Especialistas debatem futuro artístico do rádio em painel do SET Expo
Discussão abordou curadoria de conteúdo, interação com a audiência, IA e o papel do comunicador no rádio
Com o avanço das plataformas digitais e a multiplicação dos formatos de distribuição de conteúdo em áudio e vídeo, o rádio enfrenta novos desafios e, ao mesmo tempo, grandes oportunidades. Durante o painel “Do Dial ao Digital: Estratégias artísticas para um Rádio em constante Evolução”, realizado no SET Expo, especialistas discutiram os desafios e oportunidades para emissoras em um cenário de constante transformação tecnológica.
O encontro reuniu nomes importantes do setor para um bate-papo sobre caminhos possíveis para emissoras de rádio, abordando temas como mudanças nos hábitos de consumo, curadoria musical, força do conteúdo local, streaming, ações promocionais, redes sociais e o papel crescente da inteligência artificial. Com moderação de Daniel Starck, diretor do portal tudoradio.com, teve a participação de Acácio Luiz Costa (AESP – Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo), Murillo Huada (Band FM), Marco Moretto (HOT107 FM) e Marcelo Siqueira (Nativa FM).
Com 42 anos de carreira dedicados ao rádio e à televisão, Acácio Luiz Costa, coordenador do Grupo de Mercado da AESP, destacou que, mesmo com tantas mudanças tecnológicas, a essência do rádio permanece a mesma: o conteúdo de qualidade. “O conteúdo é rei, como já dizia Bill Gates. O que realmente importa é a qualidade do que entregamos. Se entendemos o perfil da audiência, conseguimos oferecer experiências relevantes”, afirmou .
Murillo Huada, diretor artístico da Band FM, reforçou que o equilíbrio entre música, informação e carisma do comunicador é essencial para manter a audiência engajada. “Programar musicalmente uma rádio é um grande desafio. Hoje, usamos dados e pesquisas para entender o que o público quer. Mas também sabemos que há momentos do dia em que precisamos oferecer mais informação e prestação de serviço”, disse.
Ele também destacou a importância da interação com os ouvintes por canais como o WhatsApp e redes sociais, além da necessidade de um comunicador com presença e empatia: “O carisma de quem fala com o público ainda é decisivo.”
Diversidade de público e alcance digital
Marcelo Siqueira, diretor artístico da Nativa FM, lembrou que o alcance do rádio extrapola barreiras geográficas, especialmente com a internet. Isso exige pesquisa, planejamento e adaptação constante. “Nosso público está em diversas regiões do Brasil. A internet ampliou nosso alcance, mas também exige mais responsabilidade. Precisamos testar novos formatos com segurança e usar dados para direcionar nossas decisões”, comentou. Segundo ele, o rádio precisa estar atento a novas referências culturais e musicais, sem perder sua essência e identidade.
Diretor da HOT107 FM, no interior de São Paulo, Marco Moretto destacou que a atuação fora dos grandes centros impõe desafios distintos, mas também oportunidades. “Analisamos o comportamento da população como um todo, não só de quem ouve a rádio. Isso nos permite adaptar a linguagem e personalizar o conteúdo digital. A HOT107 evoluiu muito com isso.” Para ele, a combinação de ações presenciais com estratégias digitais é fundamental: “O cross entre o físico e o digital entrega os melhores resultados para nossos parceiros comerciais.”