SOC deixa de ser opcional e se torna peça-chave na defesa da indústria de mídia e entretenimento

Painel no SET Expo 2025 destaca como Centros de Operações de Segurança atuam na proteção de conteúdos, dados e marcas contra ciberataques, pirataria e vazamentos, com apoio crescente da inteligência artificial

O avanço das ameaças cibernéticas e o crescimento da pirataria digital tornam os Centros de Operações de Segurança (SOC) indispensáveis na indústria de mídia e entretenimento. Esse foi o foco do painel “Como um Centro de Operações de Segurança (SOC) gera valor para a Indústria de Mídia e Entretenimento”, realizado no primeiro dia do Congresso SET Expo 2025, sob a mediação de Wallace Souza, gerente de segurança da informação da Globo.

Adriano Ornellas, gerente de TI do SBT, destacou a dificuldade de encontrar fornecedores com conhecimento específico do setor. “Ainda encontramos uma abordagem muito genérica. Talvez a melhor solução seja internalizar parte da operação”, afirmou. Ele revelou o plano do SBT de concluir a implantação completa do SOC até 2028. Segundo Ornellas, é fundamental garantir a proteção não apenas da rede corporativa, mas também da rede de engenharia e dos sistemas embarcados da emissora, com capacidade para detectar comportamentos suspeitos, responder a incidentes e proteger os conteúdos de vazamentos. “Muito mais do que proteger o que é nosso, é evitar que o que é nosso caia em mãos erradas”, afirmou.

Luis Gustavo Pereira, CEO da Stefanini Cyber Brasil, alertou sobre os riscos de ataques em momentos críticos. “O grande temor é o telefone tocar de madrugada no carnaval ou réveillon. É quando os ataques acontecem”, disse. Ele comparou os SOCs tradicionais — baseados em coleta de logs e análise manual — com os de nova geração, automatizados por inteligência artificial. Segundo Pereira, a IA já permite reduzir o tempo médio de resposta de incidentes de três horas para apenas três minutos. “Se posso automatizar 90% dos processos, por que insistir na lentidão humana?”, questionou.

Já Bárbara Cardoso, analista sênior de segurança da informação e antipirataria, alertou para os impactos econômicos da pirataria. “O Brasil teve mais de 4,5 bilhões de acessos a conteúdos piratas em apenas nove meses. Isso gerou perdas de mais de R$ 4 bilhões para o setor audiovisual nos últimos cinco anos”, disse. Ela destacou que mais da metade dos brasileiros consome conteúdo pirata, apesar de reconhecer que isso é errado. “O SOC é o guardião da propriedade intelectual, mas precisamos de uma abordagem sistêmica que envolva empresas, consumidores, poder público e plataformas digitais”, defendeu.

O painel concluiu que um SOC moderno não é mais um luxo, mas uma necessidade estratégica para garantir a continuidade dos negócios, proteger conteúdos e preservar a reputação das empresas em um cenário digital cada vez mais vulnerável.