Pacientes cegos voltam a ler com implante ocular conectado a óculos inteligentes

Estudo mostra que 80% dos participantes com perda severa de visão voltaram a enxergar melhor, conseguindo até resolver palavras cruzadas e ler livros novamente.

Matéria publicada pela TheVerge afirma que vários pacientes com perda de visão causada por degeneração macular relacionada à idade (DMRI) — uma forma progressiva de cegueira — recuperaram parte da visão central graças a um implante ocular conectado a um par de óculos inteligentes. O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine, e mostra que os pacientes conseguiram enxergar o suficiente para ler livros comuns e preencher palavras cruzadas.

Foto: Reprodução/Science Corporation

Os participantes do estudo tinham 60 anos ou mais, com diagnóstico de DMRI nos dois olhos e acuidade visual de 1,2 logMAR ou pior no olho estudado — o que representa uma perda visual profunda. A DMRI é irreversível porque as células da retina central morrem ao longo do tempo, comprometendo a visão. Para tentar restaurar parte dessa capacidade, os pesquisadores implantaram cirurgicamente um minúsculo dispositivo de 2 por 2 milímetros, composto por micropainéis fotovoltaicos.

Esses pacientes usaram óculos inteligentes equipados com câmeras, que transmitem imagens ampliadas do ambiente para o implante, usando luz infravermelha próxima. O implante, por sua vez, envia pulsos elétricos ao nervo óptico, simulando o que as células da retina fariam naturalmente.

O estudo começou com 38 pacientes que receberam o implante; 32 permaneceram na pesquisa por um ano. Ao final desse período, 26 deles apresentaram melhora significativa na visão — uma taxa de sucesso de 80%. Ainda que a visão restaurada seja borrada e em preto e branco, especialistas que não participaram do estudo classificaram o avanço como “impressionante”, segundo o The New York Times.

A tecnologia foi desenvolvida pela Science Corporation, empresa de interface cérebro-computador fundada por Max Hodak, que também foi cofundador da Neuralink, de Elon Musk, em 2016. A companhia adquiriu a tecnologia do implante da Pixium Vision, empresa francesa de dispositivos médicos, em 2024, após esta ficar sem recursos financeiros depois de uma década de pesquisas.

O caso é semelhante ao da Second Sight Medical, outra desenvolvedora de próteses visuais, cujo projeto foi resgatado por uma startup de tecnologia médica, permitindo que os ensaios clínicos continuassem. Se quer ler a matéria completa, clique aqui.