Copa do Mundo 2026 amplia uso de produção remota e novos formatos digitais

Com operação distribuída entre Américas e Europa, HBS implementa serviços como Datatainment e Match Buddy, integra influenciadores ao ecossistema de mídia e expande o uso de smartphones e workflows baseados em dados e nuvem.

A Copa do Mundo FIFA 2026 introduz mudanças estruturais na produção e distribuição de conteúdo, com destaque para a ampliação do modelo de produção remota e para a incorporação de novos formatos digitais, afirma matéria do SportVideo. No texto,  Ken Kerschbaumer, afirma que a Host Broadcast Services (HBS), responsável pela produção oficial, opera com uma arquitetura distribuída que conecta os países-sede — Estados Unidos, Canadá e México — a um hub central em Londres, onde se concentram atividades de pós-produção e gerenciamento de mídia.

De acordo com Johannes Franken, diretor digital da HBS, a escala do torneio e sua distribuição geográfica são fatores determinantes para a adoção desse modelo. “Temos parte da operação fora do país, com uma estrutura em Londres, o que representa um grande passo para nós. Isso permite operar de forma mais eficiente com um hub central de operações”, afirma.

No campo dos serviços digitais, a HBS introduz novas ofertas de conteúdo ao vivo. Entre elas, o Datatainment, que apresenta dados tridimensionais imersivos — como velocidade, número de toques e distância percorrida — em formato 16:9, como complemento ou alternativa ao sinal principal. “O Datatainment é uma forma de aproximar a partida do público mais casual, explicando o que está acontecendo em campo e destacando habilidades dos jogadores”, explica Franken.

Outro serviço é o Match Buddy, um fluxo alternativo que combina múltiplas fontes de vídeo em formato mosaico com dados adicionais. Segundo Franken, “é um stream alternativo que utiliza várias feeds de vídeo com informações extras, criando uma experiência mais dinâmica do conteúdo ao vivo”. Ambos os serviços são disponibilizados às emissoras, que podem integrá-los às suas ofertas.

A operação também incorpora um aplicativo complementar baseado em SDK, projetado para integração nas plataformas das emissoras, permitindo visualização de movimentações dos jogadores em dispositivos móveis. Esse modelo reflete a evolução da estratégia da HBS ao longo da última década, com maior integração entre produção e distribuição digital.

No que se refere à infraestrutura, a conectividade entre os locais de produção na América do Norte e o hub europeu é garantida por uma arquitetura de data centers controlada pela própria HBS. Serviços específicos, como detecção de idioma, reenquadramento e análise de conteúdo, utilizam recursos de nuvem pública. A distribuição geográfica permite otimização operacional por meio de turnos em diferentes fusos horários. “Devido à diferença de fuso, conseguimos trabalhar por mais tempo ao longo do dia, com equipes em turnos distintos”, afirma Franken.

No ambiente de campo, a estratégia de produção digital prioriza captação com smartphones, com equipes dedicadas em cada estádio. O conteúdo é produzido majoritariamente em formato vertical e enviado diretamente para a nuvem, onde é revisado e editado pela equipe em Londres. “Grande parte desse conteúdo é capturada nativamente em formato vertical, predominantemente por celulares, para criar autenticidade”, destaca.

A transmissão e processamento desse material ocorrem em fluxo quase em tempo real, com exceção de conteúdos produzidos por câmeras de 360 graus, que ainda dependem de mídia física. A HBS também disponibiliza aos parceiros serviços automatizados de identificação de destaques e cenas de partida, integrados à plataforma FIFA MAX, que reúne ativos de mídia em um único ambiente.

Outro elemento relevante é a incorporação de influenciadores digitais ao ecossistema da Copa. Pela primeira vez, criadores de conteúdo com grande alcance passam a atuar de forma estruturada e regulamentada dentro do evento. “O potencial do uso de influenciadores nos estádios será uma das maiores mudanças nesta Copa”, afirma Franken. Segundo ele, esses criadores podem alcançar audiências superiores às de alguns mercados tradicionais.

Esse cenário introduz novos desafios para detentores de direitos, que passam a coexistir com canais independentes de distribuição. Ao mesmo tempo, Franken vê oportunidades: “Isso abre a possibilidade para que emissoras atinjam públicos que normalmente não alcançam diretamente”. A operação envolve ainda diretrizes para equilibrar acesso, proximidade e controle operacional.

Como legado, a HBS aponta duas frentes principais: o desenvolvimento de novos formatos de entretenimento ao vivo e a consolidação do modelo de produção remota em larga escala. “Estou interessado em avaliar os resultados desse modelo após o torneio, com suas vantagens e limitações, para entender como pode influenciar futuras produções”, conclui Franken.

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