobre inovação, estratégias e futuros caminhos para o mercado audiovisual”, especialistas destacaram a importância da inteligência artificial, da autenticidade de conteúdo e das experiências imersivas como eixos centrais da transformação tecnológica da indústria.

A SET realizou nesta segunda-feira, 13 de outubro, em um restaurante da capital paulista, o Pós IBC 2025, encontro onde os principais executivos da indústria analisaram e debateram os destaques do último IBC e as inovações e direções para o futuro do audiovisual. O primeiro painel foi moderado por Carlos Octavio de Alexandre Queiroz, Vice-Presidente da SET, e contou com a participação de José Marcelo Amaral, Diretor de Engenharia e Operações da RecordTV; Patrícia Rego, Diretora de Afiliadas da Globo; Fernando Ferreira, CEO da 3F Consultoria e Comunicações; e Rodrigo Martinez, Vice-Presidente da Rede CNT.

Logo na abertura, Carlos Octavio ressaltou que “o IBC é um dos eventos mais importantes da indústria de vídeo” e lembrou que “os mais de 41 mil visitantes debateram os impactos da tecnologia nos modelos de negócio e monetização”. Segundo ele, “essa discussão é essencial porque o mercado está mudando a uma velocidade sem precedentes”.

Amaral destacou que “a Sony lançou, pela primeira vez, uma câmera (PXW-Z300), que tem um manifesto de autenticidade da captação e corte”. Ele comentou que o equipamento, com tecnologia C2PA embarcada, “é um passo importante, porque a autenticidade é um problema real hoje. A câmera garante a integridade da imagem desde a origem”.

Ele também observou que, “pela primeira vez, vimos automação com inteligência artificial para corte de câmera, algo que pode transformar produções menores e transmissões de streaming”. Segundo Amaral, “para quem está nessa área, é um investimento que faz diferença, porque reduz custos e aumenta a agilidade”.

Ainda sobre inovação, Amaral contou que “um fornecedor lançou uma plataforma que permite interagir com acervos e notícias por linguagem natural”. Ele explicou que “o jornalista pode conversar com a base de dados, acessar o que precisa e produzir conteúdo 360º, não só para a TV, mas também para outras plataformas”.

Outro ponto que chamou sua atenção foi “a evolução das soluções para reduzir a latência do streaming em relação aos canais abertos”. Ele reforçou que “as empresas estão muito envolvidas nisso e já há soluções que entregam baixa e até ultra baixa latência, entre dois e cinco segundos, dependendo do usuário”.

Ao comentar o estande da AWS, Amaral disse que “o desafio é chamar a atenção do usuário, incentivar as pessoas a consumir”. Para ele, “a evolução em termos de experiência mudou muito e é impressionante ver o quanto as plataformas conseguem entregar hoje ao público final”. Carlos Octavio concordou, observando que “isso tem a ver diretamente com o engajamento do público e com a forma como ele interage com o conteúdo”.

Patrícia Rego destacou o avanço da inteligência artificial no jornalismo e mencionou que “tudo que não é estratégico, aquilo que pode ser feito por IA, eles terceirizam”. Segundo ela, “o IBC mostrou como é possível usar IA para treinar modelos e pesquisar acervos de forma inteligente, além de adequar a linguagem de cada conteúdo”. E ressaltou ainda que “a IA está sendo incorporada em todas as etapas da produção, da apuração à edição, e o ritmo de amadurecimento é acelerado”.

Rodrigo Martinez, por sua vez, chamou atenção para “a integração da IA com o estúdio virtual”. Ele afirmou que “é possível baixar custos e operar em espaços muito reduzidos, inclusive em transmissões ao vivo”.

Durante o debate, Carlos Octavio questionou “como a IA ganhou tanta importância e relevância nos investimentos”, e os participantes concordaram que o cenário é de consolidação tecnológica.

Rego reforçou que “tudo o que é automatizável vai progredir muito nos próximos dois ou três anos”. Amaral complementou mencionando o avanço do SGAI (Server-Guided Ad Insertion) e explicou que “essa tecnologia permite inserir publicidade de forma contextual, sem quebrar a experiência do vídeo”. Ele destacou que “o segredo é fazer o stitching na tela sem perder a percepção do conteúdo principal, porque se a audiência se distrai, ela muda de canal”. Para ele, “a questão agora é monetizar sem comprometer a experiência”.

Carlos Octavio acrescentou que a “publicidade contextual já existe há algum tempo, mas normalmente você processa esse conteúdo antes para extrair o contexto e inserir a publicidade”. Segundo ele, “o que está se tornando uma realidade é poder fazer isso quase em tempo real: o conteúdo é exibido e a extração do contexto acontece simultaneamente, permitindo a exibição da publicidade”.

Ele destacou ainda que “o enriquecimento de metadados também é um tema antigo, mas os produtos estão evoluindo rapidamente”. Para o executivo, “isso vai ser certamente o nosso futuro: quem tiver dados no conteúdo vai se diferenciar”. Ele avaliou que “existem soluções avançadas que nos dão esperança de monetizar conteúdos que estavam parados no acervo”.

Ao comparar o cenário atual com o de anos anteriores, Carlos Octavio afirmou que “no IBC passado e na NAB do ano passado, a IA ainda era mais hype do que realidade”. Agora, disse ele, “vemos no chão da feira várias empresas com soluções reais — especialmente na área de metadados — mostrando que estamos saindo do hype para o início de uma nova realidade”.

Fernando Ferreira apresentou slides interessantes sobre o estudo da Devoncroft apresentado no “Devoncroft Executive Summit“, onde “a IA está se tornando uma realidade”, tanto que o estudo mostrou isso claramente: “a IA e DAI estão no topo da lista das prioridades tecnológicas”, completou. Ele mencionou que “a própria Paramount e a CBS já buscam eficiência técnica usando IA, e até grupos como BBC e Canal 4 da França se uniram para desenvolver aplicações de IA voltadas ao engajamento”. Segundo ele, a IA está pronta para tornar a produção mais simples e barata, além de reinventar os processos de criação de conteúdo.

Carlos Octavio encerrou destacando que “a nova realidade da IA está nos agentes inteligentes, o que Patrícia havia comentado no jornalismo e Amaral na automação”. Ele citou uma frase apresentada no painel: “isso só vai gerar ganho para quem utiliza a tecnologia, e não apenas para as companhias que a desenvolvem”. E concluiu: “os grandes vencedores serão aqueles que aplicarem a IA de forma prática e estratégica”.

Por Fernando Moura, em São Paulo