Cloud Playout em contextos de Mídia e Entretenimento – Por Imagine Communications

Brendon Mills, gerente geral de playout e networking da Imagine Communications 

Ninguém conseguiu escapar completamente das discussões sobre a tecnologia de nuvem para mídia e entretenimento nos últimos anos. E é fácil ver por que muitos presumiram que o playout seria um dos primeiros líderes na transição para a cloud. 

Certamente, os sistemas de playout baseados em nuvem oferecem inúmeras vantagens. Mas eles têm suas próprias desvantagens, que precisamos reconhecer. 

Uma questão que causa grande preocupação é a latência. A rede que traz e leva dados para o cloud, o processamento remoto, o loop de feedback do monitoramento – todos eles podem adicionar uma latência que as emissoras que contam com feeds contínuos ao vivo consideram inaceitável. 

Outra questão é que os sistemas de playout baseados em nuvem dependem fortemente de uma conexão à internet estável e confiável. Especialmente em regiões com problemas nessa infraestrutura, essa dependência apresenta um nível de vulnerabilidade. 

E embora o cloud playout reduza o investimento em infraestrutura, ele introduz outros custos, principalmente relacionados a assinaturas de serviços em nuvem e transferências de dados. O conteúdo de vídeo, especialmente em altas resoluções como 4K, requer uma quantidade substancial de dados para transmissão — um canal comprimido típico opera a 15 Mb/s. Para atender aos padrões das emissoras para entrega sem interrupções ou falhas, provedores de serviços como AWS, Google Cloud e Azure precisam fornecer um pipeline de dados impecável. 

Por fim, ainda há alguma relutância em mudar para uma assinatura OPEX ou modelo de negócios SaaS e afastar-se da prática de transmissão tradicional, utilizando o hardware local. 

Em tempos de estresse econômico global, algumas empresas podem se sentir mais à vontade para capitalizar os custos de infraestrutura e limitar as cobranças contínuas de OPEX. 

O melhor dos dois mundos 

Embora a cloud ofereça grandes benefícios, a tecnologia para replicar todos os requisitos críticos dos sistemas on-premises ainda está evoluindo. Portanto, em vez de mudar para uma infraestrutura totalmente baseada em nuvem hoje, existe ainda a possibilidade de buscar uma abordagem híbrida. Na prática, isso envolve o uso de equipamentos locais para canais premium e tecnologia de nuvem para operações menos complexas. 

Claro, a nuvem pode, é claro, suportar qualquer requisito de reprodução. Mas uma transição gradual de um mundo operacional para outro dá às emissoras a chance de otimizar seus investimentos de capital existentes em infraestrutura local. 

Ao mesmo tempo, elas podem aproveitar os benefícios exclusivos da nuvem conforme necessário. Disaster recovery é o exemplo perfeito: em vez de ter um conjunto completo de hardware duplicado que você espera nunca usar, faça o backup na nuvem e ative a reprodução apenas quando precisar. 

Isso reduz muito o fator custo, mantendo a redundância necessária para a transmissão ininterrupta. A economia é ainda maior se você agrupar canais de backup para reduzir o número de licenças. 

Além da recuperação de desastres, a nuvem também é ideal para canais temáticos — canais especializados ou de nicho que se concentram em gêneros de conteúdo específicos, fornecendo uma plataforma dedicada para espectadores interessados em um determinado assunto. O modelo FAST (Free Ad-supported Streaming TV) é um bom exemplo disso, visto que oferece serviços pré-planejados sem intervenção ao vivo.  

Por outro lado, você também pode usar a nuvem para aumentar a experiência da audiência. Durante grandes eventos, como as Olimpíadas, você pode criar canais pop-up para cobrir todos os momentos ou para fornecer visualizações e perspectivas alternativas da câmera. Assim que o evento terminar, desligue o canal e pare de pagar pelo processamento. 

O Futuro 

A cloudificação do playout, e de outras áreas dentro de uma emissora, continuará caminhando no futuro próximo. As peças estão começando a se encaixar. O custo da transmissão de dados está diminuindo rapidamente e essa tendência continuará. Conexões de rede mais estáveis e compactação e streaming avançados atendem aos requisitos do setor para uma reprodução perfeita. 

Quando isso vai acontecer? Minha estimativa é que trabalharemos com sistemas híbridos pelo menos nos próximos 10 anos, até porque os investimentos de capital levarão muito tempo para amortizar. Sim, cloud playout está definitivamente chegando. Só não tão rápido quanto pensávamos.