Futuro da TV com foco em TV 3.0 e acessibilidade debatido em São Paulo
O workshop da Showcase reuniu especialistas para discutir tendências como áudio imersivo, legendas automáticas, integração com MAM e estratégias de monetização na era da DTV+.

Marco Melo, CEO da Showcase
A Showcase realizou, na última sexta-feira (25/7), em São Paulo, o workshop “O Futuro da TV”, reunindo profissionais da área de mídia, tecnologia e conteúdo para discutir as inovações que moldarão a próxima geração da televisão brasileira. Marco Melo, CEO da empresa, abriu o evento destacando a importância da troca de ideias e da adaptação às mudanças trazidas pela TV 3.0.
“Vamos explorar as transformações trazidas pela TV 3.0 e o que isso representa para emissoras, anunciantes e o público. Uma tarde de troca de ideias, tendências, dados e estratégias valiosas para quem atua com mídia, conteúdo e tecnologia”, afirmou Melo. Ele também lembrou que no dia 24 de julho a empresa completou 15 anos desde a abertura de seu primeiro escritório em Campinas, e ressaltou o trabalho da Showcase em “melhoramento de áudio imersivo”.
Durante o evento, foram apresentadas soluções voltadas à acessibilidade, com destaque para o uso de close caption avançado e tradução simultânea. Segundo ela, os sistemas da empresa já realizam ENC 81 com indicação sonora, com reconhecimento de quem está falando: “Temos cadastramento, o que faz com que possa reconhecer a pessoa que está falando”, explicou. Ela afirmou ainda que “na TV 3.0 vamos estar bem avançados e automatizados”, explicou Alexia, executiva da empresa.
Ela destacou, ainda, que o sistema não apenas gera legendas em tempo real, como também oferece tradução simultânea com legendas em outros idiomas. “Esta solução foi utilizada no SET:30 na NAB Show e no SET Centro-Oeste com baixo delay e muito funcional”, comentou. Desenvolvido especialmente para eventos ao vivo, o sistema garante acessibilidade em tempo real: “Tudo o que é ao vivo, gerando acessibilidade desses programas em vivo”.
Outro destaque da palestra “inovação em acessibilidade” foi que, a partir do desafio da Omelette, um cliente audiovisual da Showcase, a empresa está desenvolvendo uma plataforma OTT baseada em Showbrowser, que gerencia mídia no MAM, e Showplay, que realiza a exibição, além de fornecer soluções voltadas à entrega em modelos FAST.
A palestra de Tom Jones, revisor técnico da Revista da SET, trouxe uma abordagem mais técnica sobre os caminhos para monitorar e monetizar a audiência na DTV+. Ele ressaltou o uso de constelações em NUC e explicou que, na TV 3.0, será necessário “concentrar-se nos quadrantes”. Jones também destacou a importância da tecnologia de recepção MIMO e disse que o “radiodifusor pode dobrar a capacidade de saída”.

Tom Jones falou das transformações da chegada da TV 3.0
Outro conceito apresentado foi o DataCasting. Segundo Tom, com a nova estrutura de espectro, “vai sobrar espectro para usar o data”. Ele alertou, porém, para os desafios do período de transição: “Como vai caber todo mundo, mesmo em um período de simulcast?”, questionou. E completou: “A solução ainda não está completa. Haverá 11 canais no início, e vamos ter problemas nas grandes cidades”.
O executivo adiantou que estações de demonstração estão sendo montadas: “Uma na Av. Paulista com o canal 7 e outra [local não informado] com o canal 8. No SET EXPO 2025 as estações vão estar funcionando. A feira vai ser uma grande showroom da nova tecnologia”.
O especialista detalhou ainda a estrutura das Light Houses e os processos necessários para recepção dos canais completos de 100 MHz na TV 3.0. Sobre o transporte de conteúdo, explicou: “Acaba o transporte freem, e entra o trabalho com arquivos de manifest (XML) que poderão ser transmitidos por RF. Eles precisam de um protocolo ROUTE”.
Tom também abordou a arquitetura de entrega: “Broadcast as a Service”, explicou, demonstrando como o conteúdo será entregue à rede e destacando as funcionalidades do core da TV 3.0. Por fim, falou sobre novas estratégias de monetização: “As novas formas de monetizar a audiência passam pela capacidade do Hybridcast, que une o IP e o RF, dando capacidade aos anunciantes de entregarem conteúdo muito mais relevante para o público, seja de forma regionalizada (com a regionalização geográfica), seja por perfil logado com a utilização do D.A.I.”.
Por Fernando Moura, em São Paulo