Novas narrativas brasileiras conquistam múltiplas telas
Produtores independentes discutem estratégias, tecnologia e conexão com o público no SET Expo 2025
No painel “Novas Narrativas, Múltiplas Telas – Impulsionamento de Audiências”, realizado nesta quarta-feira (20) no SET Expo 2025, especialistas em produção independente discutiram como conteúdos originais brasileiros estão se expandindo por múltiplas plataformas, da TV ao streaming, cinema e redes digitais, e de que forma essa presença diversificada potencializa a conexão com o público. O debate contou com Mauro Garcia, presidente executivo da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), como moderador, e os produtores Tiago Mello, sócio da Boutique Filmes; Mayra Lucas, diretora criativa e CEO da Glaz S.A.; e Márcio Yatsuda, presidente da Movioca.
Lucas destacou a importância de alinhar criação e gestão de produção. “Estamos cada vez mais utilizando tecnologia como ferramenta de apoio, mas não como substituto da criatividade. Ferramentas de inteligência artificial auxiliam em relatórios, pesquisas e análise de comentários, mas a emoção e a conexão com o público continuam nas mãos das pessoas”, explicou a diretora, citando projetos como Caso Evandro e Cabras da Peste entre seus mais de 30 trabalhos. Segundo ela, a produção independente brasileira ainda precisa lidar com a ausência de fórmulas prontas de sucesso, tornando o processo de prototipagem essencial para testar narrativas sem comprometer investimentos.
Mello, responsável por séries como 3%, primeira produção original da Netflix no Brasil, enfatizou que a narrativa deve se adaptar ao comportamento da audiência. “Hoje, nenhum conteúdo vive em uma única tela. Precisamos pensar para que ele será visto, se no cinema, streaming ou celular, e entender o déficit de atenção do público, que exige introduções rápidas e histórias mais imediatas”, afirmou. Ele também comentou sobre o uso limitado de tecnologia na produção audiovisual, afirmando que, apesar de ferramentas digitais auxiliarem na pós-produção, grande parte do trabalho ainda segue métodos tradicionais.
Márcio Yatsuda abordou o impacto das redes sociais na performance de séries e filmes. “Tecnologias de consumo e distribuição criaram diferentes modelos de negócio. A presença nas redes permite ajustar narrativas, medir engajamento e entender como o público interage com o conteúdo”, disse o presidente da Movioca, ressaltando que o fenômeno de plataformas digitais tornou a audiência mais participativa e exigente.
O painel deixou claro que a produção independente brasileira vive um momento de adaptação e experimentação. A combinação de criatividade, tecnologia e atenção às tendências de consumo é vista pelos especialistas como essencial para que obras nacionais conquistem públicos cada vez mais amplos e diversificados, tanto no país quanto internacionalmente.