Normatização, testes e software: quais os caminhos para a implementação escalável da DTV+?
Especialistas mostram, em painel no Congresso SET Expo, o que está sendo feito para adaptar a tecnologia da TV 3.0 à produção em larga escala
Às vésperas da assinatura do decreto federal da DTV+ (TV 3.0), prevista para dia 27 de agosto, a indústria ainda enfrenta desafios, como consolidação da padronização técnica, desenvolvimento de receptores e a escalabilidade do produto. O tema foi tratado no painel “DTV+: da Tecnologia aos Produtos – Caminhos para a Implementação Escalável”, realizado nesta quarta-feira (20) pela manhã, no Congresso SET Expo.
O painel contou com a participação de Carolina Duca, Gerente Sênior de Tecnologia da Globo; Aguinaldo Boquimpani, Sênior Digital TV Standards Specialist da Mirakulo; e Diego Ramos, mediador, que é Diretor de Plataformas Digitais da Globo e Coordenador do Módulo Técnico do Fórum SBTVD.
Ramos iniciou a conversa com um histórico sobre a normatização do sistema, que contou com a produção de nove normas técnicas ao longo dos anos. “Não vamos parar com a assinatura do decreto. Será preciso analisar [o decreto] e voltar a trabalhar junto à ABNT. Uma vez feito isso, entra a consulta pública, para ouvir o feedback da sociedade e fazer adaptações importantes”, explicou. “Precisaremos investir bastante em certificação, para saber se os aplicativos vão rodar bem e de forma homogênea nas mais diferentes plataformas.”
Carolina Duque falou sobre detalhes dos experimentos da primeira estação piloto da DTV+ no país, o projeto Lighthouse, da TV Globo, inaugurado em abril deste ano. A expectativa é que o lançamento das estações comerciais, que começam por Rio de Janeiro e São Paulo, sejam feitos para a Copa do Mundo 2026.
Ela disse que duas estações pilotos, em dois locais do Rio de Janeiro, já estão no ar e em fase de testes de campo. “A gente só evolui uma tecnologia quando efetivamente a tira do papel. E a partir dos erros, acertos e dificuldades, construímos até chegar a uma visão de plataforma. E precisa ser uma plataforma que realmente permita colocar esses vários serviços”, afirmou.
Plataforma de software
Já Aguinaldo Boquimpani mostrou detalhes técnicos da plataforma de software, que, para ele, funciona como uma “cola”, que conecta todas as outras tecnologias do sistema. “A DTV+ não é uma simples evolução, mas um salto exponencial, sem comparação com qualquer outro sistema de TV no mundo inteiro”, disse.
Ele abordou como o software vai funcionar, explicando, por exemplo, o front end (ex: catálogo de aplicativos, painel de acessos, Guia Eletrônico de Programação…) e o middle layer (ex: webservices, framework de medição de audiência e interfaces com todas as outras camadas de stack de tecnologia) dentro da plataforma.