Interações sem tela e guiadas por IA
No Future Uncovered, a NTT DATA analisou como assistentes inteligentes e dispositivos corporais iniciam uma era de experiências líquidas e totalmente personalizadas.
Durante uma apresentação no Cubo Itaú, a NTT DATA trouxe uma reflexão direta sobre o futuro da interação humano-tecnologia: um futuro sem telas, sem comandos explícitos e cada vez mais mediado pela inteligência artificial. O tema conduziu a 6ª edição do Future Uncovered, conduzida por Evandro Armelin, Head de Digital Technology, e Eli Rodrigues, Diretor de Digital Experience.

Eli Rodrigues, Diretor de Digital Experience e Evandro Armelin, Head de Digital Technology/Foto: Affari Audiovisual
Após décadas definindo a experiência digital, as telas começam a perder protagonismo. A ascensão dos assistentes de IA — mais contextuais, sensoriais e capazes de interpretar intenção — aponta para um novo paradigma de interação, quase imperceptível. “A discussão já não é sobre se isso vai acontecer, e sim quando”, afirmou Eli Rodrigues, e disse que hoje, as interfaces deixam de ser exclusivamente visuais e passam a ser multimodais, combinando texto, voz, visão computacional e leitura de ambiente. Assistentes já reconhecem objetos, captam nuances de fala e ajustam respostas em tempo real, inaugurando um nível inédito de personalização.
Ao mesmo tempo, consumidores substituem buscas tradicionais por perguntas feitas diretamente a modelos generativos como ChatGPT e Gemini. Para as marcas, isso significa repensar sua presença digital além de sites e apps — é preciso garantir relevância em um ecossistema mediado por IA. “As empresas precisam iniciar a transição de SEO para GEO — Generative Engine Optimization”, destacou Rodrigues.
O próximo passo dessa evolução é o surgimento das interfaces líquidas: ambientes que se moldam às necessidades do usuário no momento em que ele se manifesta. Uma jornada de compra pode começar e terminar em uma única conversa, sem etapas fixas ou navegação linear. É o fluxo que acompanha o usuário — e não o contrário.
Mais adiante, as interfaces podem desaparecer por completo. A comunicação máquina a máquina (M2M) tende a se tornar padrão. Geladeiras recomprando alimentos, carros negociando manutenção, dispositivos tomando decisões de consumo. Quando o consumidor não está mais no ato da compra, surge um novo desafio estratégico: como influenciar escolhas que humanos não tomam mais?
A evolução dos wearables acelera esse cenário. Óculos inteligentes, fones com assistentes embarcados e sensores biométricos abrem caminho para interações neuroassistidas, nas quais basta pensar — e a ação acontece.
“Estamos entrando em uma era em que a tecnologia não apenas executa. Ela entende contexto, interpreta necessidade e age ao nosso lado. ‘Invisible by design’”, concluiu Evandro Armelin.
Por Fernando Moura com agências