FAST deixa de ser promessa e passa a ditar rumos da mídia

Debate no SET Expo 2025 reuniu players de tecnologia, conteúdo e publicidade para analisar o futuro da televisão distribuída por streaming

No terceiro dia de Congresso do SET Expo 2025, realizado em São Paulo, o painel “FAST: Da Aceleração à Sustentação — A Gravidade Agora Trabalha a Nosso Favor” consolidou a importância dos canais FAST no ecossistema audiovisual brasileiro e latino-americano. O encontro reuniu executivos de mídia, tecnologia e publicidade para discutir como esse modelo de distribuição gratuita e suportada por anúncios está deixando de ser tendência emergente e se transformando em pilar de negócios.

O debate foi mediado por Marcio Zorzella, Chief Revenue Officer da Amagi ADS PLUS by AD Digital, que destacou a necessidade de desbravar o mercado. “FAST é uma velha novidade, é a TV aberta como conhecemos, mas distribuída por streaming. Estamos abrindo estrada para um modelo que redefine a televisão e o papel dos anunciantes nesse ecossistema”, afirmou.

Entre os convidados, Rafa Dias, CEO do Dia Estúdio, compartilhou sua experiência com a Dia TV, primeiro canal no mundo criado por influenciadores digitais. “Tudo começou porque comprei uma TV de 85 polegadas e não me identificava com nenhum canal disponível. Transformamos isso em oportunidade e hoje temos uma transmissão linear 24 horas feita por criadores de conteúdo. É um momento parecido com a transição do jornal impresso para o digital: agora o Wi-Fi chega às televisões e muda a lógica do consumo”, disse.

A perspectiva das plataformas foi apresentada por Janaína Tadeu, gerente de Conteúdo e Estratégia de Negócios para América Latina da LG Electronics, que ressalta o papel da curadoria. “A LG deixou de ser apenas fabricante de telas para se tornar uma facilitadora de consumo de mídia. No Brasil, 98% das pessoas que compram uma Smart TV conectam o aparelho, o que mostra nossa relação particular com o streaming. Hoje, metade do tempo de uso está dentro dessas plataformas. Isso abre espaço para que novos perfis de conteúdo, como os canais FAST, alcancem públicos que antes não seriam impactados”, explicou.

Sob a ótica da publicidade, Daniel Ribeiro, Chief Data & Media Officer da OMG Brazil, trouxe dados que reforçam o alcance do modelo. “Estamos falando de 110 milhões de brasileiros potenciais, com 54% dos lares já possuindo uma TV conectada. É uma segmentação massiva que permite ao anunciante unir relevância e escala. O desafio ainda é definir em qual caixinha o FAST se encaixa: TV ou digital. Mas é justamente essa transição que representa o futuro da mídia”, avaliou.

O painel reforçou que os próximos passos da indústria dependem de métricas claras e de maior entendimento por parte das agências sobre como incorporar os canais FAST nos planos de mídia. Enquanto isso, produtores independentes, plataformas e marcas começam a enxergar uma oportunidade de fidelizar audiência e gerar negócios em larga escala.