5G Broadcast ou ATSC 3.0? Debate entre veteranos da indústria coloca em pauta o futuro da TV nos EUA
Preston Padden e Mark Aitken apresentam visões opostas sobre os rumos da próxima geração da radiodifusão
O futuro da televisão aberta linear está em debate. Em meio à crescente pressão dos serviços de streaming, à queda das receitas por corte de cabos e ao avanço das próprias redes de TV em plataformas digitais, dois nomes influentes da radiodifusão norte-americana compartilham visões diferentes sobre qual tecnologia deve liderar a próxima fase: 5G Broadcast ou ATSC 3.0, afirma informe de Preston Padden e Mark Aitken na TV Tech.

Foto: Anatel
Para Preston Padden, o caminho mais promissor está no padrão 5G Broadcast, aprovado pelo 3GPP — o mesmo órgão que define os padrões globais de comunicações móveis. “O bom é que esse padrão existe e se chama 5G Broadcast. E porque ele foi adotado como parte do padrão 5G do 3GPP (ao contrário do ATSC 3.0), ele detém a chave do nosso futuro. Tudo o que precisamos fazer é nos juntar às grandes partes do mundo que já o adotaram”, defende Padden.
Segundo ele, adotar um padrão que integra o ecossistema global de smartphones e tablets — fabricados por gigantes como Apple e Samsung — significa abrir um novo mercado de distribuição direta para emissoras. “Dispositivos compatíveis com 3GPP só recebem sinais que fazem parte da família 5G de padrões globais. Isso significa que emissoras que migrarem para o 5G Broadcast poderão transmitir diretamente para centenas de milhões de smartphones e tablets 5G.”
Padden também ressalta: “Não estou sendo pago para escrever este artigo e não possuo nenhuma ação da Verizon, AT&T, T-Mobile, fabricantes de chips ou telefones. Meus investimentos estão em títulos municipais sem qualquer relação com a indústria de TV ou telecomunicações.”
Ele reconhece o trabalho de Mark Aitken, vice-presidente de engenharia do Sinclair Broadcast Group, que lidera os esforços para o ATSC 3.0. “Tenho o maior respeito pelo meu velho amigo Mark Aitken, que tem defendido com grande habilidade o ATSC 3.0 como padrão americano da próxima geração de TV. E tenho grande admiração pela Sinclair e seu principal executivo, David Smith.”
Entretanto, Padden aponta uma limitação-chave: “ATSC 3.0 não faz parte da família 3GPP e, portanto, não poderá ser recebido por smartphones e tablets compatíveis com os padrões 3GPP. Por isso, a Sinclair e outros tentaram obter a aprovação do ATSC 3.0 pelo 3GPP — mas o órgão recusou.”
Ele acrescenta que, ao contrário do ATSC 3.0, o 5G Broadcast, baseado em LTE, aproveita a infraestrutura existente. “O 5G Broadcast baseado em LTE é mais adequado à integração com modems 3GPP porque reutiliza quase todos os componentes e hardwares LTE/5G existentes, enquanto o ATSC 3.0 exige implementações diferentes em blocos fundamentais.”
No cenário internacional, países como Alemanha, Índia, China e Coreia do Sul já adotaram ou estão testando o 5G Broadcast. “Com vários países grandes se comprometendo com o 5G Broadcast, espero que os fabricantes de TVs passem a incluir receptores compatíveis com a tecnologia, para atender à demanda do mercado — sem a necessidade de mandatos governamentais.” O contraponto de Mark Aitken e seus argumentos em defesa do ATSC 3.0 deve ser abordado em uma segunda parte do debate.
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