Dilemas éticos da Inteligência Artificial Generativa na comunicação
Fechando a programação da Sala 3 no terceiro dia do Congresso SET Expo, o painel “Transformações e Desafios da Inteligência Artificial Generativa na Indústria do Audiovisual” expôs como a Inteligência Artificial Generativa (IAG) está remodelando o setor audiovisual, criando novas possibilidades e desafios para a produção de conteúdo.
Moderado pelo Prof. Dr. Fernando Moreira, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial da SET, o debate abordou como a IAG está revolucionando a forma como imagens e vídeos são gerados e utilizados em produções jornalísticas. A tecnologia tem o potencial de criar conteúdos visuais altamente realistas, mas também levanta questões éticas.
Otavio Martins, gerente de operações anti-pirataria da Nagravision, destacou a importância da tecnologia na proteção contra a pirataria e na garantia da autenticidade do conteúdo. Otavio explicou que a identificação e rastreamento de marcas d’água em vídeos são técnicas essenciais para combater a distribuição não autorizada e garantir a remuneração justa aos criadores. “Estamos usando tecnologias avançadas para assegurar que o conteúdo modificado seja identificado e que a origem dos vídeos possa ser rastreada,” afirmou.
A Dra. Kellyanne Alves, professora adjunta do Centro de Comunicação de Turismo e Artes (CCTA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), discutiu as implicações da IAG para a credibilidade jornalística, destacando a necessidade de técnicas robustas para a verificação de fatos. Kellyane apresentou pesquisas que mostram uma crescente preocupação com a transparência e a ética no uso de tecnologias generativas, enfatizando que, apesar das inovações, é crucial que o público e os profissionais mantenham a consciência crítica sobre o conteúdo gerado por IA. “Nosso desafio é garantir que, enquanto utilizamos a IAG para melhorar a eficiência e a qualidade do jornalismo, mantenhamos a integridade e a veracidade das informações”, destacou a professora.
O relatório apresentado por Márcio Carneiro dos Santos, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial da SET, forneceu uma visão abrangente sobre os impactos da IAG na indústria de broadcast. Ele abordou como a IAG, embora não seja uma tecnologia nova, está acelerando mudanças significativas em como o conteúdo é criado e consumido. Ressaltou também a necessidade de entender as características específicas da IAG, que foi desenvolvida para ser criativa e não necessariamente precisa. “É fundamental que as organizações e profissionais saibam como lidar com as limitações e potencialidades da IAG para usar essa tecnologia de maneira eficaz e ética,” completou.