SET Sudeste: Executivos discutem o cenário atual e a perspectivas do mercado audiovisual

Nesta tarde, profissionais das principais emissoras debatem no SET Sudeste o cenário atual do mercado audiovisual, analisando desafios, oportunidades de crescimento, modelos de negócios e decisões estratégicas que moldam o futuro da radiodifusão em um mercado onde as rádios e TVs já não são concorrentes, mas sim co-existentes.

O painel “Panorama Executivo: Atualidade e Caminhos Futuros do Mercado Audiovisual em debate”, do SET Sudeste, que se realiza em Belo Horizonte (BH), foi coordenado por Patrícia Gomes, Diretora de Jornalismo da Record Minas; e teve a participação de Marina Crespi, Gestora do Canal TV Globo em Minas; André Luiz Duarte Dias, Superintendente de Rede da Record; Gustavo Mendicino, Presidente da Empresa Mineira de Comunicação; Mayrinck Pinto de Aguiar Junior, Presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão – AMIRT; e Maria Cláudia Santos, Diretora Executiva da Rádio Itatiaia.

O debate começou abordando os desafios da indústria e como as empresas e entidades se posicionam frente ao novo panorama da mídia, com destaque para a regulamentação que defina a disputa e deixe de criar assimetrias entre os players. O presidente da AMIRT falou sobre “direitos autorais” e como monetizar os conteúdos nas big techs, além da qualificação da mão de obra, destacando que o avanço tecnológico torna a “qualificação essencial”.

Maria Cláudia Santos reforçou que o alto custo tecnológico é um dos grandes desafios e analisou como será feita a medição de audiências de forma auditável, com “uma medição confortável que mostre os dados de forma confiável”. Segundo ela, lidar “com esse mundo líquido” é difícil e complexo.

André Dias, da Record, afirmou que atua em um grupo de comunicação com mais de 70 anos e que hoje vive mudanças mantendo a relevância, “com um conteúdo utilizado em muitas plataformas”, realizando 12 horas de jornalismo ao vivo, com 8 horas de janelas locais. Ele destacou que o custo é alto e que o que mantém essa operação é a mídia tradicional, com break publicitário. “Então precisamos expandir o nosso modelo de negócio nas plataformas”. Disse ainda que a definição regulatória é clara, o que traz confiança na implantação, mas que a incógnita só começará a ser respondida quando o serviço for lançado.

Marina Crespi afirmou que “as rádios e as TVs são o principal meio de comunicação e temos certeza que as TVs além de masivas são conectadas, como vamos trazer essas experiências fluidas para quem está assistindo televisão”, e comentou que, no Carnaval, houve testes na Globo que “mostram bons índices”. Segundo ela, a concorrência já não é apenas com outras emissoras, mas também com as medições e os índices determinados. O posicionamento foi reforçado pelo presidente da AMIRT, Aguiar Junior, que afirmou que “os conteúdos vêm do mundo real”.

Falando sobre rádio, Maria Cláudia Santos disse que o rádio não vai acabar, mas que já não é apenas rádio: “por isso, precisamos vender um combo”. Dias complementou afirmando que “temos de ter sistemas multiplataformas”, com departamentos jurídicos específicos que gerem monetização e evitem “o canibalismo, para o qual precisamos investir”.

Alcance e relevância regional

Os executivos afirmaram que é preciso alavancar o conteúdo regional. Gustavo Mendicino disse que “está na hora de pensar que o mundo mudou” e que “há que interagir com o mercado digital para entender o mercado, porque sabemos que a TV e a rádio não estão acompanhando as crianças e adolescentes. Precisamos ter esse diálogo e o entendimento usando-o a favor de rádio e televisão e usá-lo como cabeça de rede da EMC”. Assim, explicou, “trabalhamos com mais de 40 TVs parceiras, criando uma rede cultural e educacional”, desenvolvendo uma “comunicação segmentada no sentido local, no sentido regional traz mais proximidade e relevância”.

A executiva da Globo reforçou que a TV democratiza o debate, sendo “um espaço de reflexão que no âmbito regional é primorosa”, pois “a regionalização é fundamental”.

Novos modelos

Outro ponto debatido foi quem arcará com os investimentos e de onde virão os recursos para implantar a TV 3.0. Nesse contexto, André Dias afirmou que “o avanço para a TV 3.0 é inegociável, mas o planejamento é fundamental”.

Para Mayrinck Pinto de Aguiar Junior, o rádio híbrido é essencial para o futuro, seja por ondas ou por IP, destacando que se trata de uma tecnologia já existente e que, por isso, “precisamos trazer essa tecnologia para o rádio brasileiro”.

O SET Sudeste 2026 tem patrocínio Ouro da Alliance, Canon, Dolby, Mediastream, SES, Sony, SpeedCast e YouCast. Patrocinador Prata a SDB Multimídia, e apoio da Teletronix, SM Facilities, NeoID, Showcase e ABLink. E apoio institucional da ABERT, ABRATEL, ASTRAL, Empresa Mineira de Comunicação, Itatiaia, Globo, Record e TV Alterosa.

Por Fernando Moura (Reportagem) e Fernanda Vio (Edição)