IA em ação: especialistas apresentam casos reais de aplicação na indústria de mídia e consumo
No SET Expo, painel reúne Globo, AB InBev e Google DeepMind para mostrar como a inteligência artificial já impacta negócios e experiências no mundo real
A inteligência artificial (IA) deixou de ser promessa futurista para se tornar uma ferramenta estratégica em diversos setores da economia. Essa foi a principal mensagem do painel “IA em Ação: Da Estratégia à Prática com Casos Reais”, realizado nesta quarta-feira (20) durante o Congresso SET Expo 2025. Com mediação de Daniel Monteiro, Head de Desenvolvimento de Produto & Tecnologia do Globoplay, o encontro reuniu especialistas da Globo, AB InBev e Google DeepMind, que compartilharam projetos concretos com IA e os desafios enfrentados para implementá-los.
Rafael Martins, gerente de Data & IA da Globo, destacou que a empresa já trabalha com inteligência artificial há mais de 12 anos. Ele relembrou marcos importantes como a criação do núcleo de Big Data em 2015 e o fortalecimento da governança de dados nos anos seguintes.
O grande divisor de águas, segundo ele, foi o movimento chamado DAI (Democratização da Inteligência Artificial), iniciado em 2023. “Mapeamos mais de 120 oportunidades e 54 delas foram priorizadas com investimentos. O desafio é capacitar pessoas que não são da área técnica para usarem IA de forma eficaz”, afirmou.
Entre os destaques, Rafael apresentou o projeto de hiperpersonalização do Globoplay, que cria uma experiência única para cada usuário. “A IA não vem apenas para reduzir custos, mas para agregar valor e gerar métricas reais de resultado”, reforçou.
A Globo também lançou o Glor.IA, assistente interno para capacitação dos colaboradores, e o Chef.IA, voltado para atendimento personalizado ao público. “Reduzimos o tempo de resposta de segundos para milissegundos, otimizando nossos serviços significativamente”, concluiu.
Agentes autônomos e IA com propósito
Fernanda Faria, diretora global de Produto e Design da AB InBev, trouxe a visão da indústria de consumo e como a IA está sendo usada para empoderar equipes e melhorar a experiência dos clientes. Segundo ela, 71% das empresas já afirmam usar IA (dados da McKinsey, 2024), mas o verdadeiro desafio está em como os colaboradores utilizam essas ferramentas de forma produtiva.
Fernanda compartilhou um exemplo pessoal: criou um “agente tutor” de IA para auxiliar seus filhos adolescentes nos estudos. A partir dessa experiência, levou a mesma lógica para dentro da empresa.
“Criamos perfis de agentes autônomos com diferentes expertises dentro da nossa plataforma, todos avaliados por colaboradores em cada interação. Isso gera um ciclo contínuo de aprendizado e melhoria”, explicou.
Um dos projetos apresentados foi a integração de IA no app Zé Delivery, com cerca de 6 milhões de usuários mensais. Toda a equipe tem acesso às ferramentas de avaliação, permitindo cruzamento de dados e maior agilidade na entrega de soluções.
“Acreditamos na filosofia IA + humano. No futuro, talvez não teremos mais times de pessoas, mas equipes de agentes autônomos liderados por humanos”, previu Fernanda.
Representando a Google DeepMind, Luciano Martins, Tech Lead Manager & AI Engineer, apresentou avanços de ponta no desenvolvimento de modelos de IA generativa e sistemas autônomos com foco em imagens, áudio, linguagem e até meteorologia.
“A DeepMind é um laboratório de pesquisa de IA que atua em diversas frentes. Estamos trabalhando em modelos que auxiliam desde a produção audiovisual até a previsão de eventos climáticos extremos”, explicou.
Luciano demonstrou ao vivo o uso da API Gemini, ferramenta da Google para IA generativa multimodal, capaz de interpretar textos, imagens e comandos de programação. Em uma simulação, ele usou uma imagem de set de filmagem para gerar ideias de aplicação da IA em tempo real.
Outro case apresentado foi o uso de IA para aumentar a taxa de quadros em vídeos (frames) da Nascar, permitindo analisar detalhadamente momentos como a troca de pneus durante uma corrida.
“O objetivo é empoderar os usuários com informações para decisões mais inteligentes. Modelos como o Gemini e soluções como GenMedia estão transformando o modo como criamos, interagimos e prevemos o futuro”, afirmou.