NHK desenvolve o primeiro OLED azul do mundo capaz de emitir luz e gerar energia

Tecnologia inédita pode permitir telas que funcionam mesmo sem eletricidade, abrindo caminho para dispositivos autossuficientes em situações de emergência.

Pesquisadores dos Laboratórios de Pesquisa em Ciência e Tecnologia da NHK STRL, em parceria com o professor Hirohiko Fukagawa, da Universidade de Chiba, e o professor Takuji Hatakeyama, da Universidade de Kyoto, anunciaram o desenvolvimento do primeiro display OLED do mundo capaz de emitir luz azul e, ao mesmo tempo, gerar energia elétrica. O estudo foi publicado em 20 de janeiro de 2026 na prestigiada revista científica Nature Communications.

Aparência da emissão de luz do dispositivo desenvolvido (área emissora: 3 mm quadrados) / Imagem: NHK STRL

Tradicionalmente, a emissão de luz (converter eletricidade em luz) e a geração de energia solar (converter luz em eletricidade) são processos opostos, o que torna extremamente difícil reuni-los em um único dispositivo. A equipe, porém, conseguiu criar um elemento de display que alterna entre emitir luz e gerar energia, alcançando níveis líderes mundiais tanto de eficiência luminosa quanto de eficiência de geração elétrica — um avanço tecnológico considerado histórico.

A conquista foi possível graças ao uso de materiais MR-TADF, que combinam alta eficiência na emissão de luz com forte capacidade de absorção luminosa para gerar eletricidade, além de um controle extremamente preciso da energia dentro do dispositivo. Para aplicações em telas, os pesquisadores conseguiram emissões nas cores vermelho, verde e azul, sendo que o azul representa um feito inédito mundial para um dispositivo de dupla função, permitindo uma gama de cores muito mais ampla.

A sigla MR-TADF significa Multiple-Resonance-Type Thermally Activated Delayed Fluorescence (Fluorescência Retardada Ativada Termicamente por Ressonância Múltipla). Esses materiais possuem uma estrutura na qual átomos como boro (B) e nitrogênio (N) são organizados de forma alternada em posições bem definidas, proporcionando alta eficiência luminosa e excelente pureza de cor. Eles já são utilizados comercialmente em OLEDs de última geração, e sua adoção como uma das camadas ativas centrais foi fundamental para esse avanço.

Imagem: NHK STRL

O projeto foi liderado pela equipe do STRL, que também desenvolve telas deformáveis, capazes de mudar de forma graças a circuitos flexíveis e LEDs montados sobre substratos de borracha. Representando o grupo, o pesquisador da NHK, Taku Oono, explicou a motivação por trás da inovação: “Durante o Grande Terremoto do Leste do Japão, muitas pessoas se refugiaram em locais como os telhados de escolas. Com o tempo, perderam acesso a informações vitais porque não havia eletricidade. Embora a NHK estivesse transmitindo atualizações importantes, justamente quem mais precisava não conseguia recebê-las. No futuro, esperamos aplicar essa tecnologia em dispositivos como telas móveis, para que mesmo em lugares sem energia elétrica todos possam acessar as informações de que precisam”.

Agora, os pesquisadores trabalham para aumentar ainda mais a eficiência e a durabilidade tanto da emissão de luz quanto da geração de energia. Esses avanços devem abrir caminho para aplicações práticas, como telas de baixo consumo energético. No futuro, um display capaz de gerar sua própria eletricidade poderia reutilizar a energia produzida pela própria tela, permitindo a reprodução de vídeos e informações mesmo sem fonte externa de energia, algo especialmente valioso em situações de desastre e emergência.

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Por Fernando Moura