ISE 2026: Broadcast AV virou prioridade global

No segundo dia do ISE 2026 que se realiza no Fira Barcelona Gran Via, Barcelona, Espanha Jonathan Lyth da Grass Valley disse à reportagem que o Broadcast AV virou prioridade global. Por outro lado, destaque para o controle de vídeo com interface humana da Riedel e a exposição de Gaudi com paineis LED.

No ISE 2026, Jonathan Lyth, diretor de Enterprise Media da Grass Valley, sintetizou em poucas frases a mudança estrutural que vem redesenhando o mercado: a convergência entre o mundo broadcast tradicional e os ambientes corporativos e governamentais que, hoje, exigem a mesma qualidade e consistência de produção. 

Na segunda participação no ISE, disse o executivo, é uma confirmação de uma “que já vínhamos percebendo há muito tempo”. Segundo ele, a Grass Valley não foi pega de surpresa pela aproximação entre Pro‑AV e broadcast. “Temos clientes conosco há 25, 30 anos, trabalhando em mercados não tradicionais. Mas há cerca de dois anos, quando viemos ao ISE pela primeira vez como expositores, a mudança ficou clara: o interesse por ferramentas diferentes, e a exigência de que o vídeo produzido por verticais como governo ou corporativo tivesse padrão de broadcast, cresceram muito.” Lyth explica que a Grass Valley hoje atua em doze verticais fora do broadcast tradicional e que, em todas elas, a pressão aumentou: “A expectativa de qualidade subiu. As pessoas estão mais divididas, com mais plataformas e formatos, e as equipes precisam produzir mais sem necessariamente ter mais profissionais”.

Diante desse cenário, o foco da empresa se tornou fornecer ferramentas que realmente aliviam a carga operacional. “Queríamos usar a experiência que já tínhamos nesses mercados para apresentar soluções que empoderassem as equipes. Há muito mais pressão para produzir mais conteúdo sem aumentar a equipe, então os produtos que desenvolvemos nos últimos cinco ou seis anos, especialmente os de software, se encaixam muito bem nas necessidades de comunicação corporativa e nos times de produção de governo”.

Jonathan Lyth da Grass Valley no ISE 2026

Essa convergência, explica Lyth, é também uma oportunidade real de crescimento. “Ainda é um mercado em expansão para nós”. Consultado pela reportagem sobre a ausência de nomes de produtos consolidados no estande, ele esclareceu que se trata de uma decisão estratégica. “Por exemplo, Edius está aqui. O que mudamos é a forma de nos comunicarmos. Em feiras de broadcast, temos muito mais reconhecimento de marca, e é fácil promover diretamente os produtos mais conhecidos”, motivo pelo qual, explica, “preferimos falar de funções, não de marcas: produção com um único operador, switching ao vivo, gestão de conteúdo… Queremos entender onde estão as dores e, a partir disso, montar os pacotes com os nomes dos produtos”.

Ao destacar os workflows  demonstrados no evento, Lyth falou do “workflow all‑in‑one”, pensado para entrar no ar “em minutos”. “É liderado pelo nosso Event Producer, que lançamos no ISE passado. Ele é baseado em software, parte das 300 aplicações da plataforma AMP, e evoluiu muito nos últimos doze meses a partir de feedback direto de usuários.” O diferencial, segundo ele, é permitir que operações pequenas e médias — frequentemente com apenas um ou dois operadores — tenham acesso a ferramentas de produção completas. Mas a maior vantagem, diz Lyth, é a escalabilidade: “Conseguimos entregar produções pequenas e médias com o Event Producer, mas na mesma plataforma, com o mesmo login e a mesma experiência, podemos escalar para eventos maiores usando o Maverick”. O fluxo se estende à gestão de conteúdo, incluindo o editor EDIUS totalmente integrado ao AMP via FrameLite. “O workflow é ponta a ponta, desde a captação até a entrega nas redes sociais. Não é preciso ter cinco pilhas de tecnologia diferentes nem cinco treinamentos diferentes para produzir tudo.”

Para Lyth, o ISE 2026 é também um canal de expansão global. “É uma ótima oportunidade para encontrar novos parceiros e clientes. Queremos levar essa energia para a NAB e para a Infocom durante o verão.” Ele destaca que regiões como o sul da Ásia devem ganhar relevância, especialmente pelo crescimento dos eSports. 

Quanto ao papel do ISE no mercado internacional, a visão é clara: “É um show mundial. Nos últimos anos, ficou muito maior. Com a ampliação do foco para broadcast e TV, vemos muito mais presença internacional. Acho que vai se tornar um evento central, não apenas europeu”.

LED alem do plano

A Lang apresenta o “Excepcional”: Aurae a influência de Gaudí, uma exposção que apresenta o novo produto MiniLED-in-Package da Lang, com pixel pitch de 1,56 mm e brilho de 1.000 nits, a instalação combina gabinetes planos, curvos e de canto para formar uma parede de LED com fluxo orgânico. Combinada com conteúdo vibrante, inspirado em mosaicos, cria uma impressão visual animada e convidativa.

Riedel aposta a interface humana

A empresa alemã apresentou no ISE 2026 como é possível realizar controle de vídeo com interface humana (Hi Human Interface), um desenvolvimento que adquiriu recentemente para fortalecer seu portfólio de gerenciamento de fluxos de trabalho de broadcast e produção ao vivo. O sistema de controle hi human interface (frequentemente referido como “hi app” ou plataforma “hi“), é uma camada de controle baseada em navegador e independente de plataforma que permite aos operadores gerenciar uma ampla gama de dispositivos — incluindo roteadores de banda base, multiviewers, mixers de vídeo e áudio e controladores SDN de terceiros — por meio de uma interface intuitiva e personalizável. 

Assim, a plataforma permite a descoberta automática de dispositivos, configuração sem necessidade de configuração e arquitetura distribuída, a “hi” oferece escalabilidade, desde um único laptop até sistemas corporativos ou hospedados na nuvem, já que é   um sistema de automatização com servidor para broadcast com automatização completa de workflow com integrações para áudio, slowmotion, periféricos externos. Os executivos da empresa explicaram à reportagem que o software controla diversos devices sejam da Riedel e dos seus parceiros feram autonomia e rapidez.

 

A Riedel e a “hi” já demonstraram a integração da plataforma trabalhando em conjunto com as infraestruturas de mídia MediorNet e SmartPanels da Riedel para roteamento contínuo, controle de dispositivos e gerenciamento de fluxo de trabalho, como por exemplo na produção remota da WDR para a UEFA Euro 2024. “A “hi“, também, está totalmente integrada ao roteamento de áudio e controle de tally do Riedel StageLink com as soluções de produção de vídeo SimplyLive, com outras integrações em todo o portfólio da Riedel já em desenvolvimento”, explicaram os executivos à reportagem.

Embora o software intuitivo possa ser operado por meio de tela touch – ou Riedel SmartPanels – ele é complementado por uma linha dedicada de controladores de hardware, como os painéis hiPush e o inovador botão giratório com tela sensível ao toque hiDot. Do hiPush18 de 1U com 18 botões LCD de alto contraste ao hiPush54 de 2U e ao compacto hiPush32Desktop alimentado por PoE, esta linha de hardware oferece opções de controle tátil flexíveis.

Por Fernando Lopez Cisneros em Barcelona (Reportagem e fotos) e Fernando Carlos Moura, em São Paulo (Edição).