Futurecom 2025: SET reforça protagonismo no debate sobre TV 3.0

Em painel com governo e Anatel, a SET destacou avanços, cronograma e desafios da nova tecnologia, prevista para estrear comercialmente até a Copa do Mundo de 2026.

Após a assinatura do decreto presidencial que regulamenta a TV 3.0 no Brasil, a radiodifusão vive dias de expectativa. Nesta quarta-feira (1/10), a SET participou no Futurecom 2025, na moderação e participação de de um painel que discutiu a TV 3.0 (DTV+), tecnologia que muda a experiência televisiva nacional. O painel “TV 3.0: Inovação e Próximos Passos para o Futuro da TV Aberta”, foi moderado por Paulo Henrique Castro, presidente da SET, e teve como palestrantes a Wilson Wellisch, Secretário da Secretaria de Comunicação Social Eletrônica; a Vinicius Caram, superintendente da Anatel, e a Sergio Eduardo Di Santoro Bruzetti, coordenador do GT de TV 3.0/Fórum SBTVD/RecordTV.

Segundo Wilson Wellisch, da Secretaria de Comunicação Social Eletrônica, a TV 3.0 (DTV+) representa um padrão genuinamente brasileiro, diferente das migrações anteriores. “Diferente até da migração do analógico para digital, onde você tinha uma tecnologia fechada de um determinado país. Agora, não, a gente pode escolher o estado da arte das melhores tecnologias para cada uma das camadas que compõem a TV 3.0 (DTV+)”. Ele ressaltou ainda que o novo padrão “sai do padrão Full HD para padrões de resolução 4K, podendo chegar até 8K”, com suporte a HDR, além de “áudio 3D imersivo”. Wellisch também destacou o aspecto social, lembrando que o sistema trará inclusão digital por meio de “um aplicativo de serviços digitais de governo” como primeira opção no mosaico de canais.

Para Wellisch, a TV 3.0 (DTV+) também simboliza a convergência definitiva entre transmissão e internet: “É o casamento definitivo da TV aberta com a conectividade, somando os mundos do broadcast com o broadband.” Essa integração permitirá novos modelos de negócio. “Quando você tem um grande varejista que está fazendo propaganda no espaço publicitário, vendendo algum produto, na programação será possível colocar pop-ups, que permitem fazer a aquisição daquele equipamento, sem a necessidade de um QR Code.” Ele relembrou ainda que a interatividade voltará com força: “Com o controle da TV, você vai poder escolher o caminho que aquela série ou aquele determinado tipo de programação vai seguir.”

A personalização também será um diferencial. Wellisch explicou que “em determinados bairros eu posso fazer um determinado tipo de publicidade, mais focado para um comércio local, e, em outros locais, fazer uma outra completamente diferente”. O sistema também permitirá enviar alertas de emergência segmentados, como desastres climáticos.

Vinícius Caram, superintendente da Anatel, destacou a simplicidade do uso da nova plataforma. “Apertando o botão com o ícone  DTV+, se abre um mosaico, facilita o acesso aos canais abertos.” Ele reforçou a importância da usabilidade inclusiva: “Eu, por exemplo, tenho dificuldade, imaginem as pessoas que não têm conhecimento em tecnologia para identificar e encontrar os canais. Com a TV 3.0 (DTV+), o mosaico vai apresentar todos canais abertos, canais públicos e comerciais, e também terá um ícone para os serviços do governo.”

Caram também detalhou os desafios técnicos. “Fizemos uma varredura de todos os canais de VHF e UHF, identificamos em mais de 15.414 canais ocupados e 4.296 canais vagos.” Após dois anos de estudos, a solução encontrada foi a destinação da faixa de 300 MHz, que segundo ele, “nos permitiu disponibilizar 12 canais complementares para a DTV+.”

A SET trouxe para o debate os impactos econômicos da nova tecnologia. Sérgio Santoro lembrou que “para cada um real investido em publicidade de forma geral, isso gera R$ 8,54 de PIB” e que “1 real investido em publicidade na TV aberta resulta em 4,70 reais de aumento estimado do PIB.” Ele destacou ainda a relevância da televisão aberta: “No share de audiência da Kantar Ibope, de agosto de 2025, considerando todos os dispositivos residenciais, percebemos que a TV tem cerca de 68% de participação da audiência, além de mencionar que a Radiodifusão é um meio de comunicação com uma auditoria externa de audiência.”

Wellisch reforçou que “no primeiro semestre de 2026, os novos receptores estarão disponíveis para a população” e lembrou que “todo ano de Copa do Mundo, a gente tem uma demanda de televisores.” Caram completou afirmando que já há “3.000 receptores para serem avaliados, distribuídos para uma amostra da população.”

Na visão de Castro, o futuro da radiodifusão será marcado pela convergência com o digital. “Cada vez mais esses dois ecossistemas se conectam. Quando a gente tá falando agora de TV, a TV 3.0 (DTV+) é a inserção definitiva dos radiodifusores nesse novo ecossistema digital.” Os investimentos para a implantação da tecnologia estão sendo calculados, consolidando a televisão aberta como protagonista no ecossistema digital — agora com interatividade, personalização e qualidade comparável às melhores plataformas do mundo, mas mantendo a gratuidade e universalidade que caracterizam a radiodifusão brasileira.

Por Fernando Moura com Ascom de Futurecom