Pós-NAB: Executivos brasileiros analisam os principais destaques da NAB 2026
Painel final do SET Pós-NAB 2026 reuniu lideranças da radiodifusão para discutir inovação, TV 3.0, IA e os impactos estratégicos das tendências apresentadas em Las Vegas.
O painel “Panorama Pós-NAB 2026: Inovações e Direções para o Futuro da Radiodifusão” encerrou a edição 2026 do SET Pós-NAB com a visão dos executivos brasileiros presentes em Las Vegas, trazendo seus principais destaques do evento.
A palestra reuniu executivos da radiodifusão para discutir as principais tendências observadas na NAB 2026. A proposta foi examinar de que modo essas inovações afetam as estratégias comerciais e operacionais das empresas do setor, bem como refletir sobre os caminhos possíveis para adaptação, investimento e manutenção da competitividade em um ecossistema audiovisual em contínua transformação.
Moderado por Paulo Henrique Castro, presidente da SET, e com a participação de Thiago Perrella, diretor de Engenharia e Tecnologia da Rádio Televisão Bandeirantes; José Marcelo Amaral, diretor de Engenharia e Operações da Record TV; e Robson Tavares, diretor técnico da Rede CNT, o painel analisou os pontos mais relevantes da última NAB, realizada de 19 a 22 de abril, em Las Vegas, Estados Unidos.
Perrella iniciou destacando que “o desafio é como reconstruir a partir do nosso legado”, abordando a transição para um ambiente baseado em software e a necessidade de entender “se faz a conta”, com escolhas fundamentadas, em um cenário legado que caminha para uma TV híbrida, integrando rádio e televisão, “em um mundo voraz com SDI e vídeo entrelacado e HDR”. Segundo ele, é fundamental “olhand a IA como foco, para optimizar processos”. O executivo ressaltou ainda que o diferencial está no conteúdo criativo de qualidade, em uma lógica de 360 graus, que “hoje viraram dados” e, a partir disso, “que posso criar e como monetizar”, contexto no qual a IA pode ser muito útil.
José Marcelo Amaral observou que, desde a NAB 2025, “tinha muita falta de olhar a TV como plataforma, interactiva”, e que a principal referência era a “TV america”. Nesta edição, segundo ele, “vi a possibilidade de entender que a ATSC esta pensando a TV como uma plataforma”, especialmente no desafio de “trazermos o usuario de smartphone para auma experiencia no device da TV, como convertemos o sujeito do celular para a televisao”.
Outro ponto destacado pelo executivo da Record foi a discussão sobre “como vai chegar o dinheiro a TV 3.0 e como vamos lidiar com as plataformas de streaming”. Amaral também chamou atenção para um aspecto crítico observado no evento: a necessidade de “uma orquestracao definida”, com uma “programacao, que ira além da grade”. Para ele, ainda faltam empresas capazes de ajudar o mercado a compreender esse novo cenário. “Quem será a empresa que olhará para a orquestracao em sentido amplo?”, questionou.
Robson Tavares ressaltou que o maior desafio está em deixar de fazer uma TV estritamente linear, afirmando que “nosso maior desafio é como ser não linear”. Sobre a NAB e seus objetivos, destacou que “há que misturar que necessita e que pode ser usado no futuro”. Atualmente, segundo ele, “estamos fazendo centracasting e fluxos de trafego de dados, com codec e decoders, que tem progressos”. Tavares destacou ainda as soluções de software, a TV 3.0 e a transmissão para celulares, com demonstrações de 5G que “estamos desenvolvendo na emissora em Curituba”.
O executivo da CNT também enfatizou “a importancia da TV brasileira na NAB” e destacou o 5G Broadcast, ressaltando que é possível “usar 5G no ATSC”, relatando que foi até “um hotel a 3 km da NAB transmitindo com a tecnologia”.
Ao comentar o evento, o presidente da SET, Paulo Henrique Castro, afirmou que “falta um debate mais amplo, onde debatamos além de tecnologia, uma discussão da tecnologia digital”, defendendo a necessidade de “fazer uma education”, ou seja, educar o mercado sobre a nova “tecnologia”, ainda percebida como “mundos separados”.
A Inteligência Artificial também permeou o debate. Sobre o tema, Tavares comentou que inicialmente a tecnologia “nao estava no faro dele”, mas reconheceu que “a IA esta na NAB há tempos, com ferramentas de dados sobre video”. Segundo ele, “a IA esta mais desenvolvida”, destacando sua capacidade de “conversar, a gerar e mostrar a praticidade, na hora de sugerir opcoes”. O executivo citou como exemplo soluções capazes de “acompanhar imagens e transformar imagens horizontais e verticais”, além de “cenarios virtuais com IA, ajudando a aumentar a produtividade”.
No mesmo contexto, Amaral destacou que o que mais chamou sua atenção foi “o fex check”, ferramenta que contribui para aumentar a credibilidade das informações. “Na emissora trabalhamos noticias com IA, mas nesse ponto o checking é fundamental”, afirmou. Perrella complementou, observando que “a IA se torna mais barata”, além de destacar “o uso semántico para o jornalismo”, o que pode permitir que se “ganhe maior produtividade”.
Castro acrescentou que a IA tem impacto sobretudo “no ambito da IA como controle de fluxos e desenvolvimento de sistemas e ecossistemas”, o que, segundo Amaral, representa um desafio adicional, já que ainda “precisa ter profissionais que possam manipular estas tecnologias”.
No encerramento, os executivos apontaram soluções com grande potencial, mas que ainda precisam ser amadurecidas. Entre os destaques, Tavares citou a “tecnologia 5G para transmissao broadcast”, observando que “falta um padrão de celular que aceite receber o sinal”.E falando de TV 3.0, José Marcelo Amaral disse que “já podemos e devemos explorar na TV 2.5 a segmentação para assim poder ter experiência quando tenhamos pronta a TV 3.0″.
O SET Pós-NAB teve o patrocínio ouro da SES; como patrocinadores prata, Atlantis, EiTV, Eutelsat, Google, Harmonic e Mediastream; patrocinadores bronze, Ideal Antenas e Showcase; e o apoio da ABERT, AWS e Lineup. Apoio institucional da Astral e da Abratel.
Por Fernando Moura, em São Paulo









