Custo ainda dificulta implantação da DTV+ em emissoras regionais 

Em painel sobre o desenvolvimento de aplicações interativas, Roberto Dimas Amaral, do Grupo SCC, afirmou que custo e público ainda desafiam emissoras menores

Do ponto de vista das emissoras regionais, o custo é uma barreira importante para a implantação da DTV+. Essa é a opinião Roberto Dimas Amaral, do Grupo SCC, que participou nesta quinta-feira (21) do painel “Desenvolvimento de Aplicações interativas”, no Congresso SET Expo, ao lado de Raphael Barbieri (EiTV e mediador do painel), José Schulz (Globo) e Vinicius Guimarães Pimentel (Rede Gazeta/ES).

Amaral afirmou que cerca de 80% das emissoras do país, atualmente, são regionais, e que, sob o ponto de vista regional, não são “desafios técnicos” que dificultam a DTV+. Ele apontou dois principais desafios para o Grupo SCC, que é uma emissora regional de Santa Catarina: o custo (dezenas de milhões de reais) e a queda de público (de 2014 a 2025, a emissora sofreu queda de 39,8% para 20,5% no “número de ligados”).

“Como trazer esse público de volta para a televisão? Talvez a TV 3.0 seja uma maneira de os jovens interagirem mais e estarem mais conectados na televisão”, afirmou Amaral, que também disse ser entusiasta e apontou oportunidades para a DTV+: publicidade segmentada, mensuração precisa, multiprogramação para nichos e portal de serviços.

Vinicius Guimarães Pimentel, Gerente de Tecnologia da Rede Gazeta/ES, também falou sobre os desafios enfrentados em busca da interatividade do público na TV 2.5 e para a futura TV 3.0. Ele mostrou, em sua palestra, experimentações feitas nesse sentido nas áreas de jornalismo e entretenimento, como quizzes, banners e carrosséis de vídeo. A emissora também prevê uma novidade: gamificação com o público.

Segundo ele, a automatização da interatividade é um desafio atual pela equipe. “O processo ainda é muito artesanal. Esperamos que, no futuro, com a TV 3.0 e aplicações simultâneas, isso possa ser melhor planejado e automatizado”, afirmou.

Maturidade

José Schulz, Head de Streaming Digital e TV 3.0 – Hub Digital da Globo, também abordou, em sua fala, os desafios do desenvolvimento de aplicações na TV 2.5 e a jornada para o DTV+. “A interatividade já está disponível na TV atual, mas, pela maturidade do tema, demorou um pouco para que as emissoras começassem a explorar mais esse ambiente”, disse.

Schulz detalhou o projeto de interatividade na emissora, que começou com experimentações e, a partir de 2024, passou a adotar uma jornada mais estratégica, tendo como ponto de partida a seguinte lógica: “para fazer uma experiência híbrida, precisa partir do conceito de experiência logada”. Desde então, o projeto passou por fases como uso de votações/enquetes, venda de produto, vídeos simultâneos e o recente lançamento da jornada contextualizada do jornalismo.