Aptidões humanas, regulamentação de plataformas e conexão com as novas gerações figuram no futuro da mídia e do entretenimento no Brasil

Realidade aumentada, Inteligência Artificial (IA) e streaming são algumas das tecnologias que estão criando experiências mais imersivas e personalizadas. E as oportunidades da convergência entre plataformas digitais e tradicionais são muitas e aumentam com a automação e o aprendizado de máquina. Mas, diante de tantas mudanças, os desafios também são muitos. De olho nas tendências, o congresso da SET Expo realizou o painel “O futuro da Mídia e do Entretenimento: o Impacto da Tecnologia nas nossas Vidas”.

Roberto Dias Lima Franco, conselheiro e ex-presidente da SET, Fernando Neisser, diretor de Relações Institucionais do IASP, Vicente Varela, diretor Executivo de Operações IM e Desenvolvimento Comercial do SBT, e Carlos Octávio, Head of Technology Architecture and Analytics da Globo.

Franco começou a conversa dando um panorama sobre a realidade atual da Internet e as ferramentas disponíveis como a Inteligência Artificial, além dos possíveis desdobramentos, tanto negativos, como substituir pessoas, quanto positivos, que um hibridismo ajude a potencializar a tecnologia.

“O grande desafio é a convivência com uma nova espécie, o homo articialis, criado por nós mesmos e que evolui com a tecnologia. Como usá-la, coexistir em vez de competir. E, por isso, precisamos evoluir mais rápido nas nossas aptidões humanas, como a empatia, a solidariedade. As perguntas serão mais valiosas do que as respostas”, afirma o conselheiro e ex-presidente da SET.

A desinformação foi uma das preocupações levantadas durante o painel. Fernando Neisser destacou que, geralmente, a velocidade é uma das grandes responsáveis por esse movimento, mas o diretor do IASP levou a importância das regulamentações das plataformas para que trabalhem em parceria com o poder público para melhorar a qualidade da informação.

Vicente Varela, diretor executivo de Operações IM e Desenvolvimento Comercial, do SBT, apresentou os desafios contínuos de comunicação efetiva multigeracional. “A gente entendeu que o consumidor não é o mesmo. Entendemos que o consumidor que está na televisão não é o mesmo que vai estar no streaming. O impacto da tecnologia em nossas vidas e o acesso não tem mais volta. O que tem volta é o que a gente vai fazer com essa informação daqui para frente. O futuro do consumo de mídia e conteúdo passa pela maximização de valor de uso e a compreensão de nossas audiências através dos dados”, explica.

Carlos Octávio, head of Technology Architecture and Analytics da Globo, destacou alguns pontos positivos desses processos de avanços tecnológicos que ainda traz consigo áreas cinzentas e cheias de desafios.

“Do consumo de vídeo no Brasil, a TV linear ainda é mais de 70% desse consumo, mesmo comparado com streaming. Então isso é uma coisa que a gente não pode deixar passar e nem ser envolvido por toda essa angústia, e eu não estou dizendo que os desafios da indústria de mídia são fáceis. Então é nesse contexto que aí falando sobre o futuro da mídia, eu acho que a nova geração de TV, a TV 3.0, é uma brutal oportunidade de a gente se conectar com as novas gerações. Conhecermos melhor o hábito do consumidor na tela grande, que antes só existia através da internet com a TV conectada, é uma grande oportunidade também para nós radiodifusores podermos segmentarmos melhor, seja para monetização, publicidade, para entender quais são as preferências e os hábitos desses consumidores”, diz Carlos Octávio.