Propagandas mais direcionadas, uso de inteligência artificial e processamento de dados são o futuro do streaming
A experiência do usuário é um dos pontos de maior atenção para os serviços de streaming que buscam manter as pessoas conectadas às suas plataformas por mais tempo e, assim, prosperar. Para Ricardo Minari, executivo da OneBridge Media, a inteligência artificial pode ajudar nesse aspecto: “A IA ajuda a criar uma propaganda mais direcionada. Assim, faz mais sentido o usuário ficar na plataforma porque está recebendo o que gosta”, explica.
De acordo com Minari, estudos do MIT apontam que só processamos 1% dos dados que coletamos: “Somos bons em armazenar dados, mas não em criar inteligência a partir deles. Quando começamos a processar dados, começamos a gerar conteúdo em tempo real”. Carlos Mendes, CEO da Watch, acredita que trazer uma plataforma UX e construir uma relação positiva e duradoura com os parceiros é uma das chaves para evoluir no ecossistema do streaming.
Marcelo Guerra, por sua vez, alerta para a necessidade de tomar cuidado com os custos: “Diferentemente do broadcast, com o streaming, quanto mais sucesso você faz, mais caro fica.” Isso acontece pela distribuição, uma CDN – rede de entrega de conteúdo – própria implica mais espectadores conectados, mas consequentemente mais gastos. Uma alternativa para aqueles que desejam economizar nessa etapa é usar a CDN de uma outra empresa, como é o caso da CazéTV que se preocupa com a produção do seu conteúdo, mas responsabiliza o YouTube pela distribuição.
A conversa no painel “Maximizando Ganhos no Streaming: Inovações e Estratégias Eficazes” foi mediada por Yassue Inoki, Presidente da Abotts, que direcionou uma pergunta importante sobre as estratégias para mitigar a pirataria à estadunidense Olga Kornienko. Kornienko, fundadora da EZDRM, apontou que, segundo uma pesquisa feita pela Bloomberg, a pirataria gera perdas econômicas estimadas em 30 bilhões de dólares para a indústria do streaming. Para ela, parte das razões desse crime continuar a ocorrer está atrelada a questões tecnológicas de segurança e por isso a solução ideal é desenvolver ferramentas de controle de acesso ao conteúdo.
Guerra, enfim, apontou quais as tendências do setor para os próximos anos. Resolução 8K, exibição em 60 quadros por segundo e baixa latência figuram entre os destaques. A mudança na frequência dos quadros será um diferencial para os esportes com velocidade, pois permite a visualização de mais detalhes em uma cena rápida, como no tênis. Já a baixa latência visa evitar os delays entre as transmissões. Na sua opinião, a melhora na resolução da imagem é o que deve gerar menos impacto para o consumidor.