Pós NAB: IA, workflows e interatividade pautam debate sobre o futuro do broadcast

Segundo painel destaca o papel das tecnologias emergentes, da inteligência artificial e dos novos modelos operacionais e publicitários da TV 3.0.

“Tecnologias Emergentes e Tendências no Broadcast” foi o tema do segundo painel do Pós-NAB 2026, realizado no Distrito Anhembi, na capital paulista, nesta quarta-feira, 6 de maio. O painel apresentou a vanguarda das tecnologias emergentes, workflows e distribuição de conteúdo alinhados à eficiência técnica e operacional.

Moderado por Fernando Bonifacio (Boni), gerente de Desenvolvimento Digital do SBT; Marco Lopes, CEO da Mediastream Brasil; Marcel Corrado, gerente de Parcerias Estratégicas para Mídia e Entretenimento do Google; e Raphael Barbieri, CTO da EiTV, o painel retomou e atualizou conteúdos apresentados no SET:30 2026, realizado pela SET em Las Vegas durante a NAB 2026.

Boni destacou que a NAB foi reveladora para compreender como os agentes de IA estão entrando nos workflows das emissoras e como o ecossistema avança de forma acelerada em direção a uma transformação estrutural. Outro destaque do executivo do SBT foi “a quantidade de soluções em vídeo vertical” e como “ele mudou a forma de assistir vídeo”.

Corrado afirmou que, na NAB, ficou claro que a Inteligência Artificial (IA) já faz parte do workflow de mídia e que hoje se fala em fluxos, não mais em caixas, como no passado. Trata-se, segundo ele, de um mundo em que o aprendizado está nas “entregas” e na forma como o conteúdo chega ao consumidor. O executivo ressaltou que “hoje é importante saber que a TV 3.0 não traz apenas escala, mas sim valor”.

Barbieri explicou no Pós-NAB que a IA já é utilizada há tempos na “geração de legendas”, permitindo “uma associação de conteúdo com banco de dados e recomendações”, além de “aproveitar a IA para análise de conteúdo, de usuários e no qual possamos oferecer soluções”. Nesse sentido, segundo ele, a IA chega para apoiar a “segmentação” e o desenvolvimento de software nas emissoras, “onde o servidor tem containers, softwares, que vão permitir que esse ecossistema funcione, afinal, o core da TV 3.0 é um conjunto de softwares”.

Por sua vez, Lopes observou que uma única IA não é suficiente e, por isso, foi criado “um orquestrador de IA, que ajuda a modelar IA dependendo da função e incorporando agentes, o que gera uma flexibilidade para os fluxos dos clientes”. Para ele, as IAs precisam ser eficientes, gerando fluxos mais rápidos e viabilizando transformações ágeis. Lopes destacou que a IA “chegou à indústria, e na NAB com aplicações que funcionam” e que “são visíveis”.

Ao abordar a TV 3.0, Barbieri explicou que a tecnologia se apoia no Dash, o que pode “ajudar a economizar utilização de CDNs”, além de permitir a distribuição de arquivos via datacasting e ainda “distribuir arquivos de mídia utilizando o workflow da TV 3.0”.

Sobre a evolução do setor, Corrado afirmou que a indústria mudou e que “o ambiente de mídia está olhando para o broadcast”, destacando a relevância dos eventos esportivos ao vivo. Segundo ele, dentro do simulcast e das estratégias adotadas pelos players, na Copa do Mundo o formato “será o mesmo”, seja no YouTube ou na TV aberta. 

“Temos modelos interativos, temos um consumo diferente que a TV 3.0 vai fomentar com interação e menu, mas isso se deve transformar em uma entrega publicitária com interatividade e segmentação”, ressaltou. Entretanto, alertou que “temos de definir o CPM” e ter “coragem de discutir o modelo”, reconhecendo que “haverá ainda modelos de entrega de massa”, mas que também “podemos personalizar”.

Nesse contexto, Corrado abordou o DAI e afirmou que “a publicidade programática” vai existir, destacando a importância de “explicar aos broadcasters como funciona o programático, sem canibalizar a venda direta”, já que os dois modelos são complementares e podem contribuir para a monetização do inventário.

Por fim, ao tratar da interatividade, Barbieri afirmou que ela estará presente já na Copa do Mundo, pois agora há “conexão, temos CTVs e segunda tela”, o que permite diferentes formas de integração. Entre os exemplos, citou “estar logado na TV para que a emissora saiba que você está conectado”, enfatizando a necessidade de criar experiências ágeis e simples para o consumidor. 

“Na TV 3.0 poderemos continuar a assistir conteúdo ao vivo e consumir em telas menores os conteúdos OTTs”, além de “participações, chats, recursos que com a conectividade são simples”, ressaltando que tudo só funcionará plenamente se houver uma boa experiência do usuário e um anunciante que perceba valor na ação.

O SET Pós-NAB teve o patrocínio ouro da SES; como patrocinadores prata, Atlantis, EiTV, Eutelsat, Google, Harmonic e Mediastream; patrocinadores bronze, Ideal Antenas e Showcase; e o apoio da ABERT, AWS e Lineup. Apoio institucional da Astral e da Abratel.

Por Fernando Moura, em São Paulo