TV aberta reforça papel de conexão e identidade regional no Brasil

Em painel no terceiro dia do SET Expo, Globo, Record e SBT destacam estratégias de distribuição e o impacto local de suas redes

Durante o SET Expo 2025, o painel Evolução dos Modelos de Distribuição e a Sustentabilidade das Redes reuniu representantes das principais emissoras brasileiras para debater os caminhos da televisão aberta frente às transformações tecnológicas e de consumo de mídia. Mediado por Roberto Dias Lima Franco, conselheiro da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), o encontro contou com a participação de Leonora Bardini (TV Globo), André Luiz Duarte Dias (Record) e Daniel Abravanel (SBT).

Abrindo o painel, Roberto Franco destacou a força da televisão aberta no país, apontando que ela ainda é o principal meio de comunicação nos lares brasileiros. “Eu sempre me pergunto: quem não vê televisão?”, provocou, ao comentar o alcance e a presença do meio em diferentes regiões do país.

Segundo ele, dados mostram que nove em cada dez domicílios brasileiros acessam a TV aberta, com uma média de 5h38 diárias de consumo no aparelho de TV. Apesar da crescente digitalização, 94% dos lares possuem televisores e 68% têm Smart TVs, enquanto 91% das residências estão conectadas à internet. Por outro lado, ele alertou para um dado preocupante: 27% dos aparelhos utilizados são piratas.

Franco também destacou o desequilíbrio na distribuição dos investimentos publicitários. Enquanto o Sudeste concentra 19,6% da verba, a região Norte recebe apenas 1,1%. “A TV digital tem atraído mais anunciantes justamente por oferecer modelos mais segmentados e personalizados”, completou.

Conexão local e pertencimento fortalecem a TV aberta

Leonora Bardini, diretora da TV Globo, reforçou a importância da capilaridade da rede. “A TV aberta no Brasil é riquíssima. Temos mais de 2.200 retransmissoras, o que permite entregar tanto conteúdos locais quanto nacionais, promovendo uma conexão de pertencimento entre as emissoras e o público”, afirmou.

Ela explicou que a programação da Globo oferece, em média, quatro horas diárias de conteúdo local. “Esse espaço regional muitas vezes ganha destaque nacional, reforçando o papel da TV aberta na valorização da cultura e da identidade brasileira.”

O  diretor de Rede e Relações Institucionais do SBT, Daniel Abravanel reafirmou o compromisso da emissora com sua rede de afiliadas. “Temos 110 emissoras e não estamos vendendo nenhuma,  como foi noticiado”. Seguimos com 70% da programação gerada pela rede e 30% de conteúdo nacional, cobrindo mais de 250 eventos em todo o país”, disse.

Ele também ressaltou que o SBT busca incentivar a produção de conteúdo local pelas afiliadas, entendendo que essa é uma estratégia essencial para manter a conexão com os diferentes públicos regionais.

No encerramento do painel, André Luiz Duarte Dias, superintendente de Rede da Record, apresentou um vídeo institucional para ilustrar a expansão da emissora, que hoje conta com 108 afiliadas no Brasil e presença em mais de 150 países. “A Record tem sua própria identidade e atinge mais de 40 milhões de pessoas”, destacou.

O executivo reforçou o papel da emissora na produção de conteúdo nacional e na sua atuação em rede, alinhada às transformações do mercado e às novas formas de distribuição.